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A mostrar mensagens de março, 2010

algo

algo denso, escuro, escorre nas paredes. acumula-se de baixo para cima, espessando as paredes que incham na direcçÃĢo uma da outra. algo crepita, vago, ao longe, uma cacofonia desencontrada, desconcertada. vai-se calando devagarinho, desaparece como aquela baforada de fumo no peso de uma manhÃĢ fria. ÃĐ a sensaçÃĢo que fica. um eco, talvez. bata-se na parede e regressarÃĄ talvez um sopro. pingado. nÃĢo vale, assim nÃĢo vale, ÃĐ preciso barulho e jÃĄ nÃĢo hÃĄ voz. desde quando ÃĐ preciso nadar para se ficar seco? e quem gostava de, uma vez, ficar quieto? uma medida. de quantos passos se faz a claustrofobia. jÃĄ se medem a dedos, nÃĢo passos. seriam polegadas, eventualmente, no sorriso irÃģnico de quem cÃĄ passa. e de quantos passos se faria o abraço. esses sÃĢo largos, com botas de sete lÃĐguas. afastam-se. pois. afastam-se e o algo escuro e denso escorre goteja agarra-se e fica. jÃĄ esse, fica. outro sorriso irÃģnico. afinal, o abraço ÃĐ a cura para a claustrofobia.