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Carrascalejo

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Carrascalejo
Vista de Carrascalejo, com a Serra de Altamira ao fundo
Vista de Carrascalejo, com a Serra de Altamira ao fundo
Vista de Carrascalejo, com a Serra de Altamira ao fundo
Brasão de armas de Carrascalejo
Gentílicocarrascalejano, -na
Carrascalejo está localizado em: Espanha
Carrascalejo
Localização de Carrascalejo na Espanha
Carrascalejo está localizado em: Estremadura (Espanha)
Carrascalejo
Localização de Carrascalejo na Estremadura
Coordenadas: 39° 38′ 43″ N, 5° 13′ 04″ O
PaísEspanha
Comunidade autónomaEstremadura
ProvínciaCáceres
Governo
 • AlcaideSonia Cid Jiménez (2023, PP)
Área
 • Total48,48 km²
Altitude604 m
População
 • Total (2021) [1]225 hab.
Densidade4,6 hab./km²
Código postal10331
Código do INE10048
Websitehttps://www.carrascalejo.es/

Carrascalejo é um município espanhol da província de Cáceres, na Estremadura. Possui 48,48 km² e, segundo o registo municipal de habitantes (padrón municipal), tinha 223 habitantes em 1 de janeiro de 2025.[2]

O seu único núcleo de população encontra-se aos pés da Serra de Altamira, no setor oriental da província, junto à fronteira com Toledo, numa área historicamente relacionada com La Jara e com o conjunto montanhoso de Las Villuercas. O território apresenta relevo apalachiano, com cristas quartzíticas e vales drenados para a bacia do Tejo.[3]:8; 14–23

Carrascalejo integra o Geoparque Mundial da UNESCO Villuercas-Ibores-Jara e possui 828 hectares incluídos na Rede Natura 2000.[4][5] A geologia local deu nome à chamada Série de Carrascalejo, unidade estudada na literatura científica pela presença de icnofósseis paleozoicos.[6]

Historicamente, a povoação esteve ligada à Terra de Talavera e ao Reino de Toledo. As Relações Topográficas de Filipe II oferecem, em 1576, uma descrição da aldeia, que então possuía cerca de 70 vecinos e se encontrava no caminho para Guadalupe.[7] Em 1833 foi incorporada à província de Cáceres e, em 1834, ao partido judicial de Navalmoral de la Mata.[8]:63–64[9] O município é atravessado pelo histórico Caminho Real de Guadalupe, uma das antigas rotas de peregrinação ao Mosteiro de Guadalupe.[10] Entre os seus elementos patrimoniais destacam-se a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção e o Enebro de Carrascalejo, um zimbro monumental declarado Árvore Singular da Estremadura em 2014.[11][12]

Geografia

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Localização e território

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Carrascalejo situa-se no setor oriental da província de Cáceres, junto ao limite autonómico entre a Estremadura e Castela-Mancha. O município possui 48,48 km² e código INE 10048. A povoação constitui o seu único núcleo habitado.[3]:8

O termo municipal partilha linhas de limite com Villar del Pedroso, na província de Cáceres, e Mohedas de la Jara, na província de Toledo. No extremo sul, a cartografia administrativa oficial mostra ainda um vértice comum com o termo de Alía.[13]

O núcleo urbano encontra-se a 604 metros de altitude, segundo a Agência Estatal de Meteorologia, numa vertente associada à Serra de Altamira.[14] A disposição histórica das construções acompanha o eixo viário longitudinal que atravessa a localidade, o que contribuiu para a configuração alongada do tecido urbano.[3]:52

Relevo e geologia

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O relevo é condicionado pela Serra de Altamira e pela estrutura do maciço de Las Villuercas. A maior parte do termo apresenta vertentes orientadas para norte e nordeste e combina áreas de declive suave ou moderado com setores serranos mais abruptos.[3]:14–16

Entre as cotas mais elevadas do município encontra-se o Risco Prado, com 1 056 metros.[3]:14

