Pessoas queridas, há dois anos não sabemos o que são férias em família por aqui. Eu e Léo até viajamos, mas meu marido trabalhou arduamente nesses últimos 24 meses. Pois chegou nossa hora de sair à toa, por aí, sem rumo, planejando sem planejar, deixando o vento, a chuva e o sol nos levarem. Sinto ter que deixar meu blog pela primeira vez, por tanto tempo... Um mês! Mas, estamos precisando e só com o que escrevi na primeira frase acho que já me justifiquei. Certo? Quem é mãe sabe a que me refiro, e como todas as leitoras deste espaço devem ser, imagino estar perdoada.
Gostaria de agradecer pelo carinho e visitas que tive todo esse tempo (quase um ano). Quem ler meu primeiro post, armazenado no arquivo não muito extenso que possuo, saberá que, para mim, abrir este blog foi uma iniciativa corajosa. Que demorei para decidir algo tão simples... Talvez porque não seja assim tão simples...
Ainda não estabeleci uma super rotina de post, até porque quem me acompanha sabe que rotina eu tenho, mas que não é fácil. Assim como todas vocês, tenho que cuidar de tanta coisa ao mesmo tempo! Mas, tenho me dedicado cada vez mais a este espaço virtual que traz muita coisa real. Gosto dele como jornalista. Gosto muito como mãe. O resultado disso é que em outubro, na volta do meu merecido e desejado descanso, tenho novidades...
Por enquanto, tudo que tenho a dizer é que espero reencontrar todas vocês daqui pouco mais de 30 dias! Se eu puder, postarei algo antes disso. Agora, deixo aqui três frases que me divertiram nestes últimos dias. Uma maneira de dar um abraço ok?
- Léo, no carro, depois de assistir Shrek, é questionado pelo pai sobre os personagens do desenho e responde: "Tem o Shrek e a Shreka".
- Minutos depois, eu e o pai dele entramos em um embate sobre times. Eu, palmeirense, pergunto ao Léo para que time ele torce e ele responde "Palmeiras". O pai, Sãopaulino, diz que torce para o São Paulo. Eu reafirmo para meu pequeno que torço para o Palmeiras. O pai então pergunta: "Para qual time VOCÊ torce filho?". Ele, todo simpático, indeciso ou coisa assim, responde: "Sãaaomeiras"
- Estávamos no centro da cidade andando atrás de coisas que estavam faltando em casa. Voltamos para o carro e o automóvel estava aquele forno. Léo olha para mim e diz: "Mãe, acho que o sol esquentou nosso carro!"
Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
O lugar da tia ou o da mãe?
Uma mulher de 35 anos. Perto dela, duas meninas brincando, uma de sete e outra de quase três. Não demora muito e a mulher chama a atenção das pequenas, sempre com carinho. "Bel, não pega o jornal", "Bruna, ajuda sua irmã". As três estavam em um hotel, passando cinco dias de descanso junto a um homem de trinta e poucos. Cena normal e corriqueira para uma família de pai, mãe e filhas. O detalhe é que não eram pai, mãe e filhas, e sim tio, tia e sobrinhas.
Quando a super tia me contou eu quase não acreditei. Ela dispensava muito amor e atenção às espuletinhas. Ela é irmã do pai, o marido é o cunhado que topou ter os dias ao lado da esposa conturbados por rotina de criança, troca de fraldas e manhas à mesa. Até aí, consegui compreender, afinal eram só uns dias e é tão gostoso curtir sobrinhos... Porém, fiquei sabendo que toda essa proximidade entre eles é comum. A tia leva a garota mais velha para viajar e dormir com ela desde quando a pequena tinha apenas um aninho. A mais nova entrou no ritmo e adora a tia. Não é raro a mais velha dizer que quer ir morar com a tia ou a mais nova chorar quando vai para casa. As duas ficam todos os dias com a titia, a partir das dez horas da manhã até começo da noite. A tia leva a mais velha à escola à tarde e a mais nova a acompanha ao médico, no banco, nas horas em home office...
A essa altura da história eu estava me perguntando o mesmo que você deve estar se perguntando. "E a mãe delas, onde está?". Foi o que deixei escapar em voz alta para essa mulher que eu mal conhecia e que mais me parecia uma santa, ou uma sequestradora de filhas dos outros.
- "A mãe trabalha", ela respondeu.
- "Ela deve morrer de ciúmes de você não?"
- "A verdade é que ela não liga muito para as meninas. Só começou a trabalhar há pouco tempo, mas antes mesmo já não dava atenção. Deixava as duas trancadas no quarto, com fralda cheia, enquanto ela ficava trancada no outro."
Meu DEUS. Até então, eu achei mesmo que podia ser apenas um caso de uma mãe que precisa trabalhar e não tem opção a não ser deixar as filhas com a tia. Mas, depois, fui descobrindo que essa mãe mal dá comida para as filhas, que prefere nem tentar tirar a fralda da mais nova (ainda fraldada) porque assim é "mais fácil". Quando bate ciúmes da tia, tranca as meninas em casa e não deixa ninguém ver.
A tia das crianças me contou que a mãe havia tido um péssimo relacionamento com a própria mãe e que isso talvez explique tudo, embora a tia mesmo tenha dito que não entende nada... Também relatou que a figura materna em questão tem fases de depressão e que toda a família já tentou ajudar, inclusive levando a psicólogo. Mas, segundo suas palavras: "Junta má vontade, com preguiça com doença". Por isso, a tia e a avó das crianças acharam ótimo quando a mãe arrumou emprego. Pelo menos, assim, essas duas criaturas inocentes podem ficar menos tempo em casa com quem não dá a mínima para elas. Pelo menos assim, elas têm atenção.
Foi dessa forma que a tia disse ao irmão que poderia deixar as duas com ela. Tomou as responsabilidades para si e vive uma verdadeira rotina materna. O irmão, o pai, finge que não vê. Ela vê muita coisa e, por isso, preferiu que a mais nova nem fosse para a creche ainda... Foi ela quem tirou a fralda da mais velha, ela quem se preocupa em desfraldar a mais nova. Ela coloca horários. "Na casa delas, não tem hora para comer, para dormir...". E ela assume: "Como participamos muito, acabamos interferindo na educação". Mas teria como ser diferente? Deveria ser diferente?
Eu lhe dei os parabéns e fiquei imaginando o quão difícil é para ela. Afinal, se para nós mães o dia a dia já é puxado, com minutos em que a paciência vai lá para longe, imagina para uma mulher que não pediu para ter duas pimentinhas junto a ela. Mas, ela me garantiu que tem paciência sim, e que leva tudo numa boa. Me contou ainda que compra roupas e brinquedos para as duas, já que percebe que sempre falta alguma coisa. "Meu marido fica com pena. E ele adora a mais velha", disse, justificando que ele não tem muito jeito com a caçula, mas que se esforça. Como se tivesse que justificar alguma coisa...
A tia tenta engravidar há uns bons anos e, mesmo com tratamento, não consegue. O médico, na última consulta, lhe disse que agora engravida, já que tem duas crianças para se preocupar. No último ano, a tia teve depressão por causa do sonho ainda não concretizado. Na época, a sobrinha mais velha disse à mãe, e pelo visto na frente de alguém:
- "Por que você não troca com a tia? Ela tem casa, carro e tudo o que você quer. E ela só quer o que você tem: filhos".
* Os nomes das meninas foram trocados.
* Os diálogos foram reproduzidos de forma editada
Quando a super tia me contou eu quase não acreditei. Ela dispensava muito amor e atenção às espuletinhas. Ela é irmã do pai, o marido é o cunhado que topou ter os dias ao lado da esposa conturbados por rotina de criança, troca de fraldas e manhas à mesa. Até aí, consegui compreender, afinal eram só uns dias e é tão gostoso curtir sobrinhos... Porém, fiquei sabendo que toda essa proximidade entre eles é comum. A tia leva a garota mais velha para viajar e dormir com ela desde quando a pequena tinha apenas um aninho. A mais nova entrou no ritmo e adora a tia. Não é raro a mais velha dizer que quer ir morar com a tia ou a mais nova chorar quando vai para casa. As duas ficam todos os dias com a titia, a partir das dez horas da manhã até começo da noite. A tia leva a mais velha à escola à tarde e a mais nova a acompanha ao médico, no banco, nas horas em home office...
A essa altura da história eu estava me perguntando o mesmo que você deve estar se perguntando. "E a mãe delas, onde está?". Foi o que deixei escapar em voz alta para essa mulher que eu mal conhecia e que mais me parecia uma santa, ou uma sequestradora de filhas dos outros.
- "A mãe trabalha", ela respondeu.
- "Ela deve morrer de ciúmes de você não?"
- "A verdade é que ela não liga muito para as meninas. Só começou a trabalhar há pouco tempo, mas antes mesmo já não dava atenção. Deixava as duas trancadas no quarto, com fralda cheia, enquanto ela ficava trancada no outro."
Meu DEUS. Até então, eu achei mesmo que podia ser apenas um caso de uma mãe que precisa trabalhar e não tem opção a não ser deixar as filhas com a tia. Mas, depois, fui descobrindo que essa mãe mal dá comida para as filhas, que prefere nem tentar tirar a fralda da mais nova (ainda fraldada) porque assim é "mais fácil". Quando bate ciúmes da tia, tranca as meninas em casa e não deixa ninguém ver.
