Thomas J. Dodd
Thomas J. Dodd | |
|---|---|
Dodd, c. década de 1960 | |
| Senador dos Estados Unidos por Connecticut | |
| Período | 3 de janeiro de 1959 a 3 de janeiro de 1971 |
| Antecessor(a) | William A. Purtell |
| Sucessor(a) | Lowell P. Weicker Jr. |
| Membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos por Connecticut | |
| Período | 3 de janeiro de 1953 a 3 de janeiro de 1957 |
| Antecessor(a) | John S. Monagan |
| Sucessor(a) | Edwin H. May Jr. |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Thomas Joseph Dodd |
| Nascimento | 15 de maio de 1907 Norwich, Connecticut, Estados Unidos |
| Morte | 24 de maio de 1971 (64 anos) Old Lyme, Connecticut, Estados Unidos |
| Nacionalidade | Estadunidense |
| Progenitores | Mãe: Abigail Margaret O'Sullivan Pai: Thomas Joseph Dodd |
| Alma mater | Providence College Universidade de Yale |
| Filhos(as) | 6, incluindo Christopher Dodd |
| Partido | Partido Democrata |
| Profissão | Advogado, promotor |
| Serviço militar | |
| Condecorações | Medalha da Liberdade (1946) Ordem do Leão Branco |
Thomas Joseph Dodd (15 de maio de 1907 – 24 de maio de 1971) foi um advogado e diplomata americano que atuou como senador e representante dos Estados Unidos pelo estado de Connecticut. Dodd vinha de uma família com tradição política; seu pai, Thomas Joseph Dodd, foi delegado à Convenção Nacional Democrata de 1936. Ele trabalhou com Robert H. Jackson nos julgamentos de Nuremberga, processando criminosos de guerra nazistas após a Segunda Guerra Mundial.
Dodd serviu na Câmara dos Representantes de 1953 a 1957. Ele perdeu a eleição para o Senado em 1956 para o senador incumbente Prescott S. Bush. Posteriormente derrotou o outro senador incumbente de Connecticut, William Purtell, em 1958 sendo reeleito em 1964. Em 1967, ele foi censurado no primeiro caso de ética moderno do Senado desde Joseph McCarthy.
Dodd era pai de Christopher Dodd que atuou no Senado de 1981 a 2011, e de Thomas J. Dodd Jr. que foi embaixador dos EUA de 1993 a 2001.
Vida pregressa
[editar | editar código]Dodd nasceu em Norwich, Condado de New London, Connecticut, filho de Abigail Margaret (nascida O'Sullivan) e Thomas Joseph Dodd, um empreiteiro da construção civil; todos os quatro de seus avós eram imigrantes da Irlanda. Seus avós paternos eram agricultores no vale do rio Housatonic, com grandes fazendas comerciais de folhas de tabaco localizadas próximas a Kent e New Milford.[1] Seu pai atuou como delegado na Convenção Nacional Democrata de 1936.[2]
Dodd formou-se na escola preparatória do Saint Anselm College, administrada por monges beneditinos em Goffstown, New Hampshire, em 1926.[3] Graduou-se no Providence College em 1930, com diploma em filosofia, e na Yale Law School em 1933. Em 1934, Dodd casou-se com Grace Murphy, de Westerly, Rhode Island. O casal teve seis filhos.[4]
Serviu como agente especial do Federal Bureau of Investigation em 1933 e 1934, tendo como ponto alto de sua carreira nesse órgão sua participação em uma tentativa malsucedida de capturar John Dillinger no Little Bohemia Lodge.[5] Em seguida, foi diretor da National Youth Administration em Connecticut de 1935 a 1938. Posteriormente, foi assistente de cinco sucessivos Procuradores-Gerais dos Estados Unidos (Homer Cummings, Frank Murphy, Robert Jackson, Francis Biddle e Tom Clark) de 1938 a 1945.[6]
Como agente especial do Procurador-Geral, Dodd atuou basicamente como promotor federal de primeira instância. Trabalhou principalmente em casos criminais e de liberdades civis, incluindo a acusação contra a Ku Klux Klan na década de 1930.[6] Em 1942, foi enviado a Hartford para processar um importante caso de rede de espionagem, no qual cinco homens (Anastasy Vonsiatsky, Wilhelm Kunze e outros) foram acusados de violar a Lei de Espionagem de 1917 ao conspirar para coletar e fornecer informações do Exército, da Marinha e da defesa dos Estados Unidos à Alemanha ou ao Japão. Quatro dos cinco declararam-se culpados; Dodd julgou e obteve a condenação do quinto homem, o reverendo Kurt Emil Bruno Molzahn.[7]
Dodd tornou-se vice-presidente do Conselho de Revisão e, posteriormente, advogado executivo de julgamento do Gabinete do Chefe do Conselho dos Estados Unidos para a Acusação de Crimes do Eixo em Nuremberg, Alemanha, em 1945 e 1946. Exerceu a advocacia de forma privada em Hartford, Connecticut, de 1947 a 1953.