A paisagem integra o conhecido relevo apalachiano de Villuercas-Ibores-Jara. Nesse modelo geomorfológico, cristas resistentes de quartzito permanecem elevadas enquanto materiais relativamente menos resistentes, como ardósias e grauvaques, foram mais intensamente erodidos, formando sucessões paralelas de serras e vales.[3][4]

A erosão diferencial, a disposição estrutural das rochas e a longa evolução geomorfológica regional produziram formas de relevo características. Em setores menos elevados encontram-se depósitos de vertente e superfícies detríticas relacionadas com as chamadas rañas, feições comuns no contexto geomorfológico das Villuercas.[3]:14–23

Carrascalejo insere-se na Zona Centro-Ibérica do Maciço Ibérico. No município e no seu entorno predominam materiais pré-câmbricos e paleozoicos, acompanhados localmente por depósitos continentais mais recentes.[15]:3; 15–23[16]:3–4; 13–14

A estrutura regional é marcada por alinhamentos de direção predominante noroeste–sudeste. Entre as grandes estruturas tectonoestratigráficas do entorno figura o sinclinal do Guadarranque.[15]:3; 15–23

Os quartzitos constituem os relevos mais resistentes, enquanto ardósias, grauvaques e outros materiais favorecem a formação de vales e depressões relativas. Essa relação entre litologia e erosão é uma das bases da paisagem apalachiana reconhecida no Geoparque Mundial da UNESCO.[15]:3; 15–23[4]

Série de Carrascalejo e icnofósseis

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O topónimo municipal foi incorporado à literatura geológica por meio da chamada Série de Carrascalejo (Carrascalejo Beds), estudada particularmente no flanco nordeste do sinclinal do Guadarranque.[6]

José Francisco García-Hidalgo descreveu nessa série pistas fósseis atribuídas aos géneros Cruziana e Rusophycus. Os icnofósseis, analisados em conjunto com a estratigrafia regional, foram utilizados para discutir uma idade situada entre o Câmbrico Superior e o Tremadociano Inferior.[6]

O estudo distinguiu ainda os conglomerados basais de Villar del Pedroso dos níveis da Série de Carrascalejo.[6] A memória da folha geológica de Castañar de Ibor descreve para a sucessão de Carrascalejo uma espessura estimada de 400 a 500 metros e regista quartzitos e níveis com icnofósseis.[16]:13–14

A incorporação de Carrascalejo ao território do Geoparque Mundial UNESCO Villuercas-Ibores-Jara insere essa geologia local num conjunto regional cuja relevância internacional está associada à continuidade do registo geológico, às estruturas apalachianas e aos elementos paleontológicos.[4]

Clima e hidrografia

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O clima é mediterrânico, com seca estival. A memória técnica elaborada para o planeamento municipal estima uma temperatura média anual próxima de 15 °C e precipitação anual em torno de 558 mm.[3]:10–13 A AEMET não possui estação meteorológica no município,[14] e a memória não explicita o período normal de referência; esses valores constituem, portanto, estimativas territoriais, e não normais observadas numa estação de Carrascalejo.

Todo o termo municipal pertence à bacia do Tejo. A drenagem local está relacionada com a sub-bacia do sistema Pizarroso–Pedroso e é formada principalmente por cursos de pequena dimensão e forte sazonalidade.[3]:38

Entre os cursos de água mencionados na documentação territorial estão os arroios de La Torrecilla, Pizarroso, Borbollón e Charquillas, além do Barranco de Recuerda e do Timbornal. Muitos apresentam caudais reduzidos e forte estiagem durante o verão.[3]:38

A albufeira de Recuerda resulta de uma barragem de materiais soltos com núcleo de argila, construída no arroio homónimo. O Inventário de Presas e Albufeiras do Governo espanhol, que a identifica pelo código 3100048, atribui-lhe capacidade de 0,77 hm³.[17]

O reservatório integra o sistema de abastecimento de água de Carrascalejo e Villar del Pedroso e, em determinadas situações, de Mohedas de la Jara.[3]:77

Vegetação e conservação

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A vegetação do município integra formações mediterrânicas, bosques, matos, pastagens, zonas agrícolas e vegetação de margens fluviais. A memória ambiental municipal identifica azinheiras (Quercus ilex), sobreiros (Quercus suber), carvalhos-negral (Quercus pyrenaica) e quejigos entre os elementos arbóreos representativos do território.[3]:30

