![]() | Meu Chocolate Azulado!
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28.12.01
Saldo: 2400 mortos.
Eu não estava lá... mas deve ter sido assim mesmo!!!
E lembrei do Extreme...
![]() | Someone said
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23.12.01
21.12.01
olhando-nos de longe e de cima e, de uma distância artística,
rindo sobre nós ou chorando sobre nós: temos de descobrir o herói,
assim como o parvo, que reside em nossa paixão pelo conhecimento,
temos de alegrar-nos vez por outra com nossa tolice,
para podermos continuar alegres com nossa sabedoria."
Nietzsche
15.12.01
~A VIDA DEVERIA SER DE TRÁS PARA FRENTE~
Charles ChaplinA coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.
Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente.
Nós deveríamos morrer primeiro, se livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando....
E termina tudo com um ótimo orgasmo!!!
Não seria perfeito?
13.12.01
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Dor é a diferença entre o que é e o que você quer que seja
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando sempre faltam cinco minutos para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta para os outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em outra época do ano.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados para sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não. Amor é um exagero... também não.
É um “desadoro”... Uma batelada?
Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor não sei explicar.
Neu eu... assim como não sei quem escreveu isso...
Kiórassão?
É hora de tirar a máscara da ilusão
É hora de abrir bem a boca
E soltar a voz do coração
É hora de parar com afrontes
É hora de se desculpar com humildade
É hora de visualizar novos horizontes
E agir com plena integridade
É hora de focar o invisível
É hora de usar a inteligência
É hora de conseguir o impossível
E encher a vida de consistência
É hora de sublinhar um amigo
É hora de atender um pedido
É hora de não falar em código
E revelar o que está escondido
É hora de amadurecer a emoção
É hora de se envolver por amor
É hora de definir a situação
E espantar todo e qualquer temor
É hora de buscar por certeza
É hora de entender o esquisito
É hora de ajoelhar para uma reza
E agradecer por todo e por cada êxito
É hora de atinar para o Norte
É hora de fingir a tristeza
É hora de acreditar na sorte
E provocar com sutileza
É hora de fluir o congelado
É hora de apagar a luz
É hora de pensar que é sábado
E aceitar tudo que te seduz
É hora de buscar poesia
É hora de ganhar da derrota
É hora de insistir na alegria
E realizar a possibilidade remota
É hora de procurar um prego
É hora de pendurar na parede
É hora de rechear o ego
E balançar com a vida numa rede
É hora de sacudir o tapete
É hora de *despulgar* a orelha
É hora de desligar a Bete
Antes que a xinguem de *pentelha*
É hora de pensar diferente
É hora de sair da prateleira
É hora de trabalhar, minha gente
E parar de falar besteira
Apenas Mais Uma de Amor
(Lulu Santos)
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe
Na cabeça e não
Tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz
É uma idéia que existe
Na cabeça e não
Tem a menor pretensão de convencer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
12.12.01
O Homem: As Viagens
Carlos Drummond de Andrade
O Homem, bicho da Terra tão pequeno
Chateia-se na Terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a Lua
Desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
Planta bandeirola na Lua
Experimenta a Lua
Coloniza a Lua
Civiliza a Lua
Humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em Marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funca a cuca se não for a Júpiter
Proclamar a justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repeitr o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
Só para te ver?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o Sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
Carlos Drummond de Andrade
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial;
industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação, e tudo
começa outra vez, com vontade
de acreditar que daqui por diante vai ser diferente!
MOTIVO
Cecília Meireles
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
MAIS UMA VEZ
Flávio Venturini / Renato Russo
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Mó... a *n*o*s*s*a* música não poderia faltar aqui né?
Essa vai de homenagem pra vc, kirida!!!! ;o)
AMIGOS,
SOMENTE AMIGOS
ALIÁS,
NEM TÃO AMIGOS,
NEM TÃO ÍNTIMOS,
MAIS NADA,
NADA MAIS QUE SIMPLES AMIGOS.
AMIGOS QUE NÃO SE ABRAÇAM,
AMIGOS QUE NÃO SE LIGAM ,
QUE NÃO SE CONTAM,
NÃO SE ENCONTRAM.
APENAS CONHECIDOS
QUE SE CRUZAM
E SE EVITAM,
FINGINDO
QUE NÃO SE CONHECEM.