A tia das crianças me contou que a mãe havia tido um péssimo relacionamento com a própria mãe e que isso talvez explique tudo, embora a tia mesmo tenha dito que não entende nada... Também relatou que a figura materna em questão tem fases de depressão e que toda a família já tentou ajudar, inclusive levando a psicólogo. Mas, segundo suas palavras: "Junta má vontade, com preguiça com doença". Por isso, a tia e a avó das crianças acharam ótimo quando a mãe arrumou emprego. Pelo menos, assim, essas duas criaturas inocentes podem ficar menos tempo em casa com quem não dá a mínima para elas. Pelo menos assim, elas têm atenção.
Foi dessa forma que a tia disse ao irmão que poderia deixar as duas com ela. Tomou as responsabilidades para si e vive uma verdadeira rotina materna. O irmão, o pai, finge que não vê. Ela vê muita coisa e, por isso, preferiu que a mais nova nem fosse para a creche ainda... Foi ela quem tirou a fralda da mais velha, ela quem se preocupa em desfraldar a mais nova. Ela coloca horários. "Na casa delas, não tem hora para comer, para dormir...". E ela assume: "Como participamos muito, acabamos interferindo na educação". Mas teria como ser diferente? Deveria ser diferente?
Eu lhe dei os parabéns e fiquei imaginando o quão difícil é para ela. Afinal, se para nós mães o dia a dia já é puxado, com minutos em que a paciência vai lá para longe, imagina para uma mulher que não pediu para ter duas pimentinhas junto a ela. Mas, ela me garantiu que tem paciência sim, e que leva tudo numa boa. Me contou ainda que compra roupas e brinquedos para as duas, já que percebe que sempre falta alguma coisa. "Meu marido fica com pena. E ele adora a mais velha", disse, justificando que ele não tem muito jeito com a caçula, mas que se esforça. Como se tivesse que justificar alguma coisa...
A tia tenta engravidar há uns bons anos e, mesmo com tratamento, não consegue. O médico, na última consulta, lhe disse que agora engravida, já que tem duas crianças para se preocupar. No último ano, a tia teve depressão por causa do sonho ainda não concretizado. Na época, a sobrinha mais velha disse à mãe, e pelo visto na frente de alguém:
- "Por que você não troca com a tia? Ela tem casa, carro e tudo o que você quer. E ela só quer o que você tem: filhos".
* Os nomes das meninas foram trocados.
* Os diálogos foram reproduzidos de forma editada
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Dúvidas da maternidade real
No último post falei sobre a ajudinha extra que algumas mães reais precisam ter em casa. Eu tenho uma certa ajuda há apenas um mês e já repenso tanta coisa... Veja apenas algumas a seguir:
- Por que eu não solicitei o tal reforço antes?
- Por que é difícil encontrar pessoas competentes para ajudar?
- Por que é tão difícil dar conta de tudo sozinha?
- Por que demoramos para assumir que dar conta de tudo sozinha, nos dias de hoje, é mesmo impossível?
- Por que ninguém me contou que desde sempre é difícil fazer isso?
- Por que as ajudantes faltam?
- Por que nós nunca podemos nos acostumar com elas, nos acomodar ou coisa assim?
- Por que elas não são exatamente como queríamos?
- Por que quem cuida bem de criança não faz bem o que é da casa e vice-versa?
- Por que nós temos que fazer muito bem tudo???
- Por que escolher ser mãe em tempo integral vira sinônimo de ser também dona de casa?
- Por que algumas mulheres resistem tanto a ter uma empregada doméstica quando não estão trabalhando fora, mesmo trabalhando muito dentro de casa?
- Por que empregadas e babás só são bem vindas ou aceitas por nós e pela sociedade quando trabalhamos profissionalmente?
- Por que nos países mais desenvolvidos, as tarefas do lar são bem mais práticas e menos exigidas?
- Por que sentir culpa quando tem sono ou vontade de uma horinha só para você?
- Por que é tão complicado encontrar um tempo para cuidar do próprio corpo depois da gravidez, mesmo sabendo que é importante?
- Por que, depois de todo o circo feminista, nós ainda nos sentimos responsáveis por tudo relativo à casa e aos filhos?
- Por que, mesmo respondendo a todas essas perguntas, eu e outras mães ainda não sabemos o que fazer para organizar nossa rotina??? Ou, porque sabemos, e ainda assim não resolvemos o problema?
- Por que eu não solicitei o tal reforço antes?
- Por que é difícil encontrar pessoas competentes para ajudar?
- Por que é tão difícil dar conta de tudo sozinha?
- Por que demoramos para assumir que dar conta de tudo sozinha, nos dias de hoje, é mesmo impossível?
- Por que ninguém me contou que desde sempre é difícil fazer isso?
- Por que as ajudantes faltam?
- Por que nós nunca podemos nos acostumar com elas, nos acomodar ou coisa assim?
- Por que elas não são exatamente como queríamos?
- Por que quem cuida bem de criança não faz bem o que é da casa e vice-versa?
- Por que nós temos que fazer muito bem tudo???
- Por que escolher ser mãe em tempo integral vira sinônimo de ser também dona de casa?
- Por que algumas mulheres resistem tanto a ter uma empregada doméstica quando não estão trabalhando fora, mesmo trabalhando muito dentro de casa?
- Por que empregadas e babás só são bem vindas ou aceitas por nós e pela sociedade quando trabalhamos profissionalmente?
- Por que nos países mais desenvolvidos, as tarefas do lar são bem mais práticas e menos exigidas?
- Por que sentir culpa quando tem sono ou vontade de uma horinha só para você?
- Por que é tão complicado encontrar um tempo para cuidar do próprio corpo depois da gravidez, mesmo sabendo que é importante?
- Por que, depois de todo o circo feminista, nós ainda nos sentimos responsáveis por tudo relativo à casa e aos filhos?
- Por que, mesmo respondendo a todas essas perguntas, eu e outras mães ainda não sabemos o que fazer para organizar nossa rotina??? Ou, porque sabemos, e ainda assim não resolvemos o problema?
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Ajudinha extra é... extra!
O que fazer quando aquela pessoa que te ajuda em casa não vai trabalhar? Quando ela está doente e você prefere mesmo que não venha? O que fazer se esse dia é bem o dia em que você reservou para finalizar um trabalho importante em seu home office? E se, nesse mesmo dia, tem muita roupa para passar, lavar, comida para fazer, atenção para dar? E se, ainda por cima, você está prestes a sair de férias e cheia de coisas para resolver? E, se, por todos os motivos acima, você foi dormir às duas da manhã? E se, assim que se deitou, ainda ouviu mais umas três chamadas insistentes no outro quarto???
Bem, eu resolvi esse esse perrengue de ontem como sempre fiz: me virando! Porque quem nunca teve empregada ou babá, quem sempre teve que dar um jeito de dar seu jeito em tudo sozinha, sabe que, com dois braços e uma cabeça boa, tudo se ajeita. Estressada eu fiquei, meus olhos quiseram fechar mil vezes, e eu ainda não sei como vou conseguir fazer tudo que preciso até semana que vem. Mas, uma coisa é certa: não dá para acostumar com uma ajudinha extra, porque, sendo extra, ela pode muito bem faltar! Toda mãe tem mesmo é que dar conta de tudo que precisa sem esperar nada de ninguém.
Respondendo à pergunta que devem ter feito agora: não, eu não estou irritada, nem jogando na cara de marido ou quem quer que seja isso. Eu honestamente sou grata pela ajuda que tenho do pai do meu filho e de todas as outras pessoas que se oferecem ou recebem para ajudar. Só estou dizendo, claramente espero, que ser mãe é se virar! Não adianta virar as costas para a realidade!
Bem, eu resolvi esse esse perrengue de ontem como sempre fiz: me virando! Porque quem nunca teve empregada ou babá, quem sempre teve que dar um jeito de dar seu jeito em tudo sozinha, sabe que, com dois braços e uma cabeça boa, tudo se ajeita. Estressada eu fiquei, meus olhos quiseram fechar mil vezes, e eu ainda não sei como vou conseguir fazer tudo que preciso até semana que vem. Mas, uma coisa é certa: não dá para acostumar com uma ajudinha extra, porque, sendo extra, ela pode muito bem faltar! Toda mãe tem mesmo é que dar conta de tudo que precisa sem esperar nada de ninguém.
Respondendo à pergunta que devem ter feito agora: não, eu não estou irritada, nem jogando na cara de marido ou quem quer que seja isso. Eu honestamente sou grata pela ajuda que tenho do pai do meu filho e de todas as outras pessoas que se oferecem ou recebem para ajudar. Só estou dizendo, claramente espero, que ser mãe é se virar! Não adianta virar as costas para a realidade!
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Casamento não é lugar para criança
Lembro de, há mais ou menos um ano, ter me espantado quando li em um blog que a mãe não levaria sua pequena no casamento de um amigo. Lembro ainda de, tempos depois, ter me indignado com outra mãe escrevendo que achava que casamento não era lugar para crianças e que, por isso, não costumava levar seus filhos a esse tipo de evento. Eu, no auge de minha inocência e inexperiência maternas, achei que aquilo era coisa de mãe que não era mãe de verdade...
Que mentira! Isso é coisa de quem conhece a maternidade melhor que ninguém. Mulher que sabe que uma noite longe do filho não vai causar mal algum a ele, que lugar de pequeninos é descansando em casa e que não há balada barulhenta de um casório que se assemelhe ao conforto do lar.
Percebi isso quando levei meu filho, então com um ano e meio, a um casamento de dar inveja a muita celebridade espalhafatosa. Uma super comemoração, daquelas que não tem hora para acabar, que serve lanchinho chique quando os convidados já estão pensando que é hora de ir embora. Como já contei antes, meu pequenino estava lindo de gravatinha, mas entediado, irritado, incomodado com a aglomeração e com medo do som alto. Na igreja, com os pais de padrinhos, só o avô para entretê-lo com voltas e voltas bem perto da porta de saída. No salão, muito sono, mas quem disse que o meu filho é daqueles que dormem em qualquer lugar? E não me venha falar que fui eu que não acostumei, porque foi ele que nunca fez a menor questão de acostumar!