Na Serra de Altamira, os sobreirais desenvolvem-se sobretudo em setores com condições topográficas e de humidade favoráveis. Em fundos de vale e junto aos cursos de água surgem comunidades ripícolas distintas das formações mais secas das vertentes.[3]

Segundo a cartografia regional, parte do termo integra o espaço ES4320039, Sierra de las Villuercas y Valle del Guadarranque, classificado simultaneamente como Zona de Proteção Especial para as Aves (ZEPA) e Zona Especial de Conservação (ZEC) e abrangido pelo Plano de Gestão n.º 75.[18] A Junta da Estremadura contabiliza 828 hectares do município dentro da Rede Natura 2000.[5]

O município integra igualmente o Geoparque Mundial da UNESCO Villuercas-Ibores-Jara, designado em 2015 e com aproximadamente 2 544 km², situado entre as bacias do Tejo e do Guadiana. O reconhecimento internacional está fundamentado na geodiversidade, nas sequências estratigráficas, nos fósseis e nas paisagens apalachianas do conjunto regional.[4]

O Enebro de Carrascalejo integra a Rede de Espaços Naturais Protegidos da Estremadura na categoria de Árvore Singular.[12]

Os incêndios constituem um dos riscos ambientais da área serrana. Entre 2001 e 2010 ocorreram seis incêndios florestais no termo, que afetaram 767,91 hectares: 220,11 de superfície arborizada e 547,80 de superfície não arborizada.[3]:29

Em agosto de 2006, o incêndio conhecido como Puente de la Posada permaneceu ativo durante cerca de três dias e atingiu aproximadamente 3 370 hectares das províncias de Cáceres e Toledo.[3]:29

Povoamento e transportes

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O núcleo de Carrascalejo apresenta estrutura predominantemente linear. A antiga via de atravessamento funcionou como eixo de organização do casario, e o desenvolvimento posterior expandiu-se a partir dessa estrutura inicial.[3]:52

Nas construções tradicionais, particularmente nas edificações anteriores à segunda metade do século XX, predominam casas de uma ou duas plantas. A morfologia residencial esteve historicamente associada às atividades agrícolas e pecuárias, com pátios, currais e espaços auxiliares na parte posterior das parcelas.[3]:52

Entre os elementos descritos na arquitetura vernácula encontram-se portais, vãos e lintéis de granito.[3]:52 A base estatal de planeamento urbanístico, atualizada em maio de 2026, continua a registar para Carrascalejo a Delimitação de Solo de 1986.[19] A memória informativa utilizada neste artigo pertence a um processo posterior de elaboração de Plano Geral Municipal e não deve ser confundida com o instrumento então vigente.

A principal ligação rodoviária é a estrada provincial CC-432, com 49,07 km entre a EX-387 e a EX-118 por Villar del Pedroso, Carrascalejo e Navatrasierra.[20]:17325–17326

Nenhuma linha ferroviária atravessa o município. A documentação de planeamento identifica uma extensa rede de caminhos rurais, não regista vías pecuarias classificadas e assinala o Caminho Real de Guadalupe como itinerário histórico.[3]:89–90

O consultório local integra a área de saúde de Navalmoral de la Mata e está vinculado ao centro de saúde e ao ponto de atendimento continuado de Villar del Pedroso; o hospital de referência é o Hospital Campo Arañuelo.[21] A escola pública local é uma unidade do Colégio Rural Agrupado La Jara, cuja sede fica em Villar del Pedroso.[22]

História

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Antiguidade e formação medieval

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O repertório Hispania Epigraphica Online regista uma estela funerária romana de granito encontrada na propriedade Holmazos, no lugar de Navalgallo.[23]

A inscrição recorda Boutia, filha de Boutius; Dovilo, filho de Eblus e identificado como seu marido, mandou fazer o monumento às suas expensas. A peça possui remate semicircular.[23]

