25.5.06

~EU VIM~

Eu não nasci no começo desse século.
Eu nasci no plano do eterno.
Eu nasci de mil vidas superpostas.
Nasci de mil ternuras desdobradas.
Eu vim para conhecer o mal e o bem.
E para separar o mal e o bem.
Eu vim para amar e ser desamado.
Eu vim para ignorar os grandes e consolidar os pequenos.
Eu não vim construir a minha riqueza.
Não vim construir a minha própria riqueza.
Mas não vim para destruir a riqueza dos outros.
Eu vim para reprimir o choro formidável.
Esse choro formidável que as gerações anteriores me transmitiram.
Eu vim para experimentar a dúvida e a contradição.
E aprendi que é preciso idolatrar a dúvida.

Murilo Mendes

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Encontrado no site do programa PROVOCAÇÕES da TV Cultura onde existe um link para ouvir esse poema em uma interpretação livre de Antonio Abujamra

~O CÓDIGO DA VINCI~

Ficção, Verdade e Preconceito. A mistura dos dois resultou nesse sucesso de vendas, bilheterias, críticas, artigos, estudos etc. Só não cabe o preconceito. Tanto temos escutado e lido por aí. É polêmico, sim. Mas que tal deixar de lado esse discurso competente do certo e errado, de verdade ?absoluta?, de lógica da razão e quebrar paradigmas e dogmas clássicos? Quantos dos "absurdos (óóóhhh!!!) pensados por Dan Brown não poderiam ser verdade? O cara pensou, escreveu, fez sucesso, virou filme, fez mais sucesso, criou polêmica. O que é mais pecado? Dizer que Jesus Cristo poderia ter se casado ou criticar o pensamento de alguém com intolerância? É preciso inventar um "abridor de cabeças". Tudo pode ser. Tudo pode mudar.
O filme vale ser visto pelas belíssimas obras de arte e arquitetura que alimentam nossos olhos. E pelos passeios pelas ruas de Londres e Paris que não têm nada de ficção.

23.5.06

~........ n a d a .........~

Não somos nada.

Somos apenas um conjunto de possibilidades e conexões.

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Diretamente da boca do meu professor para o meu caderno e para o blog.
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~AUTO-RECONHECIMENTO~

I
Entre as minhas reticências e o meu ponto final só existe um espaço.

II
Descobri que sou uma pessoa acatastásica.

III
O que é o eu e o que é o meu não-eu estão em hologamia.

21.5.06

~REDONDO~

Enchi tanta, mas tanta linguiça hoje na prova de redação do concurso que fui fazer, que ela foi enrolando, enrolando, enrolando e deve ter ficado bem redondona. Igual o ZERO que, certamente, eu levarei. E vai descer quadrado.

15.5.06


Guernica
Pablo Picasso (1937)



São Paulo.
Guerra civil.
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O que seria de mim, se não fosse a minha mãe?
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Simples. Eu não seria.

9.5.06

~ACHISMOS~

É uma mania universal.
Desde sempre.
Alguém sempre acha que é dono do mundo, dono do pedaço, dono da verdade, dono de alguém.
Alguém sempre se acha superior a alguém, inferior a alguém, vítima de alguém, amado por alguém, desprezado, perseguido por alguém.
Alguém acha que não deu sorte na vida, acha pouco o que já conseguiu, acha que vai levar vantagem, que vai cometer o crime perfeito e acha que ninguém vai descobrir e por aí vai.
Não esquecendo aqueles que se acham a cereja do bolo, o gás da coca-cola, a última bolacha do pacote ou a figurinha premiada.
Algumas pessoas acham que são poetas, cantores, artistas. Tem gente que acha bonito usar um monte de verbo pra expressar uma única ação, pois "vão dever estar achando" bonito ser feio.
O que é que se acha, realmente?
Aquilo que se encontra e se tem certeza, não é? Eu achei um livro. Eu achei um modo de fazer. Eu achei o filme triste. Eu achei a prova difícil. Eu acho chato.
Quando alguém fala: Eu acho que vou, eu acho que quero, eu acho que sei, eu acho que é, eu acho que qualquer verbo, não vai a lugar nenhum, não sabe o que quer, não sabe porcaria nenhuma, e se acha que é, é sim: uma baita insegura. Tudo bem que todos tenham direito aos seus momentos de indecisão, de dúvida, de ganhar tempo para ponderar sobre que caminho seguir.
Mas convenhamos.
É tão mais fácil dizer: eu vou, eu sei, eu não sei, eu quero. Ou melhor, no passado: eu fiz, eu fui, eu realizei, eu resolvi, eu consegui... O problema é tirar esses achaques do povo.
Começando comigo, que sempre achei que pensava que tinha certeza da minha absoluta dúvida. Eu tenho mesmo, ué. Sou um ponto de interrogação, um loop infinito que gira, gira, gira e busca respostas. Quem não é?
E se alguém achar que fui ambígua, favor avisar.
Mas fundamentem. Chega de achismos.