Pois agora, usarei o que uma das mães que citei acima escreveu em seu blog na época em que me voltei contra ela (mesmo sem comentar nada). Ela justificava que se casamento fosse lugar de crianças, o nome delas estariam no convite. Que hoje é muito comum não colocar o nome dos menores pelo simples fato de não querer que eles estejam presentes! Absurdo. Foi o que pensei. Mas passada a raiva e a falta de vivência, penso diferente. É totalmente concebível esta ideia. Para que convidar criança? Para ser educado? Sim, essa é uma boa explicação, afinal é uma saia justa imensa receber a ligação de uma amiga perguntando: "Meu filho não foi convidado?". "Não" é a resposta que muita noiva anda dando por ai. E hoje eu compreendo, apesar de ter dúvidas se eu teria a coragem de responder o mesmo...
Fato é que fui a um casamento nos últimos dias no qual criança não era convidada, exceto as mais chegadas. O meu filho é bem próximo da noiva e teve seu nome escrito no convite que recebemos. Ele seria até pagem, aquele que entra com a aliança. Mesmo assim, não o levei comigo. Por quê? Porque ele tem dois anos e meio! Porque talvez nem entraria na igreja com receio daquele povo todo olhando para ele. Talvez chorasse, talvez entrasse e em seguida ficasse nervoso, quisesse sair do altar. Porque, mesmo se tudo desse certo durante a parte religiosa, depois ele com certeza iria dar trabalho. Ou por causa do sono, ou porque iria correr para lá e para cá, ou porque não iria comer, ou porque ia querer dançar e eu ficaria olhando para ver se ninguém pisava nos seus pezinhos (ou nele!).
E tem mais: eu deixaria de curtir uma noite maravilhosa ao lado do meu marido, o pai desse menino lindo. O rapazinho ficaria charmosérrimo de terninho, mas (por tomar todo o tempo de ambos os cônjuges do meu casamento) pode muito bem guardar a beca para outra ocasião, e dar uma folguinha para o casal que o colocou no mundo... Se seu filho se comporta bem em casamentos e dorme até no auge da animação, essa é a desculpa que faltava não é? E nem precisa pedir desculpa por isso, porque muita gente vai te entender!
Pode ser que alguma mãezona leia meu texto e fique assustada, com raiva ou que me ache a pior mãe do mundo. E que faça isso com você também. Eu já fiz algo parecido antes. Entendo, e garanto a quem quiser experimentar: deixar os filhos em casa ao invés de levá-los numa boda é a coisa mais sensata que se pode fazer. Fiquei tristinha ao vê-lo reclamar, pela primeira vez, quando me viu saindo toda arrumada (como se pensasse: eu não faco parte da festa?). Tive dúvidas se deixá-lo era mesmo a melhor escolha.
Me senti toda culpada de negar à noiva e a mim mesma a honra de ver meu filho como págem. Mas, depois da madrugada de diversão que tivemos, eu e meu marido na festa e ele com a avó que cuida muito bem dele, não tenho como não ter a certeza de que foi o melhor que podiamos ter feito para todos os envolvidos. E digo mais. Se um dia receber um convite que não convide meu filho, não terei dúvidas de que os noivos estão com a razão, por respeitarem suas vontades e as necessidades de quem ainda não pode decidir por si.
Para os pais, fica a dica: respeitem os noivos, seus filhos e vocês mesmos. Todo mundo sai lucrando, inclusive os avós, tios e padrinhos, que vão adorar o "encargo". Para quem tiver que pagar uma babá, acho que basta lembrar que a entrada na festa é gratuita! E para quem sentir muita saudade do pimpolho, saiba que nada melhor do que pegar um daqueles badulaques que distribuem na folia e entregar no dia seguinte a alguém que vai aproveitar mais do que qualquer um possa ter aproveitado na noite anterior! Viva os noivos!
Que mentira! Isso é coisa de quem conhece a maternidade melhor que ninguém. Mulher que sabe que uma noite longe do filho não vai causar mal algum a ele, que lugar de pequeninos é descansando em casa e que não há balada barulhenta de um casório que se assemelhe ao conforto do lar.
Percebi isso quando levei meu filho, então com um ano e meio, a um casamento de dar inveja a muita celebridade espalhafatosa. Uma super comemoração, daquelas que não tem hora para acabar, que serve lanchinho chique quando os convidados já estão pensando que é hora de ir embora. Como já contei antes, meu pequenino estava lindo de gravatinha, mas entediado, irritado, incomodado com a aglomeração e com medo do som alto. Na igreja, com os pais de padrinhos, só o avô para entretê-lo com voltas e voltas bem perto da porta de saída. No salão, muito sono, mas quem disse que o meu filho é daqueles que dormem em qualquer lugar? E não me venha falar que fui eu que não acostumei, porque foi ele que nunca fez a menor questão de acostumar!
Pois agora, usarei o que uma das mães que citei acima escreveu em seu blog na época em que me voltei contra ela (mesmo sem comentar nada). Ela justificava que se casamento fosse lugar de crianças, o nome delas estariam no convite. Que hoje é muito comum não colocar o nome dos menores pelo simples fato de não querer que eles estejam presentes! Absurdo. Foi o que pensei. Mas passada a raiva e a falta de vivência, penso diferente. É totalmente concebível esta ideia. Para que convidar criança? Para ser educado? Sim, essa é uma boa explicação, afinal é uma saia justa imensa receber a ligação de uma amiga perguntando: "Meu filho não foi convidado?". "Não" é a resposta que muita noiva anda dando por ai. E hoje eu compreendo, apesar de ter dúvidas se eu teria a coragem de responder o mesmo...
Fato é que fui a um casamento nos últimos dias no qual criança não era convidada, exceto as mais chegadas. O meu filho é bem próximo da noiva e teve seu nome escrito no convite que recebemos. Ele seria até pagem, aquele que entra com a aliança. Mesmo assim, não o levei comigo. Por quê? Porque ele tem dois anos e meio! Porque talvez nem entraria na igreja com receio daquele povo todo olhando para ele. Talvez chorasse, talvez entrasse e em seguida ficasse nervoso, quisesse sair do altar. Porque, mesmo se tudo desse certo durante a parte religiosa, depois ele com certeza iria dar trabalho. Ou por causa do sono, ou porque iria correr para lá e para cá, ou porque não iria comer, ou porque ia querer dançar e eu ficaria olhando para ver se ninguém pisava nos seus pezinhos (ou nele!).
E tem mais: eu deixaria de curtir uma noite maravilhosa ao lado do meu marido, o pai desse menino lindo. O rapazinho ficaria charmosérrimo de terninho, mas (por tomar todo o tempo de ambos os cônjuges do meu casamento) pode muito bem guardar a beca para outra ocasião, e dar uma folguinha para o casal que o colocou no mundo... Se seu filho se comporta bem em casamentos e dorme até no auge da animação, essa é a desculpa que faltava não é? E nem precisa pedir desculpa por isso, porque muita gente vai te entender!
Pode ser que alguma mãezona leia meu texto e fique assustada, com raiva ou que me ache a pior mãe do mundo. E que faça isso com você também. Eu já fiz algo parecido antes. Entendo, e garanto a quem quiser experimentar: deixar os filhos em casa ao invés de levá-los numa boda é a coisa mais sensata que se pode fazer. Fiquei tristinha ao vê-lo reclamar, pela primeira vez, quando me viu saindo toda arrumada (como se pensasse: eu não faco parte da festa?). Tive dúvidas se deixá-lo era mesmo a melhor escolha.
Me senti toda culpada de negar à noiva e a mim mesma a honra de ver meu filho como págem. Mas, depois da madrugada de diversão que tivemos, eu e meu marido na festa e ele com a avó que cuida muito bem dele, não tenho como não ter a certeza de que foi o melhor que podiamos ter feito para todos os envolvidos. E digo mais. Se um dia receber um convite que não convide meu filho, não terei dúvidas de que os noivos estão com a razão, por respeitarem suas vontades e as necessidades de quem ainda não pode decidir por si.
Para os pais, fica a dica: respeitem os noivos, seus filhos e vocês mesmos. Todo mundo sai lucrando, inclusive os avós, tios e padrinhos, que vão adorar o "encargo". Para quem tiver que pagar uma babá, acho que basta lembrar que a entrada na festa é gratuita! E para quem sentir muita saudade do pimpolho, saiba que nada melhor do que pegar um daqueles badulaques que distribuem na folia e entregar no dia seguinte a alguém que vai aproveitar mais do que qualquer um possa ter aproveitado na noite anterior! Viva os noivos!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Trabalho, trabalho, trabalho
Filho dá trabalho não é? Aposto com todas vocês que todas, sem excessão, já ouviram essa frase ou uma bem parecida. Filho dá trabalho mesmo. Seria ilusório achar que um ser que depende de você para tudo não iria fazê-la suar. Mesmo quando crescem, eles ainda dependem de você, nem que seja só para estar lá quando for preciso, o que certamente irá fazê-la desempenhar certo ofício.
Eu amo o trabalho que filho dá! É daqueles que se diz de boca cheia: "amo o que faço!". Mesmo quando a mamãe não gosta de tarefas domésticas ou até mesmo da rotina repetitiva de banho, comida, brincadeiras e arrumação, faço outra apostinha. Ela ama o que faz! Fica cansada, tem horas que quer sumir, momentos de puro saco cheio (perdoem a expressão fula). Mas ela ama. Por quê? Respondam cada uma de vocês, para vocês mesmas se quiserem.