FINGINDO
QUE NADA EXISTIU,
VIRANDO AS COSTAS,
TRANCANDO AS BOCAS,
BAIXANDO OS OLHOS,
ENGOLINDO O CHORO,
RESPIRANDO FUNDO,
E APRESSANDO O PASSO
EM SENTIDO CONTRÁRIO.
AUMENTANDO MAIS E MAIS
A DISTÂNCIA DO PASSADO.
Sheila Paixão
... e eu adoro isso ...
Círculo Vicioso
Machado de Assis
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
- “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a Lua, com ciúme:
- “Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fonte amada e bela...”
Mas a Lua, fitando o Sol, com azedume:
- “Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!”
Mas o Sol, inclinando a rútila capela:
- “Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”
Um verdadeiro LoopInfinitum...
Ou isto ou aquilo
Cecília Meireles
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Seus corpos mortos, as folhas.
E ora das árvores chovem,
Ora onde inertes não movem
A chuva do Outono molha-as.
Não há no meu pensamento
Vontade com que o pensar,
Não tenho neste momento
Nada no meu pensamento:
Sou como as folhas ao ar.
Mas elas certo não sentem
Esta mágoa inteira e funda
Que meus sentidos consentem.
Nada são e nada sentem
Da minha mágoa profunda.
Fernando Pessoa
11.12.01
Brother Sun, Sister Moon
I seldom feel you,
Seldom hear your tune
Preoccupied with human worldliness
I am Life's creature
Of Life I am part
I feel a love for Life
Awaken in my heart
Brother wind, sister air
Open my eyes to visions pure and fair
So I can see
The glory around me.
Brother Sun, Sister Moon
I now can see you
Now can feel your tune
So much in Love, with all that I survey
Vendo a Vida de São Francisco de Assis, lembrei da minha irmã, da minha infância, em mil novecentos e bolinha... e ela cantava essa música do filme do Zeffirelli, Irmão Sol, Irmã Lua.
Será que ela lembra?
Rafael Maia
Andei te escutando por trás da porta
Esperei descobrir uma verdade torta
Andei te escutando, e não ouvi nada
Suas verdades tortas estavam caladas
Tentei te olhar por trás da porta
Esperei descobrir uma face morta
Tentei te olhar, mas nada havia
Sua morte estava repleta de alegria
Quis te sentir por trás da porta
Esperei descobrir uma sensação nova
Quis te sentir, mas algo me impediu
Suas sensações novas ninguém jamais descobriu
Sonhei te querer por trás da porta
Esperei realizar um sonho incrível
Sonhei te querer, uma vontade tanta
Que de nada adianta, pois você é impossível
do ~O Poeta Que Pariu~
me dá uma coisa
que não consigo definir
se é de dentro pra fora
ou de fora pra dentro?
Sei que me envolve
e me vira do avesso
É assim vice-verso
De trás pra frente
De cima pra baixo
De um lado pro outro.
Sei que é difícil de entender
mas não sei se vou conseguir
me explicar melhor do que eu fiz agora...
Mas é assim que me sinto
Um verdadeiro Loop Infinito!
5.12.01
"O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à
quantidade de foda-se que ela fala."
(...) Tem outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de "puta-que-pariu", falado sílaba por sílaba ...
(...) Os palavrões são as melhores palavras da língua portuguesa. "Pra
caralho", por exemplo. Qual expressão traduz maior idéia de quantidade do que "pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática, física. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, entende?
O "foda-se"? Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se ?
O foda-se aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.
"Não quer sair comigo? Então foda-se.".
"Brigou comigo ? Então foda-se."
O direito ao foda-se deveria estar assegurado na constituição brasileira.
Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.
Eu sei quem mandou, mas não conto!
Fodam-se os curiosos! *@*
4.12.01
Poesia Geométrica
Millôr Fernandes
Pontudo poliedro
Ao entrar numa equação
Encontrou um Rombóide exemplar
De ângulos sem par
E negra simetria linear
"Eureka!", estremeceu.
"Newton, me ajude de verdade,
Que perco a gravidade!"
Doido negreiro,
Roçou o seu cateto
Nas quinas do parceiro
E, ao se sentir enorme
Disse baixinho, ao preto:
"Meu Deus, que cuneiforme!"
"Sou teu isógono"
Disse o Rombóide, lacônico.
"Mas pode me chamar de isogônico."
E os dois propuseram
E x MC2 - 3,1416 (24) x 69
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477ª 15
ou seja
Um teorema disforme
Em carícias ardentes,
Um amor trapeziforme
Bissectando linhas confluentes.
Neste instante, porém, surgiu o Heptaedro.