Julgamentos de Nuremberg
[editar | editar código]Tanto o juiz da Suprema Corte Robert H. Jackson quanto Dodd insistiram na realização de um julgamento justo e legal para processar os criminosos de guerra nazistas, com o segundo aceitando o convite de Jackson para acompanhá-lo à Alemanha. Inicialmente, esperava que o cargo durasse apenas alguns meses, mas acabou permanecendo por 15 meses com Dodd sugerindo Heidelberg como local para o Tribunal Militar Internacional, por ter sobrevivido à guerra quase totalmente intacta, mas Nuremberga foi escolhida.[8] Em outubro de 1945, Jackson nomeou Dodd para seu Conselho de Julgamento Sênior nos Julgamentos de Nuremberga, e, posteriormente, em 1946, nomeou-o advogado executivo de julgamento, colocando-o na segunda posição na hierarquia dos julgamentos. No verão de 1946, Jackson designou Dodd como chefe interino do Conselho enquanto retornava a Washington, D.C. Dodd regressou definitivamente aos Estados Unidos em outubro de 1946.[6] Ele descreveu a delegação como “uma autópsia do mais horrível catálogo de crimes humanos da história”.[9]
Dodd interrogou os réus Wilhelm Keitel, Alfred Rosenberg, Hans Frank, Walther Funk, Baldur von Schirach, Fritz Sauckel e Arthur Seyss-Inquart. Além dos interrogatórios, redigiu acusações contra os réus, exibiu filmes de campos de concentração, apresentou provas dos programas de trabalho escravo e evidências dos preparativos econômicos dos nazistas para uma guerra de agressão.[6]
Por meio de suas provas, Dodd demonstrou que Erich Koch, Reichskommissar da Ucrânia, e o réu Hans Frank, Governador-Geral da Polônia, eram responsáveis pelo plano de deportar um milhão de poloneses para trabalho escravo.[10] Também apresentou evidências de que o réu Walther Funk transformou o Reichsbank em depósito para dentes de ouro e outros objetos de valor confiscados das vítimas dos campos de concentração. Dodd exibiu um filme dos cofres em Frankfurt onde tropas dos Aliados encontraram caixas contendo dentaduras, brincos, talheres de prata e candelabros.[11] Apresentou diversos itens como prova, incluindo uma cabeça humana reduzida, empalhada e preservada de uma das vítimas de campo de concentração, utilizada como peso de papel pelo comandante do Campo de concentração de Buchenwald.[12]
As alegações finais foram apresentadas em 31 de agosto de 1946, e o Tribunal anunciou seu veredicto em 1.º de outubro de 1946.[13] Dodd auxiliou a equipe de acusação aliada a obter a condenação de todos os réus, exceto três.[6] Todos, com exceção de um, declararam-se inocentes, incluindo Hermann Göring, a quem Dodd acusou de ordenar a Reinhard Heydrich que iniciasse o Holocausto.[14]
Além de processar os réus individualmente, Dodd solicitou, em suas alegações finais ao Tribunal, que as seis organizações nazistas indiciadas fossem condenadas por crimes contra a humanidade, com base nos mesmos fundamentos atribuídos aos réus individuais. Essas seis organizações eram o Corpo de Liderança do Partido Nazista, o Gabinete do Reich, a Gestapo, as Tropas de Assalto (SA), as Forças Armadas e a Guarda de Elite (SS). Dodd afirmou que tais organizações não deveriam escapar à responsabilidade sob o argumento de que eram grandes demais, parte de um partido político, entre outros.[15]
Dodd recebeu diversas condecorações em reconhecimento a seu trabalho nos Julgamentos de Nuremberg. Jackson concedeu-lhe a Medalha da Liberdade em julho de 1946, e o presidente Harry Truman outorgou-lhe o Certificado de Mérito, entregue pessoalmente por Jackson em Hartford no outono de 1946.[6] Dodd também recebeu a Ordem do Leão Branco da Tchecoslováquia.[4] Em 1949, o governo polonês pretendia agraciá-lo com a Cruz de Oficial da Ordem da Polonia Restituta, mas Dodd recusou a condecoração devido ao seu compromisso com os direitos humanos e por considerar que o governo polonês impunha uma tirania semelhante à imposta pelos nazistas, afirmando que aceitar uma honraria do presidente da Polônia seria equivalente a aceitá-la dos nazistas.[16][17]
Congresso
[editar | editar código]Dodd foi eleito para a Câmara dos Representantes em 1952 como membro do Partido Democrata e exerceu dois mandatos. Perdeu a eleição para o Senado em 1956 para Prescott S. Bush, mas foi eleito em 1958 para a outra cadeira de Connecticut no Senado e reeleito em 1964.