Porque trabalhar para ganhar salário é uma coisa, meu bem. Mesmo amando de paixão o que se faz, é uma coisa. Outra coisa é trabalhar para ganhar um abraço, um beijo ou nada disso. Porque neste segundo caso, embora possamos nos sentir carentes e doadas, nem precisamos de reconhecimento... Nesta labuta de mãe, somos reconhecidas de maneiras bem distintas, às vezes nem somos, ou recebemos um "obrigado" ao contrário, com choro, birra e frases mal agradecidas. Agora, não receba agradecimento do chefe, ouse dizer que não se importa em ser reconhecida profissionalmente, experimente pensar em não se realizar do jeito que sempre sonhou... Sendo mãe, você se realiza nem que não queira, sem nem dar tempo de pensar a respeito.
Ando muito ocupada trabalhando na minha área, que adoro. Em casa, mas no computador, plugada no mercado. E, em uma tarde atribulada, com textos finalmente editados a ponto de me envaidecer, sabe em que momento eu me trabalhei com mais amor? Quando parei uns minutinhos para dar lanchinho ao meu filho. Quer trabalho melhor?
Eu amo o trabalho que filho dá! É daqueles que se diz de boca cheia: "amo o que faço!". Mesmo quando a mamãe não gosta de tarefas domésticas ou até mesmo da rotina repetitiva de banho, comida, brincadeiras e arrumação, faço outra apostinha. Ela ama o que faz! Fica cansada, tem horas que quer sumir, momentos de puro saco cheio (perdoem a expressão fula). Mas ela ama. Por quê? Respondam cada uma de vocês, para vocês mesmas se quiserem.
Porque trabalhar para ganhar salário é uma coisa, meu bem. Mesmo amando de paixão o que se faz, é uma coisa. Outra coisa é trabalhar para ganhar um abraço, um beijo ou nada disso. Porque neste segundo caso, embora possamos nos sentir carentes e doadas, nem precisamos de reconhecimento... Nesta labuta de mãe, somos reconhecidas de maneiras bem distintas, às vezes nem somos, ou recebemos um "obrigado" ao contrário, com choro, birra e frases mal agradecidas. Agora, não receba agradecimento do chefe, ouse dizer que não se importa em ser reconhecida profissionalmente, experimente pensar em não se realizar do jeito que sempre sonhou... Sendo mãe, você se realiza nem que não queira, sem nem dar tempo de pensar a respeito.
Ando muito ocupada trabalhando na minha área, que adoro. Em casa, mas no computador, plugada no mercado. E, em uma tarde atribulada, com textos finalmente editados a ponto de me envaidecer, sabe em que momento eu me trabalhei com mais amor? Quando parei uns minutinhos para dar lanchinho ao meu filho. Quer trabalho melhor?
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Parir é um parto!
Semana passada estive em uma apresentação sobre a pesquisa "Nascer no Brasil", que é realizada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, com auxílio do CNPq e Projeto Inova ENSP, com o objetivo de investigar as condições de parto e nascimento no país. Não fui a trabalho. Fui por vontade de estar lá. Pouco como jornalista, muito como mãe. O evento, realizado na Unicamp, visava divulgar o estudo que, na região de Campinas, conta com a participação de docentes e alunos de pós-graduação do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da universidade.
Eu ando bem interessada em assuntos relacionados à maternidade (como já devem ter percebido!), e como o evento foi aberto ao público, achei uma oportunidade interessante de ver de perto o que acontece no mundo materno ao meu redor. Lá, encontrei mulheres engajadas profissionalmente. E também falando da pesquisa como um projeto pessoal. Curioso como em um encontro sobre trabalho, as mulheres dão um outro tom. Pelo menos quando o assunto tem a ver com elas mesmas! A apresentação, a mesa redonda e o debate tiveram não só exposições de pessoas capacitadas, mas de figuras femininas que falavam com o coração e conhecimento de causa.
A atmosfera era essa, e precisava ser. O assunto era "nascer". Algo que no Brasil e no resto do mundo está bem complicado. Estatísticas absurdas de cesáreas, relatos de partos normais mal assistidos. Os índices de cesarianas, por exemplo, aumentam em diversos países, mas Brasil e China apresentam os maiores. Assim como o modelo de partos realizados por obstetras (e não por obstetriz) também acontece nos Estados Unidos (e veio de lá), mas são os brasileiros que mais usam o esquema para escolher pelo parto da paciente.
Nossos médicos rebatem as críticas e, muitas vezes, dizem que as informações científicas sobre os malefícios da cesárea não servem para o país, já que todas são internacionais, baseadas em mães e bebês estrangeiros. Queridos doutores, em um curto espaço de tempo, não haverá mais essa desculpa. Porque até o fim do ano, o estudo citado acima terá a amostragem de 24 mil partos, realizados em 266 hospitais, públicos e privados. Mostrará não só como é o nascimento, mas também como é a assistência a ele e a tudo que uma parturiente vive no pós-parto. Os entrevistadores coletam, no hospital, diretamente com as mães e quem as assistiu, dados que englobam tópicos como episiotomia, anestesia, dor, desconforto, aleitamento... Entre 45 e 60 dias depois, a nova mamãe ainda recebe um telefonema para contar o que aconteceu desde a alta.
Nem preciso dizer o quanto o projeto é importante. Em um país que cresce economicamente, e que se diz rico daqui a poucos anos, é inaceitável que as mulheres continuem sendo mal atendidas no momento em que mais precisam de apoio e cuidado. É uma vergonha saber que aqui é sete vezes maior a mortalidade de puérperas negras. É triste constatar, sem esforço, que abrem-se barrigas de mulheres saudáveis, cujos filhos também são saudáveis e poderiam vir ao mundo espontaneamente. É fácil notar que há duas opções: parto cirúrgico ou normal com sofrimento. E que, por causa desse despreparo de profissionais e da falta de informações das pacientes, a primeira opção torna-se bem de consumo da grande maioria.
Hoje, há poucas escolhas para as gestantes. Ter que brigar com especialistas pelo parto que deseja. Ter que fugir do hospital para parir do jeito que sonha em casa. Ter a sorte de encontrar um doutor que não coloca feriados acima da natureza. Ter que sucumbir aos ditadores de branco e se deitar sob os holofotes do centro cirúrgico. Qualquer uma delas chega bem perto de ser humilhante, se já não é. Porque não deveríamos ter que implorar pelo parto normal. Ele deveria ser normal.
Obviamente não está em pauta aqui e nem no estudo a escolha das mulheres pela cesárea. Elas são levadas a isso. Mas, talvez não fossem se o atendimento nos consultórios e maternidades fosse outro. Hoje, informação é o caminho mais curto para dar à luz sem grandes intervenções, e sempre será. A diferença é que, assistidas por pessoas capacitadas e a favor do parto natural, as gestantes poderiam ser encorajadas a deixar o corpo comandar quando é ele mesmo que deve fazer isso. Se, no futuro, essa for a realidade e, ainda assim algumas mulheres preferirem o parto cirúrgico, teremos certeza de que são elas quem estarão decidindo por ele.
Como disseram no encontro, a tecnologia na medicina é ótima quando salva vidas. Mas, usada indiscriminadamente, passa a ser danosa. É claro que há profissionais que usam o discernimento. Aqueles que incentivam as mulheres a se empoderarem. Os que nos escutam, amparam, passam segurança, respeitam nossas escolhas. Alguns aderem à ideia das mães "zen" e colocam música de fundo, diminuem as luzes ou topam realizar o parto na água em domicílio. Para quem não encontrar a espécie rara, há outras profissionais competentes, que muitas vezes decobriram a vocação depois de parir e sentir na pele o desconforto da realidade. Não à toa, elas hoje se proliferam como bactérias do bem: doulas apaixonadas pela profissão, obstetrizes que respiram fundo para não serem sufocadas pelo ar hospitalar, enfermeiras que nos dão as mãos nas salas de parto. Há ainda grupos de incentivo ao parto natural, professoras de Ioga militantes do trabalho de parto, cursos de gestantes que estimulam a auto-confiança e plantonistas orientados para o parto de cócoras.
Pena que estas são apenas alternativas, e não parte do atendimento às mulheres grávidas. Porque a questão, como a pesquisa já aponta, não é só nascer no Brasil. É parir! Quem já pariu sabe muito bem como é. Então, que bom que vão ouvir essas mulheres! Porque todas tem muito a dizer.
Eu ando bem interessada em assuntos relacionados à maternidade (como já devem ter percebido!), e como o evento foi aberto ao público, achei uma oportunidade interessante de ver de perto o que acontece no mundo materno ao meu redor. Lá, encontrei mulheres engajadas profissionalmente. E também falando da pesquisa como um projeto pessoal. Curioso como em um encontro sobre trabalho, as mulheres dão um outro tom. Pelo menos quando o assunto tem a ver com elas mesmas! A apresentação, a mesa redonda e o debate tiveram não só exposições de pessoas capacitadas, mas de figuras femininas que falavam com o coração e conhecimento de causa.
A atmosfera era essa, e precisava ser. O assunto era "nascer". Algo que no Brasil e no resto do mundo está bem complicado. Estatísticas absurdas de cesáreas, relatos de partos normais mal assistidos. Os índices de cesarianas, por exemplo, aumentam em diversos países, mas Brasil e China apresentam os maiores. Assim como o modelo de partos realizados por obstetras (e não por obstetriz) também acontece nos Estados Unidos (e veio de lá), mas são os brasileiros que mais usam o esquema para escolher pelo parto da paciente.