Que, com olhar oblíquo, gargalhou a verdade pendular,
"Somos todos heterógonos.
E isto um triângulo sexangular!"
E, cheio de apetite,
Propôs uma unidade tripartite.
Mas repressão é coisa séria
Elementos cheios de hidrostática
Saltaram da quarta-matéria
E, com força Kinética,
Atacaram a proposta sexo-estética:
"Prendam esse trio amoral
Poligonal
Por movimentos secantes
Revoltantes.
Gestos esféricos
Histéricos,
E atitudes contangentes
Indecentes!
E não venham com lérias:
Galileu já falava
Da excrescência das matérias
"Amado Poliedro" gemeu o Rombóide.
"Essas figuras obtusas
Vão nos meter na hipotenusa!"
"Comigo aqui"
Disse Poli
"Ninguém te fará mal, reto ou oblíquo!"
E, com socos ubíquos
Nos críticos
Golpes elípticos
Em moelas
Pernadas paralelas
Em deltóides
E pontapés ovóides
Em umbigos,
Se pôs a derrubar os inimigos.
A força de tal paixão
Atraiu num instante
A patrulha angular policitante
Que transformou os atacantes numa nuvem etérea
Com alguns rojões de antimatéria
Nossa história se encerra
Com a vitória do Amor-Verdade
Que não explode
A população da Terra.
Para o resto de nossas vidas
Existem coisas pequenas e grandes coisas que levaremos para o resto de nossas vidas. Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas. Depende de cada um, depende da vida que cada um de nós levou. Levaremos lembranças, coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcarão, que mexerão com a nossa existência.
Provavelmente, iremos pela vida afora colecionando essas coisas, colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu nos nosso dias e que deixou marcas.
Marcas... Umas serão mais profundas, outras superficiais, porém todas com algum significado. Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se contarmos para outros talvez não tenha a menor importância, pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.
Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um Natal, uma viagem, uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo. Quem sabe uma amizade incomparável, um sol que foi alcançado após muita luta, algo que deixou de existir por puro fracasso.
Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo. Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós. Umas porque nos dedicaram um carinho enorme, outras porque foram o objetivo do nosso amor. Outras ainda por terem nos magoado profundamente.
Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos. Bem lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a nossa vida, se de amor ou de rancor, se de alegrias ou tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou realidades.
Pensem sempre que hoje é só o começo de tudo. Que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossas vidas, de certa forma, ainda está em nossas mãos.
3.12.01
Silvio César
Pra você eu guardei
Um amor infinito
Pra você procurei
O lugar mais bonito
Pra você eu sonhei
O meu sonho de paz
Pra você me guardei
demais, demais
Se você não voltar
O que faço da vida?
Não sei mais procurar
A alegria perdida
Eu não sei nem porque
Terminou tudo assim
Ah, se eu fosse você
Eu voltava pra mim
Voltava, sim
Ah, se eu fosse você
Eu voltava pra mim
Silvana Duboc
Tantas coisas pra fazer
Tantos assuntos pra resolver
...e eu ainda penso em você...
Tantos compromissos
Tanto tempo inútil
Tanto desperdício
Deletei você da minha vida
Mas não resolvi a questão
Continuo nas suas mãos
Você dentro do meu pensamento
Sua imagem cravada no meu coração...
Uma viagem pela frente
Deveria estar contente
E essa estrela que me guia
Não brilha
E essa saudade que me invade
Me contagia
Deletei num ato de coragem
A sua imagem
Dos meus guardados
Do meu passado
Mas de que me adiantou
Se aqui no meu presente você ficou
Se vôo pra bem distante
Se me afogo no trabalho
Morro a cada orvalho
Desapareço a cada amanhecer
Quando meu coração começa a doer
E busca por você
Quando a sua ausência se faz presente
Quando as suas lembranças
Me açoitam a alma em forma de vingança
Você está vendo?
É assim que estou vivendo
Sofrendo, um desatino consentido
Que me invade
Um risco permitido
Um vício aflitivo
Tantas loucuras.....
Tantos dias e tantas noites às escuras
Tanta luta pra te fazer entender
O que não pretendo mais dizer....
Que somos iguais
Seres normais
Que dentro de nós dois
O que bate é da mesma forma
Com a mesma intensidade
E que maldade a sua
Não entender isso
Não aceitar que o degrau qua a vida nos colocou
Não regula nosso coração na hora do amor.
Se foi pra mim ou se não foi, não sei...
Acho que sim..