~EM DEFESA DO COÇAHOLIC~ Henrique Szklo

ESTÁ NA HORA DE FAZER ALGUMA COISA PELOS QUE NÃO QUEREM FAZER NADA.
Detesto trabalhar. Acho desnecessário, degradante e abominável. Um castigo divino que se abateu sobre minha cabeça. Não devo ter sido um bom menino em vidas passadas. E, como punição (veja só a tragédia pessoal) fui condenado a passar toda a minha vida adulta trabalhando para me sustentar. É triste mas não precisa chorar. Não quero sua compaixão. Sou adulto e sei muito bem o que devo fazer: nada, claro. Sou um coçaholic convicto.
Mas conheço muita gente que tem a péssima, a ultrajante mania de trabalhar obsessivamente. Me irrita de um jeito! É uma compulsão que não é sadia. Uma doença que só se cura com repouso absoluto. Gostar de trabalhar? Tenha a santa paciência. Esses indivíduos pervertidos apresentam claros sinais de insanidade. Sociopatas que além de se matar de trabalhar, ainda conseguem arranjar um tempinho para patrulhar quem não fez nada para eles. Para esses intolerantes xiitas do labor, fazer nada é crime. É por isso que o coçaholic jamais assume sua condição. Nunca sai do armário funcional com medo de não ser compreendido, de ser hostilizado, agredido. Pior: tem medo de ser descoberto e ter de finalmente trabalhar de verdade. Bate na madeira! Mas não precisa ser agora. Mais tarde.
Onde está o direito à escolha? A democracia? E curioso: o coçaholic nem minoria é. Uma imensa horda silenciosa cujo único desejo é poder viver com dignidade e conforto sem precisar pegar no batente. Será que é pedir muito?
Se você acha que nunca viu um coçaholic é porque talvez esteja trabalhando demais. Bem-feito, quem mandou? Somos muito discretos, silenciosos e inativos. Somos a favor da livre-iniciativa, mas preferimos mesmo a não-iniciativa. Tomamos 350 cafezinhos por dia e lemos todos os jornais logo que chegamos ao escritório. Por isso o coçaholic é sempre muito bem-informado. Afinal, temos que ter assunto para nossas conversas intermináveis.
Nosso maior aliado é o computador, que nos oferece nossa mais importante ferramenta de trabalho: o jogo de paciência virtual. O coçaholic joga paciência o dia inteiro e aos olhos dos outros e principalmente do chefe ainda fica com fama de que trabalha muito. Chega mais cedo que todo mundo e vai embora mais tarde. Só pra jogar paciência. Agora então que existem alguns jogos que se disputam pela internet, a legião de coçaholics está muito mais unida, interligada, com know-how, talento e expertise, preparada para os cada vez maiores desafios dos jogos virtuais. A internet, aliás, é outra excelente ferramenta. Simulando pesquisas profissionais, podemos ficar o dia inteiro em salas de bate-papo ou sites de sexo. Todo coçaholic, por definição, adora ficar na rede. Falar ao telefone também é uma atividade fundamental na vida do coçaholic. Horas, horas e horas discutindo importantes, complexos e estratégicos assuntos de cunho pessoal com amigos que torcem sinceramente para que dê tudo certo. Como é importante a força dos amigos nesses momentos.
Conclamo, portanto, a todos os que têm aversão à labuta para lutar juntos pelos nossos direitos. Se bem que lutar pelos direitos dá uma preguiça danada. Vamos fazer o seguinte: vocês vão na frente que eu vou logo em seguida. Já, já.

Henrique Szklo é autor do livro ?Só porque criou o mundo pensa que é Deus? e está muito cansado. Texto retirado do Jornal Tribufa da Ópera, disponível gratuitamente na Editora Zouk (é só pedir).

Os livros da Editora Zouk se destinam ao leitor/pesquisador que desencava seus próprios sentidos e cultiva uma inquietude para novos saberes.

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Exatamente que é o eu.
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2.5.06

~TRANSCENDER~


E depois de tantas teorias sem explicação, recito o "SUTRA DO CORAÇÃO" para expressar a ultrapassagem do véu da ilusão.

~QUANTUM~

O que já não era voltou a ser e o que era já não é mais, ainda vai ser.
Luiz Sérgio de Carvalho (espírito)

Essa frase veio de um site que comentou o site onde essa frase estava só pra ilustrar toda a teoria que era expressa no site que eu estava lendo.
Então. Parece complicado. Mas é. Procurando entender física quântica, do que se trata, onde é aplicada, quais suas teorias etc. e tal, eu fui indo, de link em link. Tudo para poder esclarecer um pouco sobre os dois filmes que assisiti por sugestão do professor e que consegui entender uma única coisa, ou seja, tou ficando lelé. Parece tão simples, escrito com palavras simples mas que dão margem à imaginação... Arrá! Esse era o propósito.
Os filmes são Ponto de Mutação e Quem somos nós? Basicamente, falam da mesma coisa de maneiras diferentes: questionamentos existenciais. Os conceitos físicos, religiosos, científicos, místicos, filosóficos se misturam tecendo uma grande rede que por sua vez derrubam todos os conceitos anteriores formando um único conceito de unidade. Só um dos exemplos do filme pra ilustrar. Ao olharmos para um objeto, certas áreas do nosso cérebro reconhecem o objeto e são ativadas. Se fecharmos os olhos e imaginarmos os mesmos objetos, as mesmas áreas do cérebro são ativadas. E não há realidade. Não estamos vendo os objetos realmente. Mas eles estão ali. Então o que é realidade? Se só tomamos consciência do que vemos e a memória do cérebro armazena tudo o que conhecemos, o quanto de realidade não conhecida deixamos de perceber? Nenhuma. A mesma coisa tendo dois estados diferentes? Pois, é tudo ilusão, então.
Mas que fico horas e horas tentando entender, eu fico. Donqueuvim, pronqueuvô, praquesirvo, que é o eu? Sei lá. Tudo isso serve pra me deixar mais lelé do que já tou.