Nossos médicos rebatem as críticas e, muitas vezes, dizem que as informações científicas sobre os malefícios da cesárea não servem para o país, já que todas são internacionais, baseadas em mães e bebês estrangeiros. Queridos doutores, em um curto espaço de tempo, não haverá mais essa desculpa. Porque até o fim do ano, o estudo citado acima terá a amostragem de 24 mil partos, realizados em 266 hospitais, públicos e privados. Mostrará não só como é o nascimento, mas também como é a assistência a ele e a tudo que uma parturiente vive no pós-parto. Os entrevistadores coletam, no hospital, diretamente com as mães e quem as assistiu, dados que englobam tópicos como episiotomia, anestesia, dor, desconforto, aleitamento... Entre 45 e 60 dias depois, a nova mamãe ainda recebe um telefonema para contar o que aconteceu desde a alta.
Nem preciso dizer o quanto o projeto é importante. Em um país que cresce economicamente, e que se diz rico daqui a poucos anos, é inaceitável que as mulheres continuem sendo mal atendidas no momento em que mais precisam de apoio e cuidado. É uma vergonha saber que aqui é sete vezes maior a mortalidade de puérperas negras. É triste constatar, sem esforço, que abrem-se barrigas de mulheres saudáveis, cujos filhos também são saudáveis e poderiam vir ao mundo espontaneamente. É fácil notar que há duas opções: parto cirúrgico ou normal com sofrimento. E que, por causa desse despreparo de profissionais e da falta de informações das pacientes, a primeira opção torna-se bem de consumo da grande maioria.
Hoje, há poucas escolhas para as gestantes. Ter que brigar com especialistas pelo parto que deseja. Ter que fugir do hospital para parir do jeito que sonha em casa. Ter a sorte de encontrar um doutor que não coloca feriados acima da natureza. Ter que sucumbir aos ditadores de branco e se deitar sob os holofotes do centro cirúrgico. Qualquer uma delas chega bem perto de ser humilhante, se já não é. Porque não deveríamos ter que implorar pelo parto normal. Ele deveria ser normal.
Obviamente não está em pauta aqui e nem no estudo a escolha das mulheres pela cesárea. Elas são levadas a isso. Mas, talvez não fossem se o atendimento nos consultórios e maternidades fosse outro. Hoje, informação é o caminho mais curto para dar à luz sem grandes intervenções, e sempre será. A diferença é que, assistidas por pessoas capacitadas e a favor do parto natural, as gestantes poderiam ser encorajadas a deixar o corpo comandar quando é ele mesmo que deve fazer isso. Se, no futuro, essa for a realidade e, ainda assim algumas mulheres preferirem o parto cirúrgico, teremos certeza de que são elas quem estarão decidindo por ele.
Como disseram no encontro, a tecnologia na medicina é ótima quando salva vidas. Mas, usada indiscriminadamente, passa a ser danosa. É claro que há profissionais que usam o discernimento. Aqueles que incentivam as mulheres a se empoderarem. Os que nos escutam, amparam, passam segurança, respeitam nossas escolhas. Alguns aderem à ideia das mães "zen" e colocam música de fundo, diminuem as luzes ou topam realizar o parto na água em domicílio. Para quem não encontrar a espécie rara, há outras profissionais competentes, que muitas vezes decobriram a vocação depois de parir e sentir na pele o desconforto da realidade. Não à toa, elas hoje se proliferam como bactérias do bem: doulas apaixonadas pela profissão, obstetrizes que respiram fundo para não serem sufocadas pelo ar hospitalar, enfermeiras que nos dão as mãos nas salas de parto. Há ainda grupos de incentivo ao parto natural, professoras de Ioga militantes do trabalho de parto, cursos de gestantes que estimulam a auto-confiança e plantonistas orientados para o parto de cócoras.
Pena que estas são apenas alternativas, e não parte do atendimento às mulheres grávidas. Porque a questão, como a pesquisa já aponta, não é só nascer no Brasil. É parir! Quem já pariu sabe muito bem como é. Então, que bom que vão ouvir essas mulheres! Porque todas tem muito a dizer.
sábado, 13 de agosto de 2011
Pais e pais
Assunto de revista desta semana: nasce um novo tipo de pai. Publicação atual, assunto atual. Na verdade, acho que nem tanto. Já faz um tempo que o novo pai nasceu. De parto normal acredito, mas com uma certa indução. Ocitocina na veia... Porque a história é outra, as mães mudaram, a sociedade mudou. Então, depois de gerações de pais autoritários e pouco participativos (para não dizer nem um pouco), chegam ao mundo papais carinhosos, companheiros, heróis sem serem bandidos. Pais que não só provém, mas que cuidam e fazem tanto quanto as mães de seus filhos. Se não fazem, lutam para fazer.
O pai do meu filho é assim. Participação é palavra de ordem em casa, assim como carinho, atenção e preocupação. Dar banho, comida, trocar a roupa, a fralda, brincar, educar, ajudar na organização, prestar atenção em coisas pequenas e tão importantes no dia a dia fazem parte da rotina puxada do papi. Tudo isso é normal, é gostoso, é natural. Ele é assim, sem fazer nenhum esforço, simplesmente é. Um super pai. Maravilhoso. O melhor do mundo! Sem exageros, ele é.
Fruto de uma educação voltada para isso. Filho de uma mãe que estimulou tal comportamento. Resultado do mundo em que vive. Fator de uma multiplicação de relacionamentos modernos e quase sempre mais equilibrados. Parte de uma geração que percebeu o quanto a paternidade é linda e deve ser muito bem aproveitada por quem tem a chance de conhecê-la. Homens que só ganham com isso. Que aprendem, que ensinam, que choram e fazem chorar com seu apego, sua dedicação, seu amor. Rapazes que amadureceram e mostram aos pais "das antigas" o quanto eles perderam...
Meu pai não perdeu. Ele sempre participou da minha vida, da maneira que pôde. Trabalhou muito, se separou da minha mãe e teve que se reinventar para ser o melhor pai do mundo para seus filhos. Ele é. Ele cozinha, sempre cozinhou. Com prazer. Tanto que neste fim de semana fez uma bela macarronada e ficava vigiando se eu comia tudo e parava de falar para não deixar a comida esfriar. Ele não é nem nunca foi autoritário, apesar de adorar ser o dono da razão. Ele escuta todos os filhos. Ajuda. Ampara. Viajou muito com a família toda, todas as férias, para brincar, para amar. E o amo. Mesmo não sendo desta geração de pais modernos e participativos, ele sempre foi moderno e participativo. E, mesmo quando não participou, me mostrou o quanto é importante sua presença com a falta que fez.
É claro que existe uma enorme variedade de figuras paternas. E que nem todas mais "atuais" vem com o modo "participação". Da mesma forma, nem todos os menos modernos, são ultrapassados. Há uma grande e enorme influência da personalidade, da essência de cada um. Tenho um pai liberal, para frente, amigo. Léo tem um pai companheiro, carinhoso, protetor. Porque eles receberam, de maneira diferente, estímulos para isso. Porque eles nasceram para agir assim. De maneiras diferentes, e bem diferentes, são presentes na vida dos filhos, um presente para os filhos.
Pai, obrigada. Marido, obrigada por ser o pai do meu neném. Feliz dia dos pais aos dois. Cada um à sua maneira, vocês são exemplos lindos de que essa tendência divulgada na mídia vale a pena. Torço para que outras mães e outros filhos possam ter a sorte de conviver com pais indescritíveis como vocês!
O pai do meu filho é assim. Participação é palavra de ordem em casa, assim como carinho, atenção e preocupação. Dar banho, comida, trocar a roupa, a fralda, brincar, educar, ajudar na organização, prestar atenção em coisas pequenas e tão importantes no dia a dia fazem parte da rotina puxada do papi. Tudo isso é normal, é gostoso, é natural. Ele é assim, sem fazer nenhum esforço, simplesmente é. Um super pai. Maravilhoso. O melhor do mundo! Sem exageros, ele é.
Fruto de uma educação voltada para isso. Filho de uma mãe que estimulou tal comportamento. Resultado do mundo em que vive. Fator de uma multiplicação de relacionamentos modernos e quase sempre mais equilibrados. Parte de uma geração que percebeu o quanto a paternidade é linda e deve ser muito bem aproveitada por quem tem a chance de conhecê-la. Homens que só ganham com isso. Que aprendem, que ensinam, que choram e fazem chorar com seu apego, sua dedicação, seu amor. Rapazes que amadureceram e mostram aos pais "das antigas" o quanto eles perderam...
Meu pai não perdeu. Ele sempre participou da minha vida, da maneira que pôde. Trabalhou muito, se separou da minha mãe e teve que se reinventar para ser o melhor pai do mundo para seus filhos. Ele é. Ele cozinha, sempre cozinhou. Com prazer. Tanto que neste fim de semana fez uma bela macarronada e ficava vigiando se eu comia tudo e parava de falar para não deixar a comida esfriar. Ele não é nem nunca foi autoritário, apesar de adorar ser o dono da razão. Ele escuta todos os filhos. Ajuda. Ampara. Viajou muito com a família toda, todas as férias, para brincar, para amar. E o amo. Mesmo não sendo desta geração de pais modernos e participativos, ele sempre foi moderno e participativo. E, mesmo quando não participou, me mostrou o quanto é importante sua presença com a falta que fez.
É claro que existe uma enorme variedade de figuras paternas. E que nem todas mais "atuais" vem com o modo "participação". Da mesma forma, nem todos os menos modernos, são ultrapassados. Há uma grande e enorme influência da personalidade, da essência de cada um. Tenho um pai liberal, para frente, amigo. Léo tem um pai companheiro, carinhoso, protetor. Porque eles receberam, de maneira diferente, estímulos para isso. Porque eles nasceram para agir assim. De maneiras diferentes, e bem diferentes, são presentes na vida dos filhos, um presente para os filhos.