Mas tenho certeza que tem sido assim!
30.11.01
29.11.01
23.11.01
22.11.01
I do not seek perfection.
I simply seek to remember who and what I am every day.
I seek the people and places and practices that support the expanding of this awareness in my day, in my life, in my choices.
Our lives are the story of how we remember.
It is the dance that was woven into the fabric of our being from the beginning.
The presence of the Great Mystery is always with us.
I only have to turn my face toward it, and it is there – as a voice beneath the sound of the pale grey waves crashing on the shore, as a touch of the unseen on the back of my neck that makes me pause and turn as I cut carrots on my kitchen counter, as a kiss that lingers as I come up out of dreams in the mist of dark mornings.
From The Dance by Oriah Mountain Dreamer , copyright 2001 by Mountain Dreaming Productions Inc., published in the UK by HarperCollins.
21.11.01
~ MAR PORTUGUÊS ~
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Eu sempre cito esse verso de Fernando Pessoa ......
~Tudo vale a pena, se a alma não é pequena~...
mas não lembrava mais que eram parte de um poema, pela síntese que possuem e pela vida própria adquirida.
Não cruzei o Cabo Bojador. Não dessa vez. Cruzamos o Cabo das Tormentas, hoje chamado de Cabo da Boa Esperança, extremo sul histórico do continente africano e nossa guia Joan leu esse poema pra gente. É só um pequeno detalhe que vai ficar marcado pra sempre. Passamos a entender aquilo que aprendemos na escola há muito tempo e já tínhamos esquecido, quando deixamos de olhar como expectadores e nos colocamos realmente como parte integrante da história.
Toda e qualquer descoberta, seja em que tempo for, vale sempre a pena.
Principalmente a descoberta de que apenas lembramos aquilo que sempre soubemos.
Mas, só conseguiremos enxergar, acreditar e aceitar quando os olhos da nossa alma estiverem abertos.
18.11.01
Comece uma faxina mental, afaste tudo que te faz mal:
-aquelas lembranças que te fazem chorar: Lixo
-aquelas cartas que te lembram "aquela figura que se foi": Lixo
-aquela saudade do último emprego: Lixo
-aquela esperança de melhorar uma pessoa que não muda de jeito nenhum: Lixo
-aquela indecisão: Lixo
-quem te ofende diariamente: Lixo
-quem não acredita em você: Lixo
-quem vive tentando te enganar: Lixo
22.10.01
Save me a place
In the heart of your hearts
When you think of love
Never forsake me
Wanting and dreaming you
Each time I think of you
Lying naked beside me
Only a Lady of Dreams
She will bring magic
To sing to your heartstrings
Only a Lady of Dreams
Come alive - you are all
That I desire!!
~
Save me a place
In the heart of your heart
When you think of dreams
Never forsake me
Wanting and holding you
Each time I come to you
Lying so naked beside you
Only a Lady of Dreams
Could there be magic
To sing to your Heartstrings
Only a Lady of Dreams
Come alive - you are all
That I desire
~
Something tells me
This is love that surrounds
Only a fool
Without wisdom can see
Blind as I am
In your eyes
My Lady of Dreams
Blind as I am
In your eyes
My Lady of Dreams
~
Save me, save me
A place in your heart
Tears escape from me
When we're apart
Please dream of me now
My Lady of Dreams
My thought and wishes
Are all that surrounds
Mysteries hold you
Then fly you away
You know you are my life
My Lady of Dreams
You know you are my life
My Lady of Dreams
~
Save me a place
In the heart of your heart
When you think of love
Never forsake me
Wanting and dreaming you
Each time I think of you
Lying so naked beside me
Only a Lady of Dreams
She will bring magic
To sing to your Heartstrings
Only a Lady of Dreams
Come alive - you are all
That I desire
Something tells me
This is love that surrounds
Only a fool
Without wisdom can see
Blind as I am
In your eyes
My Lady of Dreams
Blind as I am
In your eyes
My Lady of Dreams
19.10.01
Um treinador de circo consegue manter um elefante aprisionado porque usa um truque muito simples: quando o animal ainda é criança, ele amarra uma de suas patas num tronco muito forte. Por mais que tente, o elefantinho não consegue soltar-se. Aos poucos, vai se acostumando com a idéia de que o tronco é mais poderoso que ele.
Quando adulto, e dono de uma força descomunal, basta colocar uma corda no pé do elefante e amarrá-la num graveto que ele nem tenta libertar-se - porque se lembra que já tentou muitas vezes, e não conseguiu.
