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Cabar

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Cabar (frequentemente documentado sob as formas compostas Cabar-Sul ou Dea Cabar) é uma divindade indígena pertencente ao panteão galaico-lusitano e hispano-celta pré-romano[1]. Cultuada no noroeste da Península Ibérica durante o período de romanização, a divindade manifesta um caráter polivalente, alternando entre atributos de cariz solar, termal e medicinal e funções ligadas à aristocracia militar e à soberania regional[2][3].

Evidência Epigráfica

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A existência histórica do culto a Cabar assenta no registo arqueológico de inscrições votivas gravadas em aras e monumentos de pedra recuperados na antiga província da Lusitânia e em territórios vizinhos da Gallaecia[4].

Um dos testemunhos materiais mais célebres foi erguido por um oficial do exército romano, o imaginifer (porta-estandarte com a efígie do imperador) da Cohors IIII Gallorum, chamado Sulpícius Avitus[4]. O monumento exibe a dedicatória latina integral direcionada à divindade local:[5]

DEAE CABAR
SVLPICIVS AAVITVS
V(OTUM) S(OLVIT) L(IBENS) M(ERITO)

Análise Linguística e Atribuições

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O Complexo Cabar-Sul e Sulis

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Muitas das correntes de mitologia comparada contemporânea analisam o teónimo através da sua variante composta Cabar-Sul[3]. Historiadores e filólogos estabelecem uma correlação direta entre o elemento -Sul e a deusa pan-céltica britânica Sulis (venerada no famoso complexo termal de Aquae Sulis, atual Bath, no Reino Unido)[6].

Sob esta perspetiva, Cabar operava como uma divindade ligada às águas termais e curativas que brotavam das entranhas da terra, fundindo o poder ctónico do submundo com as qualidades medicinais da superfície. O seu forte caráter ambíguo ou andrógino (sendo descrita umas vezes como entidade masculina e outras como feminina) levou a que os romanos a sincretizassem com o deus Apolo (na sua vertente de Apolo Borvo, protetor das fontes térmicas) ou com a deusa Minerva (Minerva Cabardiacensis), justificando o culto por parte de militares de alta patente[3][5].

Onomástica e Antroponímia Regional

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O radical Cabar- ou Cabru- exibe uma forte implantação na área linguística celta e indo-europeia da Península Ibérica. O étimo encontra-se documentado na forma de genitivos de plural e antropónimos (nomes de pessoas) registados no interior do território, tais como os clãs Caburateicum, Caburicum e Caburonicum em Ávila, além de derivar no teónimo galaico dos Bracari conhecido como Cabuniaegenis[7]. Esta ligação onomástica reforça a teoria de que Cabar atuava simultaneamente como uma divindade de soberania, protegendo a elite e os chefes das aristocracias locais que lideravam os Castros tribais[2].

Ver também

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Referências

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  1. VASCONCELOS, José Leite de (1905). Religiões da Lusitânia. Volume II. Lisboa: Imprensa Nacional. p. 317-318.
  2. 1 2 Teixeira, Monteiro (2014). Cultos e Deuses da Lusitânia Pré-Romana. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
  3. 1 2 3 "Cabar-Sul: Un dios solar de los lusitanos". In: RedHistoria: Lista de divinidades de Hispania (2018).
  4. 1 2 "El altar levantado por el imaginifer de la cohors IIII Gallorum a una deae Cabar". In: Soldados y territorio en la Hispania Citerior Altoimperial / UAB (2018). p. 415.
  5. 1 2 "Estudos de Toponimia Galega: DEAE CABAR / SVL(picius) AVICTVS...". Scribd / Deputación da Coruña. p. 114.
  6. "Cabar sul, que era una deidad solar y además de las aguas termales". In: Celts of Iberia Folklore / Heyzine (2022). p. 34.
  7. "Cabar- surge também nos genitivos de plural Caburateiq(um) e no teónimo indígena Cabuniaeginus". In: Epigrafia romana na região de Bragança / Coimbra (2001). p. 125.