Pai, obrigada. Marido, obrigada por ser o pai do meu neném. Feliz dia dos pais aos dois. Cada um à sua maneira, vocês são exemplos lindos de que essa tendência divulgada na mídia vale a pena. Torço para que outras mães e outros filhos possam ter a sorte de conviver com pais indescritíveis como vocês!
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
A mamãe vai trabalhar
Há uns dias estou trabalhando em um material sobre educação. Há poucos dias estou ocupadíssima com esse freela, tendo, inclusive, que passar o dia quase todo fora. Sorte que o trabalho é na cidade dos avós do Léo. Sorte que ele também tem tios, que estão adorando passar umas horinhas com o espuleta. E nesse cotidiano provisório, meio improvisado, venho treinando acostumar com a distância do filhote. Tenho que ser sincera e dizer que é gostoso poder me concentrar em algo sem me preocupar com o que o pequeno está fazendo ou com o que ele vai comer. Mas, é preciso assumir que eu morro de saudades e, melhor, sinto falta do nosso tempo só nosso.
Entre comidinhas, banho e afazeres domésticos, sou feliz. E sou também trabalhando. Ainda bem que me resolvi a respeito disso há um bom tempo e aproveito os dois lados conforme dá. A maior parte do ano sou mãe em período integral, poucos dois ou três meses, me divido entre home office, umas saidinhas e minhas 24 horas como mãezona. Que delícia!
Não tem sobrado nada do meu dia para escrever aqui. Tem sobrado frases engraçadinhas do Leco. "Mãe, você vai trabalhar onde?", "Você não vai trabalhar hoje? Por quê?", "Eu quero ir passear lá na nossa casa...", "A mamãe chegou!". A minha frase mais comum nem preciso escrever, mas, com todo carinho, tenho que dizer a vocês como digo a meu filho, afinal tenho mesmo que sair agora. "A mamãe vai trabalhar!".
Entre comidinhas, banho e afazeres domésticos, sou feliz. E sou também trabalhando. Ainda bem que me resolvi a respeito disso há um bom tempo e aproveito os dois lados conforme dá. A maior parte do ano sou mãe em período integral, poucos dois ou três meses, me divido entre home office, umas saidinhas e minhas 24 horas como mãezona. Que delícia!
Não tem sobrado nada do meu dia para escrever aqui. Tem sobrado frases engraçadinhas do Leco. "Mãe, você vai trabalhar onde?", "Você não vai trabalhar hoje? Por quê?", "Eu quero ir passear lá na nossa casa...", "A mamãe chegou!". A minha frase mais comum nem preciso escrever, mas, com todo carinho, tenho que dizer a vocês como digo a meu filho, afinal tenho mesmo que sair agora. "A mamãe vai trabalhar!".
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Mais sobre amamentar, o feitiço, o placebo...
O assunto é velho, mas nunca deixará de ser interessante. As opiniões sobre ele são muitas, os ângulos pelos quais o enxergamos são inúmeros e a vontade de falar é imensa. Semana Mundial da Amamentação acontecendo e eu não me vejo escrevendo sobre outra coisa que não seja amamentar... Por quê? Porque acredito que essa semaninha só acontece se fizermos acontecer. Porque tenho certeza que abordar os diferentes lados do aleitamento materno pode ajudar futuras mamães a terem ainda mais certeza de que é por ele que devem lutar, mesmo com pessoas aconselhando uso de fórmulas prontas para complementar. Como disse antes, de nada adianta nomear estes sete primeiros dias de agosto para defender a amamentação se no dia a dia não a defendermos.
E para defendê-la, nada melhor do que falar do quanto é bom amamentar. Não me refiro ao fato já bem conhecido de não termos que esquentar mamadeira, do leite estar sempre prontinho, na temperatura certa, a qualquer hora e em qualquer lugar. Mais. É mágico poder alimentar seu filho com algo que só você é capaz de produzir para ele. Li em alguma revista, e sinceramente não lembro onde, que o leite da mãe nunca é fraco. Simplesmente porque o nosso corpo fabrica exatamente aquilo que nosso bebê necessita, com os ingredientes certos. Também não me lembro se essa comunicação entre oferta e demanda é feita na época em que o bebê ainda está no útero, mas que essa "pesquisa de mercado" é perfeita, isso é. Só você, querida fornecedora, poderá suprir as necessidades nutritivas (e emocionais) do seu consumidor da melhor maneira. Pode até ter concorrência, mas ela não tem artifícios para vencer.
Também vi em algum programa (amamentar dá falha de memória?) que o leite da mãe é fundamental para a formação do paladar. Além do leite de uma mãe ser diferente do da outra, o leite de cada uma é diferente a cada dia. Isto é, dependendo do que você ingerir, conforme o dia, e até de acordo com a hora do dia, seu leitinho morninho terá sabores variados, o que contribui para criar nos pequeninos gourmets um paladar apurado. Sabe no que isso ajuda? Lá na frente, as escolhas desses gulosinhos à mesa tendem a ser mais saudáveis!
Razões não faltam para amamentar. Muitas comprovadas cientificamente. Outras, comprovadas por filhos fortes e imunes. E há uma infinidade de provas que só uma mãe que amamentou pode dar. Ou melhor, as que não amentaram também, pois garanto que a maioria delas, quando querem mas não conseguem por alguma razão dar o peito, fariam de tudo para conseguir. Isso já é prova suficiente! E elas não estão erradas.
Amamentar é o mais próximo do divino que uma mulher pode estar. É a continuidade do ato de parir, um cordão que nos vincula cada vez mais e para sempre. É a responsabilidade que se tem sem encará-la como responsabilidade. É uma dádiva. Um presente. É o instinto animal falando mais alto que regrinhas de etiqueta. O instinto materno dilacerando a vaidade fútil feminina, afinal o seio passa a ser útil, de verdade. E que utilidade... Ele ajuda a alimentar o corpo de um ser faminto, a alma de um bebê indefeso. Dispensa calorias capazes de aquecer coração do filho e da mãe.
Amamentar é tão lindo que surpreende. Mães adotivas podem produzir leite. Avós, cujas filhas não podem amamentar, dão o peito aos netos. Pais fariam de tudo para saber como é. Infelizmente, na contramão, a vontade não é garantia para algumas mulheres que acabam não amamentando mesmo querendo muito. Mas tenho uma forma de vê-las que devo compartilhar... Noto que, nestes casos, quando não foi uma opção, a vontade em dar de mamar é tamanha que mesmo dando a mamadeira, o feitiço do aleitamento materno acontece. Elas podem não oferecer o próprio leite, fabricado conforme especificações do órgão responsável, mas oferecem algo tão importante quanto ele: um amor incondicional. As condições podem não ter sido favoráveis, mas estas mães, com muito amor, também fazem mágica: transformam mamadas artificiais em naturais. Com a troca de olhares, o calor do corpo e o carinho nos pezinhos, estes bebês amamentados artificialmente sentem-se nutridos da mesma maneira que os que mamam naturalmente. Não é por acaso que a recomendação para mães que não possam amamentar seja não passar adiante a função. O ideal é que sejam sempre elas que ofereçam a mamadeira, exatamente como fariam se dessem o peito, trocando até de lado entre uma metade e outra. Efeito placebo, arrisco dizer. O melhor que já ouvi falar.
E para defendê-la, nada melhor do que falar do quanto é bom amamentar. Não me refiro ao fato já bem conhecido de não termos que esquentar mamadeira, do leite estar sempre prontinho, na temperatura certa, a qualquer hora e em qualquer lugar. Mais. É mágico poder alimentar seu filho com algo que só você é capaz de produzir para ele. Li em alguma revista, e sinceramente não lembro onde, que o leite da mãe nunca é fraco. Simplesmente porque o nosso corpo fabrica exatamente aquilo que nosso bebê necessita, com os ingredientes certos. Também não me lembro se essa comunicação entre oferta e demanda é feita na época em que o bebê ainda está no útero, mas que essa "pesquisa de mercado" é perfeita, isso é. Só você, querida fornecedora, poderá suprir as necessidades nutritivas (e emocionais) do seu consumidor da melhor maneira. Pode até ter concorrência, mas ela não tem artifícios para vencer.
Também vi em algum programa (amamentar dá falha de memória?) que o leite da mãe é fundamental para a formação do paladar. Além do leite de uma mãe ser diferente do da outra, o leite de cada uma é diferente a cada dia. Isto é, dependendo do que você ingerir, conforme o dia, e até de acordo com a hora do dia, seu leitinho morninho terá sabores variados, o que contribui para criar nos pequeninos gourmets um paladar apurado. Sabe no que isso ajuda? Lá na frente, as escolhas desses gulosinhos à mesa tendem a ser mais saudáveis!
Razões não faltam para amamentar. Muitas comprovadas cientificamente. Outras, comprovadas por filhos fortes e imunes. E há uma infinidade de provas que só uma mãe que amamentou pode dar. Ou melhor, as que não amentaram também, pois garanto que a maioria delas, quando querem mas não conseguem por alguma razão dar o peito, fariam de tudo para conseguir. Isso já é prova suficiente! E elas não estão erradas.
Amamentar é o mais próximo do divino que uma mulher pode estar. É a continuidade do ato de parir, um cordão que nos vincula cada vez mais e para sempre. É a responsabilidade que se tem sem encará-la como responsabilidade. É uma dádiva. Um presente. É o instinto animal falando mais alto que regrinhas de etiqueta. O instinto materno dilacerando a vaidade fútil feminina, afinal o seio passa a ser útil, de verdade. E que utilidade... Ele ajuda a alimentar o corpo de um ser faminto, a alma de um bebê indefeso. Dispensa calorias capazes de aquecer coração do filho e da mãe.