Assim como os elefantes, nossos pés estão amarrados em algo frágil. Mas como acostumamos com o poder daquele tronco, não ousamos fazer nada. Sem saber que basta um simples gesto de coragem para descobrir toda nossa liberdade.
Rafa que mandou.. também num sabe quem escreveu...
10.10.01
Tem gente que tem cheiro de passarinho
quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente
no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente
comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água
é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e
que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente
se sente chegando em casa
e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o
gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece
manhã de Natal do tempo em que
a gente acordava e encontrava o presente do
Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas
que Deus acendeu no céu e daquelas
que conseguimos acender na Terra. :
Ao lado delas, a gente não acha que
o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente
visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia
do toque suave que sua presença sopra
no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que
a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e
que a atração que realmente nos move
não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no
instante em que rimos Deus está conosco,
juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente que tem a alma perfumada!
Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.
Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo corpos, vejo almas
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não posso compreender...
(Carlos Drummond de Andrade)
7.10.01
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
(Carlos Drummond de Andrade)
É muito comum que nos sintamos culpados por experiências negativas do passado, vividas sem a percepção amorosa que gostaríamos de ter tido então. Quando estamos dispostos a perdoar, a Alma nos concede o dom de podermos admitir a nossa impecabilidade. A atitude impecável nos convida a ser e agir segundo a percepção mais elevada que temos de nós mesmos e dos outros, além das aparências e das limitações do ego. O eterno presente é o único tempo e lugar onde poderemos nos sentir livres da culpa e dar um passo adiante em qualquer situação nova, de modo impecável.
(extraído do LIVRO DAS ATITUDES - Sônia Caffé - Neide Innecco)
2.10.01
ROSA
Tu és
Divina e graciosa
Estátua majestosa
Do amor
Por Deus esculturada
É formada com o ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida
É preferida pelo beija-flor
Se Deus
Me fora tão clemente
Aqui neste ambiente
De luz
Formada numa tela
Deslumbrante e bela
O teu coração
Junto ao meu, lanceado, pregado
E crucificado
Do arfante peito meu
Tu és
A forma ideal
Estátua magistral
Oh, alma perenal
Do meu primeiro amor
Sublime amor
O riso, a fé e a dor
Em sândalos olentes
Cheios de sabor
Em vozes tão dolentes
Como um sonho em flor
És láctea estrela
És mão da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo o resplendor
Da santa natureza
Perdão
Se ouso confessar
Que eu hei sempre amar-te
Oh, flor
Meu peito não resiste
Oh, meu Deus, quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar
Em esperar
Em conduzir-te um dia ao pé do altar
Jurar
Aos pés do Onipotente
Em prece comovente
De dor
E receber a unção
De tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver
Até meu padecer
De todo fenecer.
1.10.01
30.9.01
27.9.01
26.9.01
Cheguei... Enfim vim aqui escrever... Sobre o que? Que tal sobre o q vc deixou aí por último? C sabe q sou meio apaixonada por um amor incondicional né?! amo incondicionalmente mesmo... amo eu ... a vida.. .. as artes.. as palavrass.. os amigos.. os meus bichinhos de pelúcia... amo musica.. amo alguém.. o trabalho.. artesanato... amo tanta coiisa... amo meu dom.. amo aprender.. amo ensinar.. e amo constatar... q amor num morre.. se transforma... sempre.. e então é isso.. nao creditu q o amor sossegue qdo morre.. pq nem creio q ele morra.. e ele sossega com que? me ensina q quero fazer um amor sossegá.. e olha q já conversei com meu estomago.. (c sabe q o centro das emoções tá no estomaguuu, né???!!) verdade.. eu sei.. aprendi na terapia... e por lá eu domo meus sentimentos e minhas emoções... num tô lôca naum.. depois te conto disso.. venho aki escrevê sobre o estomago e os sentimentos.. tá?! *gargalhadas*.. Ai.. zuei teu blog.. tava taum lindo.. vim aki falá bubagi... ah.... eu sou a rafinha né?! eu posso. Beijaum.
25.9.01
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louca azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz. Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz....