Antes de se tornar senador, Dodd foi contratado pelo ditador Carlos Castillo Armas para atuar como lobista da Guatemala nos Estados Unidos, por US$ 50 mil anuais.[18] Segundo o North American Congress on Latin America, Dodd “talvez tivesse o relacionamento mais próximo com o governo de Castillo Armas”.[19] Após uma breve viagem à Guatemala em 1955, o senador instou a Câmara dos Representantes a aumentar a ajuda ao país da América Central. Sua emenda foi aprovada e a Guatemala recebeu US$ 15 milhões em ajuda dos Estados Unidos em 1956.[19] Dodd não se desculpou quando foi criticado por suas atividades de lobby em favor da ditadura guatemalteca. Quando um organizador republicano o confrontou, Dodd declarou: “Sou advogado em exercício e me orgulho de que o governo anticomunista da Guatemala tenha me pedido para tratar de seus assuntos jurídicos nos Estados Unidos. Naturalmente, não representarei o governo da Guatemala nem qualquer outro cliente privado se for eleito para o Senado.”[20]
Em 1961, Dodd visitou a República do Congo para investigar a guerra civil causada pela secessão da província de Katanga. Além de seu trabalho no Congo, também iniciou o que se tornaram quase três anos de audiências intermitentes. Os resultados de três relatórios de monitoramento do conteúdo televisivo elaborados por sua equipe de comissão, em 1954, 1961 e 1964, apontaram incidentes de violência sendo a série de televisão Bus Stop a mais censurada.[21][22][23][24][25] Ele e Estes Kefauver foram os dois responsáveis por informar o público sobre os efeitos da violência em menores.[26]
Em 1964, Dodd enfrentou uma campanha de reeleição considerada dura e amarga contra o popular ex-governador John Davis Lodge, irmão mais novo do embaixador no Vietnã do Sul e ex-senador Henry Cabot Lodge Jr., que havia vencido uma série de primárias presidenciais republicanas, começando por New Hampshire naquele ano, mesmo sem fazer campanha, apoiado apenas na força do nome da família Lodge. Preocupado com esse apelo, Dodd buscou o apoio do presidente Lyndon B. Johnson. Johnson mantinha em segredo sua escolha para candidato a vice-presidente e, na quarta-feira da Convenção Nacional Democrata, antes da noite em que o nome seria anunciado, convocou tanto Dodd quanto o senador Hubert H. Humphrey, de Minnesota, escolhido por Johnson para a chapa, à Casa Branca. Embora Dodd nunca tenha sido considerado seriamente para a vice-presidência, a convocação presidencial gerou suspense e ampla cobertura da imprensa, o que ele utilizou para reforçar seu nome e histórico junto ao eleitorado. O episódio também aumentou a expectativa em torno da escolha do vice, disputada na imprensa e na opinião pública entre Humphrey e o outro senador de Minnesota, Eugene McCarthy.[27][28]
Auxiliado em parte por Johnson, que o apoiou entusiasticamente durante uma viagem de campanha por Connecticut, e beneficiado pela vitória esmagadora posterior de Johnson sobre o senador do Arizona Barry Goldwater, que conquistara a indicação presidencial do Partido Republicano ao superar o irmão de Lodge e outros republicanos do establishment, Dodd venceu John Lodge por margem de 30%, encerrando a incipiente carreira política do adversário.[29]
No outono de 1965, Dodd tentou fazer com que Martin Luther King Jr. fosse preso por violação da Logan Act de 1799, alegando que a posição pública de King contra a Guerra do Vietnã configuraria crime nos termos da lei, destinada a impedir negociações não autorizadas que prejudicasse a posição do governo.[30] Dodd também patrocinou as Emendas de Controle do Abuso de Drogas e envolveu-se em questões relativas a estimulantes não narcóticos, depressores e outras drogas psicotóxicas, como alucinógenos e psicodélicos.[31]
Na primavera de 1966, a Subcomissão do Senado sobre Delinquência Juvenil reuniu-se para discutir o “problema do LSD”, que vinha se tornando mais proeminente. Dodd manifestou-se contra o uso de drogas psicodélicas, rejeitando a ideia de que a expansão da consciência fosse um objetivo válido, afirmando tratar-se apenas de pretexto para diversão sem benefícios sérios. Propôs leis mais rigorosas para impedir que o LSD chegasse aos jovens dos Estados Unidos.[32]
Como presidente da Subcomissão do Senado sobre Delinquência Juvenil, Dodd trabalhou para restringir a compra de armas curtas por venda por correspondência e posteriormente de espingardas e rifles. Esses esforços culminaram na Lei de Controle de Armas de 1968, apresentada por Dodd, incluindo determinados requisitos de registro.[33]