Amamentar é tão lindo que surpreende. Mães adotivas podem produzir leite. Avós, cujas filhas não podem amamentar, dão o peito aos netos. Pais fariam de tudo para saber como é. Infelizmente, na contramão, a vontade não é garantia para algumas mulheres que acabam não amamentando mesmo querendo muito. Mas tenho uma forma de vê-las que devo compartilhar... Noto que, nestes casos, quando não foi uma opção, a vontade em dar de mamar é tamanha que mesmo dando a mamadeira, o feitiço do aleitamento materno acontece. Elas podem não oferecer o próprio leite, fabricado conforme especificações do órgão responsável, mas oferecem algo tão importante quanto ele: um amor incondicional. As condições podem não ter sido favoráveis, mas estas mães, com muito amor, também fazem mágica: transformam mamadas artificiais em naturais. Com a troca de olhares, o calor do corpo e o carinho nos pezinhos, estes bebês amamentados artificialmente sentem-se nutridos da mesma maneira que os que mamam naturalmente. Não é por acaso que a recomendação para mães que não possam amamentar seja não passar adiante a função. O ideal é que sejam sempre elas que ofereçam a mamadeira, exatamente como fariam se dessem o peito, trocando até de lado entre uma metade e outra. Efeito placebo, arrisco dizer. O melhor que já ouvi falar.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Curiosidades sobre as mamadas
Quando escutava alguém falando sobre amamentação, nunca ouvia nada diferente de "ele mama bastante", "ele é um bezerrinho", "ele não quer saber de comer, só do peito". Isso antes de eu experimentar ser a protagonista do aleitamento materno. Depois de passar pela experiência, vi o quanto essas frases soltas e prontas não reproduzem nem a metade da realidade vivida na poltrona do quarto do bebê.
Sim, meu filho mamava bastante. Ele foi um bezerrinho. Ele também não quis saber de papinha por um bom tempo, só querendo leitinho da mamãe. Entretanto, há outras coisinhas que acontecem nesse processo mãe-restaurante que acho bacana revelar. Para muitas mães, não é novidade nenhuma, mas pode ser engraçado ver que suas experiências não são as mais bizarras, ou são. Para as futuras mamães, algumas coisas abaixo podem ser encontradas em livros, outras, queridas, só uma mãe bem sincera para te falar! Então aqui vão algumas curiosidadesinhas sobre mamadas, baseadas na minha experiência de 14 meses e em relatos de outras simpáticas vaquinhas leiteiras que percorreram o mesmo pasto. Só que não vou falar o que é meu e o que é delas!!! Ria sem saber de quem:
- Pegar o bico não é tarefa fácil para todos os recém-nascidos e isso significa que nos primeiros dias você pode fazer malabarismos (literalmente) para acontecer a pegada certa. É travesseiro para cá, almofada para lá, pernas dobradas aqui, ombros tensos ali e um suador...
- Suar é normal durante a amamentação e ter sede também. Já te contaram? Duvido que disseram como um pijama lindo e novo fica depois das mamadas.
- Trocar o seio oferecido é o correto. Termina com um e começa com esse na próxima, para terminar com o outro e começar com ele na outra mamada... Agora, experimente lembrar qual foi o último? E nem adianta anotar, porque uma hora você vai esquecer até de anotar.
- Falando nisso, os soutiens de amamentação tem um "botãozinho" que vai para um lado e para o outro para te ajudar a lembrar de qual peito você deve dar na próxima vez. Só que as vendedoras da loja esquecem de dizer isso e você pode demorar mais de três meses para descobrir para que aquele "enfeite" serve! Quando descobrir, não esqueça de usá-lo! Hum, quando ele está na direita é porque devo dar o direito ou é porque o último que dei foi o direito??
- É claro que toda gestante sabe para que serve o absorvente de seio. O que ela não sabe é que ela vai esquecer de devolvê-lo ao soutien enquanto troca o lado do seio oferecido. Resultado? Quando perceber, sua peça íntima que custou uma fortuna estará ensopadinha pela torneira que ficou aberta.
- E alguém te avisou que quando sair do banho não dá nem tempo de alcançar o tal absorvente que o peito já começa a esguichar??? Volta para o banho e tenta de novo!
- No início da amamentação, podem te orientar a coletar seu próprio leite em um copinho para dar ao neném depois que ele terminar a mamada, para confirmar se ele está satisfeito mesmo ou se está só com preguiça de sugar mais. Nesse início você pode estar meio desesperada com o fato de seu leite acabar de repente. Aí, enquanto você tira leite de um seio, o outro pinga e... você pede para o marido ficar com o copinho ali esperando as gotas caírem!
- Bebês dormem mamando mesmo. Uns ficam horas degustando o bico, sim, o bico. Porque o leite eles sugam rápido. Por sinal, tem neném que mama muuiittooo em menos de cinco minutos! E aí deixa a mãe angustiada achando que ele não mamou nada.
- Experimente dar uma forçadinha e dar mais leite para esse bebê que engole o leite em minutinhos. Ele vai regurgitar tanto que você nunca mais terá dúvidas da quantidade que ele é capaz de sugar em tão pouco tempo! Pensando bem, você terá dúvidas ainda e pode repetir o processo algumas vezes mais.
- Por falar em regurgitar, muitas vezes você amamenta durante minutos deliciosos, faz seu neném arrotar com sucesso e tem a certeza que a missão está cumprida. Só que muitas dessas muitas vezes o pequenino regurgita tanto, mas tanto, que você tem a certeza que seu "trabalho" foi em vão!
- E o arroto? Alguns livros até avisam, mas é melhor reforçar: o filhote pode demorar mais de meia hora para arrotar. E se você for neurótica ou simplesmente mãe, ficará quase uma hora com ele no colo, tentará mais um pouquinho e quando colocá-lo no berço faltará pouquíssimo tempo para começar tudo de novo.
- Essa é boa: uma mãe de vinte anos está em seu primeiro dia com o bebê em casa. Lê no livro que para fazê-lo arrotar deve colocá-lo em cima do ombro e bater nas costinhas. Ela o coloca. Em cima mesmo. Com os pézinhos tocando o ombro entendeu? Deve ter doído o braço...
- É comum os nenéns fazerem cocô enquanto mamam né? Mais comum ainda é você parar a mamada, trocar a fralda, colocá-lo de volta no peito e ter que trocar a fralda de novo. De repente isso te ajuda a ver que é melhor esperar o final da refeição.
- Você pode ser daquelas que tem vergonha de amamentar em público. Mesmo assim, garanto, ao menos uma vez você vai se encontrar amamentando em meio a toda a família, às vezes até amigos, às vezes de pé, às vezes na mesa do jantar. Dá para se sentir um self-service ambulante.
- Está bem, muitas mães experimentam o próprio leite. Para outras falta coragem. Mas curiosidade não falta!
Sim, meu filho mamava bastante. Ele foi um bezerrinho. Ele também não quis saber de papinha por um bom tempo, só querendo leitinho da mamãe. Entretanto, há outras coisinhas que acontecem nesse processo mãe-restaurante que acho bacana revelar. Para muitas mães, não é novidade nenhuma, mas pode ser engraçado ver que suas experiências não são as mais bizarras, ou são. Para as futuras mamães, algumas coisas abaixo podem ser encontradas em livros, outras, queridas, só uma mãe bem sincera para te falar! Então aqui vão algumas curiosidadesinhas sobre mamadas, baseadas na minha experiência de 14 meses e em relatos de outras simpáticas vaquinhas leiteiras que percorreram o mesmo pasto. Só que não vou falar o que é meu e o que é delas!!! Ria sem saber de quem:
- Pegar o bico não é tarefa fácil para todos os recém-nascidos e isso significa que nos primeiros dias você pode fazer malabarismos (literalmente) para acontecer a pegada certa. É travesseiro para cá, almofada para lá, pernas dobradas aqui, ombros tensos ali e um suador...
- Suar é normal durante a amamentação e ter sede também. Já te contaram? Duvido que disseram como um pijama lindo e novo fica depois das mamadas.
- Trocar o seio oferecido é o correto. Termina com um e começa com esse na próxima, para terminar com o outro e começar com ele na outra mamada... Agora, experimente lembrar qual foi o último? E nem adianta anotar, porque uma hora você vai esquecer até de anotar.
- Falando nisso, os soutiens de amamentação tem um "botãozinho" que vai para um lado e para o outro para te ajudar a lembrar de qual peito você deve dar na próxima vez. Só que as vendedoras da loja esquecem de dizer isso e você pode demorar mais de três meses para descobrir para que aquele "enfeite" serve! Quando descobrir, não esqueça de usá-lo! Hum, quando ele está na direita é porque devo dar o direito ou é porque o último que dei foi o direito??
- É claro que toda gestante sabe para que serve o absorvente de seio. O que ela não sabe é que ela vai esquecer de devolvê-lo ao soutien enquanto troca o lado do seio oferecido. Resultado? Quando perceber, sua peça íntima que custou uma fortuna estará ensopadinha pela torneira que ficou aberta.
- E alguém te avisou que quando sair do banho não dá nem tempo de alcançar o tal absorvente que o peito já começa a esguichar??? Volta para o banho e tenta de novo!