A formação medieval de Carrascalejo insere-se na reorganização cristã dos espaços situados entre as bacias médias do Tejo e do Guadiana. Alfonso Domínguez de la Concha relaciona o surgimento de Carrascalejo e Mohedas com grupos de colmeneiros e pastores e caracteriza a ocupação inicial como instável.[24]:60

A investigação situa Carrascalejo na Dehesa del Pedroso, vinculada ao concelho de Talavera. Em 1249, Fernando III de Castela autorizou Talavera a promover o povoamento e o cultivo do Pedroso, área em que a historiografia enquadra a posterior formação de Carrascalejo.[24]:71

Em 25 de junho de 1369, Henrique II de Castela entregou ao arcebispo Gómez Manrique e à sé de Toledo a vila de Talavera com as suas aldeias e termos, numa permuta pela vila de Alcaraz; a Coroa reservou para si determinados tributos e direitos.[25]:77–78; 84–89

Idade Moderna

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As respostas locais às Relações Topográficas de Filipe II, prestadas em março de 1576, descrevem uma aldeia dependente de Talavera e pertencente ao Reino e ao arcebispado de Toledo.[7] O historiador Luis Arias González salienta o valor dessas relações para o estudo da visão popular do passado, mas adverte que a edição resumida por Juan Ortega Rubio é parcial e pode conter erros.[26]

Os declarantes transmitiram uma tradição segundo a qual o povoado teria surgido junto de um colmeal cercado por carrascos; a fonte regista, portanto, uma explicação local do século XVI, não uma data documental de fundação.[7]

Segundo as respostas, Carrascalejo encontrava-se a cerca de nove léguas de Talavera e 21 de Toledo. O território era montanhoso, com abundância de lenha e caça, pouca terra de lavoura e criação de ovinos, caprinos, suínos e algum gado bovino.[7]

A aldeia possuía aproximadamente 70 vecinos, contagem de moradores titulares de fogo que não corresponde ao total de habitantes. A administração local incluía um alcaide, um alguazil, um mordomo nomeado pelo corregedor de Talavera e um escrivão; a comunidade dispunha de igreja, ejido (terreno comunal) e dehesa boyal (pastagem comunal destinada ao gado de trabalho).[7]

A maior parte das casas era descrita como coberta de palha, enquanto outras utilizavam terra e telha. As respostas mencionam ainda o Puerto de Arrebatacapas, situado aproximadamente a meia légua da aldeia, como passagem do caminho para Guadalupe.[7]

A igreja existente em 1576 não pode ser automaticamente identificada com o edifício paroquial atual. Os informantes afirmavam que o templo então existente teria sido construído cerca de 35 anos antes, enquanto fontes patrimoniais posteriores situam o edifício atual entre os séculos XVII e XVIII.[7][11]

Durante a Época Moderna, Carrascalejo continuou incluído na Terra de Talavera e na antiga província de Toledo.[25][27]

O Vecindario de 1646 registou 43 vecinos em Carrascalejo e dez em Torrelamora. A contagem incluía, nas categorias próprias da fonte, viúvas e menores; os números não correspondem diretamente ao total de habitantes.[28]

Torlamora

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O atual termo de Carrascalejo incorpora o território de Torlamora ou Torrelamora, antigo núcleo de população hoje desaparecido. As ruínas localizam-se cerca de três quilómetros a sudoeste da vila, junto ao caminho que liga Carrascalejo a Mohedas de la Jara e próximo do limite atual entre Cáceres e Toledo.[29]

Em 1697, o alcaide de Torlamora formalizou o arrendamento temporário da dehesa e do ejido, preservando direitos de aproveitamento de lenha e pastagem para os moradores.[29]

O Catastro de Ensenada, elaborado em dezembro de 1752, registou em Torlamora doze vecinos e doze casas habitáveis, além de quatro inabitáveis, duas delas já em ruínas.[29]

A documentação descreve uma dehesa com azinheiras e matagal e menciona um escrivão, um sacristão e um cirurgião. Torlamora já não possuía sacerdote residente e a assistência religiosa era prestada pelo cura de Carrascalejo.[29]

