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【PT-BR】Jirō Kishibe, o Roteirista da Vida

    By Senon Wakamiya
    【PT-BR】


    Monte Osore, província de Aomori.
    Entre cata-ventos, um jovem observa o rio. É o roteirista Kishibe Jirō. Ele morreu há vinte e cinco anos, aos vinte e três.

    Com pena, Deus lhe concedeu um poder: a autorização para corrigir o roteiro da vida de outras pessoas.
    E hoje, mais uma vez, uma mulher que quer “consertar” a própria história é enviada até ele.


    “…Hã? Onde eu tô?”

    Aomori. Monte Osore.

    “O quê!? Mas eu… eu tava tirando um cochilo no meu apartamento em Tóquio…”

    Sua alma foi enviada enquanto você cochilava. Aquela saída do corpo. Foi indicação do Wakamiya-san, né?

    “Sim… o Senon me contou sobre você…”

    Não pode cochilar desse jeito, dormindo pesado. Isso mata células do cérebro.

    “Então… é verdade que você consegue reescrever o roteiro da vida?”

    Sim. Mas só dá pra reescrever este exato instante. O passado não muda.
    Só que, se o significado deste instante mudar, o futuro muda junto.

    “Mas… você tá morto, né?”

    Sim. Eu não tô vivo.

    “E mesmo assim você mexe no computador…”

    Sabe aqueles fantasmas de motoqueiro que morreram na serra e aparecem junto com a moto? É igual.

    “Eu… não entendi.”

    Então tá. O que vamos mudar? Neste instante, como você quer que a história se desenrole?

    “Mas eu tô dormindo em Tóquio agora.”

    Isso não importa. Se você está só cochilando, se está presa numa doença grave, ou se seu corpo vira partículas e se mistura ao chão e afunda na terra… depende do roteiro.

    “Ah… virar parte do chão eu não quero. É que… eu tava chorando de saudade do meu namorado. Dormi chorando.”

    Namorado? Perdão, mas… você é casada?

    “Sou.”

    Certo… e filhos?

    “Um menino. Quinto ano.”

    E esse “namorado”…

    “Eu quero ver ele. Reescreve.”

    Tá. Ele é alguém difícil de encontrar?

    “Sim. Mora longe.”

    Longe… tipo Kyushu? Okinawa?

    “São Paulo.”

    Brasil!? Pera—ele veio do Brasil te ver!?

    “Não. Eu que fui ver ele.”

    Você foi!? Deixou seu filho do quinto ano e foi!? Que fim de mundo, meu Deus!
    E ele tá no Brasil por trabalho, expatriado…?

    “Não. Ele é brasileiro mesmo. De verdade.”

    Por quê!? Como vocês se conheceram!?

    “Na internet.”

    Senhora… isso tá com cara de golpe romântico. E a língua? Vocês conseguem conversar?

    “Ah… eu gosto de bossa nova, então eu entendo umas coisinhas… e tem aplicativo de tradução… e emoji…”

    Não faça adultério internacional por troca de emoji! Senhora, isso é golpe. Isso não é amor—é fraude.

    “Mas outro dia, no aeroporto de São Paulo, me abraçando, ele me disse: ‘Me empresta 100 reais.’”

    Pronto! A palavra “golpe” tá no abraço!
    Ele pediu dinheiro! Você tá sendo enganada! E “reais” ainda por cima!? Eu nem sei qual moeda vocês tão usando aí!

    “Kishibe-san, falar mal do amor dos outros… com que direito? Isso é abuso.”

    Por que você tá tentando aplicar ‘assédio’ até num fantasma…
    E olha: eu também tenho o direito de recusar a sua acusação.

    “Desculpa… eu perdi a cabeça…”

    Então: nesse seu caso de traição internacional, o que você quer corrigir?

    “Eu quero ver ele.”

    Isso você já falou.

    “Em Guam.”

    Por quê!? Por que Guam com um brasileiro!? Qual é a necessidade de Guam!?

    “Porque eu nunca fui…”

    Olha, eu não sou agente de viagem. Eu não vendo pacote turístico. Vai você mesma. Junta dinheiro!

    “Mas o Wakamiya-san disse: ‘O Kishibe muda qualquer cenário’… ‘O Kishibe é um gênio’…”

    …Tch. Tá. Então Guam amanhã serve?

    “E eu também queria pedir uma coisa do meu filho.”

    Seu filho? O que houve? Resfriou?

    “Ele joga futebol. No sub… e ele é reserva. Sempre.”

    Aham.

    “Faz ele virar titular.”

    Eu não sou técnico de escolinha!

    “É categoria de base.”

    Justamente! Aí tem que ralar! Não—quem tem que ralar é seu filho. Faz ele treinar. Isso não é ‘roteiro’, é conquista!

    “Mas aí você reescreve rapidinho. Pá.”

    Não, não, não… espera. Pede pro brasileiro! Pronto! Resolve!
    Ele vem do Brasil ensinar futebol pro seu filho e vocês se encontram—olha que bonito, tudo conectado!

    “E também… meu cachorro…”

    Ei, pera. Então o Antonio desce no aeroporto de Haneda e—

    “Ele morreu mês passado.”

    Ah. Ele tá bem atrás de você.

    “Rápido assim!?”

    Aqui é o Monte Osore. A fronteira entre este mundo e o outro. É a minha especialidade.

    “Ah… o vento no rio Sanzu…”

    Senhora, tem que voltar logo. O roteiro tá pronto. Agora não pensa em mais nada.

    “Eu… posso ficar aqui mais um pouco?”

    Por quê?

    “Meu marido foi pra Holanda treinar karatê… e nunca mais voltou.”

    (Fim)


    SENON ARCHIVE -まとめのまとめ-

    Sumário (PT-BR)
    ① Gogyouka(五行歌)
    ② Transformação a partir do corpo(caminhar / comida / caderno)
    ③ Serguei(série de diálogos)
    ④ Diálogos & comédia interior
    ⑤ Declaração / meta

    Índice (PT-BR):


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