Dodd desempenhou papel fundamental na proibição do LSD nos Estados Unidos ao presidir audiências de subcomissão que investigavam os efeitos da droga sobre a juventude. O psicólogo de Harvard e defensor do LSD Timothy Leary foi chamado a depor. Embora Leary defendesse a criação de um marco regulatório estrito que mantivesse o LSD legalizado, Dodd e seus colegas elaboraram a proibição posteriormente adotada. O episódio foi um dos precedentes da chamada guerra às drogas na década de 1970.[34]
Censura no Senado e perda do cargo
[editar | editar código]Em 1967, Dodd tornou-se o primeiro senador a ser censurado pelo Senado dos Estados Unidos desde Joseph McCarthy em 1954,[35] sendo um dos apenas seis senadores censurados no século XX. A censura constituiu uma condenação formal e a constatação de que ele havia transferido fundos de campanha para contas pessoais e utilizado o dinheiro para fins próprios.[36][37] Além da sanção disciplinar formal aplicada pelo Comitê de Ética do Senado, outras fontes — como o jornalista investigativo Drew Pearson e a obra Congress in Crisis, de Jack Anderson — sugerem[38] que a corrupção de Dodd teria sido mais ampla, havendo ainda acusações de alcoolismo.[38][39] Em resposta a tais acusações, o senador ajuizou ação contra Pearson, alegando que este teria interferido ilegalmente em sua propriedade privada. Embora o tribunal distrital tenha concedido decisão parcial favorável a Dodd, a corte de apelação decidiu em favor de Pearson, sob o fundamento de que não houve abuso físico da propriedade de Dodd.[40]
Na eleição para o Senado em 1970, os democratas endossaram Joseph Duffey para a vaga, que venceu a indicação nas primárias. Dodd então entrou na disputa como candidato independente, obtendo pouco menos de um quarto dos votos, em uma eleição tripla na qual tanto ele quanto Duffey foram derrotados pelo republicano Lowell Weicker. e terminou em terceiro lugar, com 266.500 votos — número que superou amplamente a margem de 86.600 votos pela qual Weicker derrotou Duffey.
Morte e legado
[editar | editar código]Meses após sua derrota, Dodd morreu de ataque cardíaco em sua residência em Old Lyme, Condado de New London, Connecticut.[41] Seu filho, Christopher Dodd, foi eleito senador por Connecticut pelo Partido Democrata na eleição de 1980.
O Thomas J. Dodd Memorial Stadium, em Norwich, foi nomeado em sua homenagem.[42]
Em 1995, foi criado o Thomas J. Dodd Research Center na Universidade de Connecticut. O centro abriga o Instituto de Direitos Humanos, os Arquivos e Coleções Especiais da Biblioteca da Universidade de Connecticut e o Centro de Estudos Judaicos da Universidade de Connecticut.[43] Os presidentes Bill Clinton e Joe Biden visitaram o Dodd Center durante seus mandatos.[44]
Em 2003, a Universidade de Connecticut instituiu o festival Thomas J. Dodd Prize in International Justice and Human Rights.[45]
O estado de New Hampshire proclamou 25 de abril de 2008 como o Dia Thomas J. Dodd; na mesma data, o New Hampshire Institute of Politics, do Saint Anselm College, renomeou seu Centro de Assuntos Internacionais como Senator Thomas J. Dodd Center for the Study of International Affairs and Law.[46] O centro busca promover a compreensão das forças que impulsionam a política e a economia política no mundo global; sensibilizar os estudantes para as culturas de outros países; e estimular o interesse pelas necessidades e problemas de outras nações.[46]
Na cultura popular
[editar | editar código]Ele foi retratado pelos seguintes atores em produções cinematográficas, televisivas e teatrais:
- Hrothgar Mathews na minissérie televisiva canadense/estadunidense de 2000 Nuremberg.
- Rupert Vansittart no docudrama televisivo britânico de 2006 Nuremberg: Nazis on Trial.
- O cantor de protesto Phil Ochs faz uma referência a Dodd na canção satírica "Draft Dodger Rag": “I believe in God and Senator Dodd and keeping old Castro down".
Referências
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Ligações externas
[editar | editar código]- Nascidos em 1907
- Mortos em 1971
- Naturais de Norwich (Connecticut)
- Anticomunistas dos Estados Unidos
- Democratas do Connecticut
- Procuradores do Tribunal Militar Internacional em Nuremberg
- Senadores dos Estados Unidos por Connecticut
- Membros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos
- Agentes do FBI
- Advogados dos Estados Unidos
- Alunos da Yale Law School
- Norte-americanos de ascendência irlandesa
- Mortes por infarto agudo do miocárdio