Uma Real Provisão de 1 de julho de 1794 ordenou a recolha de informações sobre o pedido do concelho e dos moradores de Carrascalejo para incorporar a dehesa e os terrenos comunais de Torlamora. Em janeiro de 1795, o lugar aparecia sem população, com a igreja e as casas em ruínas e os antigos habitantes transferidos para Carrascalejo; a decisão final do Conselho de Castela não consta do conjunto documental divulgado pelo arquivo.[29]

Em 1786, Carrascalejo foi atingido pela epidemia de terçãs febres intermitentes geralmente associadas ao paludismo — da antiga província de Toledo.[27]

A tabela do estudo atribui à povoação 583 habitantes em 1787 e regista 150 enfermos em 1786, sem óbitos palúdicos indicados; também a enquadra no partido de Talavera.[27]

Século XIX

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Carrascalejo continuou ligado à antiga estrutura de Talavera até às reformas liberais. Na divisão provincial de 1822 ainda não integrava Cáceres; com a reorganização de 1833, passou para essa província.[8]:60–64 Em 1834 foi incluído no partido judicial de Navalmoral de la Mata.[9]:50–51

O censo de 1842 contabilizou 931 habitantes de direito e 170 fogos ou lares, iniciando a série histórica municipal disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estadística.[30]

Em 1846, Pascual Madoz descreveu Carrascalejo com cerca de 150 casas, câmara municipal, escola frequentada por 80 crianças, igreja paroquial da Assunção e três fontes. Registou ainda o despovoado de Torrelamora, produção de cereais, azeitona, bolota e fruta, criação de gado, dois lagares de azeite e dois moinhos movidos pela água das chuvas; indicou 170 vecinos e 931 almas.[31]

Séculos XX e XXI

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Nas primeiras décadas do século XX, Carrascalejo apresentou crescimento demográfico. O máximo da série censitária foi alcançado em 1950, com 1 469 habitantes de direito.[30]

Guerra Civil Espanhola

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A Biblioteca Nacional de Espanha conserva uma fotografia intitulada Estado en que quedó el pueblo de Carrascalejo, datada de 11 de abril de 1938, que documenta os danos físicos sofridos pela povoação durante a Guerra Civil Espanhola.[32]

A Serra de Altamira e os seus passos montanhosos possuíam importância militar. Um estudo de arqueologia do conflito sobre estruturas defensivas da serra destaca a posição estratégica dos portos que atravessavam a cadeia, incluindo o Puerto de Arrebatacapas, na área de Carrascalejo.[33]

O historiador Hugo García Fernández analisou a circulação internacional de relatos sobre Carrascalejo no contexto da propaganda de atrocidades da guerra.[34]:690

García Fernández cita documentação do Foreign Office britânico e o folheto contemporâneo The Nine-Hour Agony in the Village of Carrascalejo, publicado em maio de 1938. O autor enquadra o episódio na crescente cautela britânica perante as acusações difundidas pelos dois campos.[34]:690

O Arquivo Municipal de Carrascalejo foi incendiado durante o conflito e conserva pouca documentação anterior a 1939.[35]

Depois de 1950, Carrascalejo iniciou uma prolongada redução populacional: o censo de 2021 registou 225 residentes.[30] A documentação técnica municipal relaciona a baixa densidade com o envelhecimento e a reduzida renovação geracional.[3]:58

Demografia

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O Instituto Nacional de Estadística mantém a série censitária de Carrascalejo desde 1842. A comparação exige cautela porque os censos espanhóis utilizaram, ao longo do tempo, conceitos diferentes de população de facto, população de direito e população residente.[30]

População de Carrascalejo nos censos históricos
Censo População de facto População de direito / residente Fogos ou lares
1842 — 931 170
1857 1 035 — 258
1860 973 — 252
1877 965 1 049 259
1887 1 079 1 079 293
1897 1 004 1 048 264
1900 977 1 007 261
1910 993 1 016 271
1920 1 096 1 131 283
1930 1 246 1 225 320
1940 1 162 1 274 259
1950 1 372 1 469 365
1960 1 296 1 302 313
1970 940 952 255
1981 582 623 206
1991 433 495 189
2001 — 398 167
2011 — 313 145
2021 — 225 118

Fonte: Instituto Nacional de Estadística.[30]