Houve um tempo em que a a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes, abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão à escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Veja. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros, que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital. Um deles ficava sentado em sua cama por uma hora todas as tardes para conseguir drenar o líquido de seus pulmões. Sua cama ficava próxima da única janela existente no quarto. O outro homem era obrigado a ficar deitado de bruços em sua cama por todo o tempo. Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres e suas famílias, suas casas, seus empregos, seu envolvimento com o serviço militar, onde eles costumavam ir nas férias. E toda tarde quando o homem perto da janela podia sentar-se ele passava todo o tempo descrevendo ao seu companheiro todas as coisas que ele podia ver através da janela. O homem na outra cama começou a esperar por esse período onde seu mundo era ampliado e animado pelas descrições do companheiro. Ele dizia que da janela dava pra ver um parque com um lago bem legal. Patos e cisnes brincavam na água enquanto as crianças navegavam seus pequenos barcos. Jovens namorados andavam de braços dados no meio das flores e estas possuíam todas as cores do arco-íris. Grandes e velhas árvores cheias de elegância na paisagem, e uma fina linha podia ser vista no ceu da cidade. Quando o homem perto da janela fazia suas descrições, ele o fazia de modo primoroso e delicado, com detalhes e o outro homem fechava seus olhos e imaginava a cena pitoresca. Uma tarde quente, o homem perto da janela descreveu que havia um desfile na rua e embora ele não pudesse escutar a música, ele podia ver e descrever tudo. Dias e semanas passaram-se. Em uma manhã a enfermeira do dia chegou trazendo água para o banho dos dois homens mas achou um deles morto. O homem que ficava perto da janela morreu pacificamente durante o seu sono à noite. Ela estava entristecida e chamou os atendentes do hospital para levarem o corpo embora. Assim que julgou conveniente, o outro homem pediu à enfermeira que mudasse sua cama para perto da janela. A enfermeira ficou feliz em poder fazer esse favor para o homem e depois de verificar que ele estava confortável o deixou sozinho no quarto. Vagarosamente, pacientemente, ele se apoiou em seu cotovelo para conseguir olhar pela primeira vez pela janela. Finalmente, ele poderia ver tudo por si mesmo. Ele se esticou ao máximo, lutando contra a dor para poder olhar através da janela e quando conseguiu fazê-lo deparou-se com um muro todo branco. Ele então perguntou à enfermeira o que teria levado seu companheiro a descrever-lhe coisas tão belas, todos os dias se pela janela só dava pra ver um muro branco? A enfermeira respondeu que aquele homem era cego e não poderia ver nada mesmo que quisesse. Talvez ele só estivesse pensando em distraí-lo e alegrá-lo um pouco mais com suas histórias. Moral da história: há uma tremenda alegria em fazer outras pessoas felizes, independente de nossa situação atual. Dividir problemas e pesares é ter metade de uma aflição, mas felicidade quando compartilhada é ter o dobro de felicidade. Se você quer se sentir rico, apenas conte todas as coisas que você tem e que o dinheiro não pode comprar. Hoje é um presente e é por isso que é chamado assim.
Autopsicografia
Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse combóio de corda
Que se chama coração
24.9.01
23.9.01
THE CARPET CRAWLERS
There is lambswool under my naked feet.
The wool is soft and warm,
-gives off some kind of heat.
A salamander scurries into flame to be destroyed.
Imaginary creatures are trapped in birth on celluloid.
The fleas cling to the golden fleece,
Hoping they'll find peace.
Each thought and gesture are caught in celluloid.
There's no hiding in my memory.
There's no room to void.
The crawlers cover the floor in the red ochre corridor.
For my second sight of people, they've more lifeblood than before.
They're moving. They're moving in time to a heavy wooden door,
Where the needle's eye is winking, closing in on the poor.
The carpet crawlers heed their callers:
"We've got to get in to get out
We've got to get in to get out."
There's only one direction in the faces that I see;
It's upward to the ceiling, where the chambers said to be.
Like the forest fight for sunlight, that takes root in every tree.
They are pulled up by the magnet, believing that they're free.
The carpet crawlers heed their callers:
"We've got to get in to get out
We've got to get in to get out."
Mild mannered supermen are held in kryptonite,
And the wise and foolish virgins giggle with their bodies glowing bright.
Through a door a harvest feast is lit by candlight;
It's the bottom of a staircase that spirals out of sight.
The carpet crawlers heed their callers:
"We've got to get in to get out
We've got to get in to get out."
The porcelain mannikin with shattered skin fears attack.
The eager pack lift up their pitchers- the carry all they lack.
The liquid has congealed, which has seeped out through the crack,
And the tickler takes his stickleback.
The carpet crawlers heed their callers:
"We've got to get in to get out
We've got to get in to get out."