O máximo censitário da população de direito ocorreu em 1950, com 1 469 habitantes; em 2021, o censo registou 225 residentes.[30]

Segundo o padrón municipal do INE, Carrascalejo tinha 223 habitantes em 1 de janeiro de 2025, dos quais 105 homens e 118 mulheres.[2]

Em 2023, a idade média era de 65,6 anos, a mais elevada entre os municípios da província de Cáceres.[36]:1; 3 Em 2024, o Instituto de Estatística da Estremadura calculou 151,2 pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 residentes de 16 a 64 anos, ante 34,9 no conjunto da comunidade autónoma.[37]

Evolução demográfica recente de Carrascalejo segundo o padrón municipal do INE.

A economia tradicional de Carrascalejo esteve vinculada à agricultura, à pecuária, à exploração de pastagens e à apicultura. Essa estrutura já aparece nas Relações Topográficas do século XVI, que mencionam pouca terra de lavoura e criação de ovinos, caprinos, suínos e algum gado bovino.[7]

O Censo Agrário de 2020 registou 73 explorações com superfície agrícola utilizada (SAU) e 1 644,47 hectares de SAU. Desse total, 881,14 hectares correspondiam a terras aráveis, 659,13 a pastagens permanentes, 103,93 a culturas lenhosas e 0,27 a hortas para consumo próprio.[38]

Na pecuária, o mesmo censo contabilizou 217 bovinos em três explorações e 3 478 ovinos e caprinos em 21 explorações. Os valores municipais relativos a suínos e aves aparecem como indisponíveis ou sujeitos a segredo estatístico, e não como zero.[39]

Património e cultura

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Caminho Real de Guadalupe

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Carrascalejo é um dos pontos históricos do Caminho Real de Guadalupe, rota de peregrinação e deslocação em direção ao Mosteiro de Guadalupe. No traçado atualmente documentado, aparece no itinerário que parte de Puente del Arzobispo, passa por Villar del Pedroso e prossegue para Navatrasierra e Guadalupe.[10]

Em 1576, as Relações Topográficas mencionavam o Puerto de Arrebatacapas como passagem do caminho de Guadalupe, a cerca de meia légua da aldeia.[7]

O atual termo municipal possuía também as chamadas Ventas de San Miguel, estabelecimentos de apoio a viajantes situados antes da subida para os passos serranos.[40]

Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção

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Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção.

A Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção (Nuestra Señora de la Asunción) foi construída entre os séculos XVII e XVIII.[11]

Os informantes das Relações Topográficas de 1576 afirmaram que a igreja então existente fora construída cerca de 35 anos antes, documentando um templo anterior ao edifício atual.[7]

O edifício conserva uma pia batismal datada de finais do século XVII.[11]

A paróquia pertence à Vigairaria de Talavera de la Reina e ao Arciprestado de Guadalupe da Arquidiocese de Toledo.[41]

Enebro de Carrascalejo

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O Enebro de Carrascalejo é um exemplar de Juniperus oxycedrus declarado Árvore Singular da Estremadura pelo Decreto 63/2014, de 29 de abril.[12]

A norma de proteção descreve-o como um dos maiores exemplares conhecidos da espécie na Estremadura e na Península Ibérica. No momento da declaração media cerca de nove metros de altura, 2,05 metros de perímetro de tronco a 1,30 metro do solo e 10,30 metros de diâmetro de copa.[12]

Festas e tradições

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São Mateus é o padroeiro de Carrascalejo. As festas patronais realizam-se em setembro e concentram os principais atos em torno de 21 de setembro, data litúrgica do santo.[11]

Entre os rituais documentados encontram-se o petitorio de oferendas, a missa estremenha, a procissão, o ofertório, a puja de andas licitação pelo privilégio de transportar o andor e o leilão das ofertas recolhidas.[11]

Em 3 de fevereiro celebra-se também São Brás, com uma saída ao campo acompanhada pelo consumo comunitário de tortilha de batata.[11]

Símbolos

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O escudo heráldico municipal foi aprovado pela Ordem de 10 de janeiro de 1990 da Consejería de Presidencia y Trabajo da Junta da Estremadura e publicado no Diario Oficial de Extremadura de 18 de janeiro de 1990.[42]

O processo havia sido aprovado pelo plenário municipal em sessão de 6 de junho de 1989. O expediente recebeu parecer favorável da Real Academia de la Historia em 11 de dezembro do mesmo ano.[42]

A descrição oficial estabelece um escudo partido e meio cortado. No primeiro campo, de goles, figura uma torre de ouro aclarada de azul, de cujo torreão emerge o busto de uma mulher vestida; no segundo, de ouro, surge uma azinheira arrancada em sua cor; no terceiro, de sinople, uma colmeia de ouro. O conjunto é timbrado por Coroa Real fechada.[42]

Administração

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A administração local é exercida pela Câmara Municipal (Ayuntamiento) de Carrascalejo. Na legislatura iniciada em 2023, Sonia Cid Jiménez, do Partido Popular, ocupa a presidência da câmara; a corporação municipal é composta por quatro representantes do PP e um do Ciudadanos.[43]

Nas eleições municipais de 28 de maio de 2023, o PP obteve 93 votos e quatro lugares, o Ciudadanos 15 votos e um lugar, e o PSOE oito votos e nenhum lugar.[44]

Carrascalejo pertence à Mancomunidad Integral de Villuercas-Ibores-Jara.[45] Nos estatutos dessa entidade, o município integra o Conselho Territorial de La Jara.[46]

Referências

  1. ↑ «Cifras oficiales de población resultantes de la revisión del Padrón municipal a 1 de enero» (ZIP). www.ine.es (em espanhol). Instituto Nacional de Estatística de Espanha. Consultado em 19 de abril de 2022
  2. 1 2 Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "pop2025"
  3. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 INCOAR Servicios Técnicos S.L. «Documento I. Memoria Informativa. Plan General Municipal de Carrascalejo» (PDF) (em espanhol). Ayuntamiento de Carrascalejo. Consultado em 24 de agosto de 2026
  4. 1 2 3 4 5 «Villuercas-Ibores-Jara UNESCO Global Geopark» (em inglês). UNESCO. Consultado em 24 de agosto de 2026
  5. 1 2 «Superficie de Red Natura 2000 por términos municipales» (em espanhol). Junta de Extremadura. Consultado em 24 de agosto de 2026
  6. 1 2 3 4 García-Hidalgo, José Francisco (1992). «Pistas fósiles en la «Serie de Carrascalejo»: implicaciones cronoestratigráficas» (PDF). Geogaceta (em espanhol) (13): 36–38. ISSN 0213-683X
  7. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Ortega Rubio, Juan (1918). Relaciones topográficas de los pueblos de España (em espanhol). Madrid: Sociedad Española de Artes Gráficas. pp. 185–186. Consultado em 24 de agosto de 2026
  8. 1 2 Martínez Díez, Gonzalo (1983). «Extremadura: origen del nombre y formación de las dos provincias» (PDF). Anuario de la Facultad de Derecho (em espanhol) (2): 59–119
  9. 1 2 Subdivisión en partidos judiciales de la nueva división territorial de la Península e islas adyacentes (em espanhol). Madrid: Imprenta Real. 1834. pp. 50–51. Consultado em 25 de agosto de 2026
  10. 1 2 «Camino Real de Guadalupe» (PDF) (em espanhol). Oficina de Turismo de Guadalupe. Consultado em 24 de agosto de 2026
  11. 1 2 3 4 5 6 7 «Fiestas de San Mateo en Carrascalejo» (PDF). Guía del Patrimonio Cultural Inmaterial de Extremadura (em espanhol). Geoparque Mundial UNESCO Villuercas-Ibores-Jara. pp. 93–94. Consultado em 24 de agosto de 2026
  12. 1 2 3 4 «Decreto 63/2014, de 29 de abril, por el que se declaran 17 nuevos Árboles Singulares en la Comunidad Autónoma de Extremadura» (PDF). Diario Oficial de Extremadura (em espanhol). Junta de Extremadura. 6 de maio de 2014. Consultado em 24 de agosto de 2026
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Ligações externas

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