- No início da amamentação, podem te orientar a coletar seu próprio leite em um copinho para dar ao neném depois que ele terminar a mamada, para confirmar se ele está satisfeito mesmo ou se está só com preguiça de sugar mais. Nesse início você pode estar meio desesperada com o fato de seu leite acabar de repente. Aí, enquanto você tira leite de um seio, o outro pinga e... você pede para o marido ficar com o copinho ali esperando as gotas caírem!
- Bebês dormem mamando mesmo. Uns ficam horas degustando o bico, sim, o bico. Porque o leite eles sugam rápido. Por sinal, tem neném que mama muuiittooo em menos de cinco minutos! E aí deixa a mãe angustiada achando que ele não mamou nada.
- Experimente dar uma forçadinha e dar mais leite para esse bebê que engole o leite em minutinhos. Ele vai regurgitar tanto que você nunca mais terá dúvidas da quantidade que ele é capaz de sugar em tão pouco tempo! Pensando bem, você terá dúvidas ainda e pode repetir o processo algumas vezes mais.
- Por falar em regurgitar, muitas vezes você amamenta durante minutos deliciosos, faz seu neném arrotar com sucesso e tem a certeza que a missão está cumprida. Só que muitas dessas muitas vezes o pequenino regurgita tanto, mas tanto, que você tem a certeza que seu "trabalho" foi em vão!
- E o arroto? Alguns livros até avisam, mas é melhor reforçar: o filhote pode demorar mais de meia hora para arrotar. E se você for neurótica ou simplesmente mãe, ficará quase uma hora com ele no colo, tentará mais um pouquinho e quando colocá-lo no berço faltará pouquíssimo tempo para começar tudo de novo.
- Essa é boa: uma mãe de vinte anos está em seu primeiro dia com o bebê em casa. Lê no livro que para fazê-lo arrotar deve colocá-lo em cima do ombro e bater nas costinhas. Ela o coloca. Em cima mesmo. Com os pézinhos tocando o ombro entendeu? Deve ter doído o braço...
- É comum os nenéns fazerem cocô enquanto mamam né? Mais comum ainda é você parar a mamada, trocar a fralda, colocá-lo de volta no peito e ter que trocar a fralda de novo. De repente isso te ajuda a ver que é melhor esperar o final da refeição.
- Você pode ser daquelas que tem vergonha de amamentar em público. Mesmo assim, garanto, ao menos uma vez você vai se encontrar amamentando em meio a toda a família, às vezes até amigos, às vezes de pé, às vezes na mesa do jantar. Dá para se sentir um self-service ambulante.
- Está bem, muitas mães experimentam o próprio leite. Para outras falta coragem. Mas curiosidade não falta!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Semana Mundial da Amamentação: vamos pensar nisso
Os primeiros sete dias de agosto consistem na Semana Mundial da Amamentação. Mas o que isso significa? Que é preciso pensar a respeito. Que é preciso conscientizar, incentivar, apoiar. Mas ainda é? Sim, é. Porque por mais informações que sejam oferecidas de diversas maneiras, algumas mães insistem em duvidar do próprio corpo. Porque enfermeiras e pediatras continuam oferecendo leite artificial no primeiro dia de vida dos bebês e deixando que o apoio fique apenas à cargo de tias, mães, sogras, avós, amigas, marido e livros. Porque é necessário torcer para estes estarem do lado certo... Quando lemos e conversamos sobre aleitamento durante a gravidez, tudo parece tão mágico e fácil. A mãe coloca o neném no peito e ele suga que é uma beleza! O tal do colostro dá logo lugar para o leite e o filhote mama sem parar. Pode até ser que com muitas mulheres aconteça desse forma, mas minha vivência e a de outras tantas que conheço passam longe do perfeito cenário de comercial do Ministério da Saúde. Por que ninguém fala do quanto é difícil amamentar? E não estou me referindo às rachaduras no bico, pois sobre elas, não nos faltam alertas, mas sobre outras dificuldades que só quem passa por elas sabe o valor que teria conhecê-las melhor antes de enfrentá-las.
Eu faço parte do grupo de parturientes que quiseram dar de mamar logo na sala de parto. Meu pequeno não quis, não conseguiu, não mamou. E sabe do que lembro? De enfermeiras em cima de mim, tentando colocar meu seio em uma boquinha que mais queria saber de chorar. Logo vi que aquele "clima" não era legal e pedi para parar. "Deixa, ele não quer", disse às enfermeiras. "Não tem problema filho, está tudo bem, depois você mama...", susurrei no ouvido do meu bezerrinho. Quando ele chegou no quarto, tudo se repetiu. Ninguém me perguntou se eu queria ficar sozinha com meu filho para nos entrosarmos. E veio aquela "mão amiga" de outra enfermeira querendo abrir a boca do meu lindinho e me ensinar como colocar o bico lá da maneira certa. Está certo que tem uma forma adequada para o peito não ficar machucado, para facilitar a pegada, mas todas as mocinhas supostamente treinadas que passaram pelo meu quarto desde o parto só me ensinaram o melhor jeito de ficar desesperada!
Meu filhotinho não pegava o bico, meu leite obviamente não dava nem sinais de descer e toda a minha segurança ia embora quando uma pediatra resolvia afirmar e reafirmar que eu tinha pouco colostro. Como assim pouco? Eu já tinha lido o suficiente para saber que esse líquido amarelo inicial, o tal do colostro, vem em pouca quantidade e que nem por isso deixa de alimentar, sendo inclusive de extrema importância nas primeiras horas de vida do recém-nascido. Li também que bebês nascem com reserva de energia e que muitas vezes não querem mamar em um primeiro momento, o que não os colocam em risco de maneira alguma. Mas eu escutei incontáveis vezes dessa pediatra incompetente e de outras duas enfermeiras mal preparadas que eu tinha pouco colostro. Insegura, chorei no hospital, com medo de não conseguir amamentar e, pior ainda, com receio de que minhas convicções prejudicassem meu bebê. Imagine que elas eram não dar leite artificial, nem água, só o peito.
Lembro de ter pedido para ir ao banco de leite (no mesmo andar do quarto em que eu estava) e a pediatrazinha autoritária dizer que não era o caso. Lembro de ter recebido a sugestão de dar Nan desde a primeira manhã e de ter brigado até o fim para não deixar, me sentindo acoada e teimosa o tempo todo. Lembro de ter recebido boas dicas do meu obstetra, que teve paciência para me confirmar aquilo que eu já sabia e contar que tem bebês que demoram mesmo para começar a mamar. Lembro que no dia de ir embora, notamos Léo amarelinho, o que foi diagnosticado como icterícia, algo comum em recém-nascido, mas que poderia piorar com a falta de leite. Ele precisava ingerir líquido para o rim funcionar e mandar o amarelo para fora... E aí, fui obrigada, pelo bem dele, a deixar darem leite artificial e água.
Antes de chegar nesse ponto, havia questionado os pediatras de plantão sobre um roxinho na clavícula do Léo e ouvi que não era nada, algo normal. Ele chorava muito quando eu o colocava para mamar do lado direito, com seu braço esquerdo para baixo. Só quando saí da maternidade, o pediatra que procurei me contou que o roxo era uma clavícula quebrada durante o parto, de fato algo normal, mas que podia estar complicando ainda mais as mamadas. Só Léo sabe a dor que ele devia estar sentindo ao tentar mamar no seio direito.
Da consulta com o santo pediatra, voltei imediatamente ao hospital, para o Banco de Leite. Ele telefonou lá e pediu para me antenderem na hora. Foi a melhor coisa que alguém poderia ter feito por mim naquele momento. Uma moça negra, magra, discreta e simpática me recepcionou com toda a calma e atenção. Coloquei Léo em um carrinho de acrílico, vesti um avental verde com dois buracos para o seio, touca e máscara. Lavei as mãos como a profissional me orientou e entrei em uma sala cheia de banquinhos e travesseiros, onde estava outra mãe sentada com o peito de fora, aprendendo a amamentar. Sim, precisamos aprender. Às vezes sozinha, às vezes com ajuda de terceiros. E foi lá que aprendi.
Primeiramente, a mocinha me ensinou uma massagem para soltar as "pedras" de leite. Tais nódulos doem quando apertados, mas o alívio que a tal manipulação circular promove é uma sensação deliciosa, que sinto novamente só de escrever sobre ela. Depois de cinco minutinhos de apertõezinhos, meu seio esguichou! E eu desabei a chorar... "Achei que não tinha leite", disse à enfermeira sentada à minha frente ainda com as mãos sobre meu peito. Ela calmamente disse que o nervoso atrapalhava, que eu tinha que respirar e ficar serena. Eu já sabia. Mas nenhuma pessoa que havia me orientado até então havia lembrado disso.
A mocinha me explicou o quão importante é a tranquilidade, e também o jeitinho dessa massagem que amolece literalmente o seio, deixando o bico mais maleável e fácil de ser abocanhado pelo recém-nascido. Léozinho abocanhou e mamou como ainda não havia mamado nos primeiros quatro dias de vida. Ele até quis cochilar, sem chorar, tranquilo, satisfeito. Aí ela me ensinou a manter o bebê alerta para mamar (mexer no pé, nas mãos...). Ele arrotou e mamou no outro seio, o direito, mas sem que a clavícula fosse pressionada. No Banco de Leite, com a informação que eu tinha sobre a fratura, aprendi outras posições para amamentar, mais confortáveis nestes casos. A moça também deixou bem claro que o tamanho do bico não influenciava em nada e, ao olhar para o lado, vi que ela não estava mentindo já que uma mulher com um bico gigantesco passava pelo mesmo problema que eu!
Voltei lá mais duas ou três vezes, não lembro, mas o bastante para ir para a casa segura e confiante sobre meu próprio corpo e o do meu filho. Tive que manter alguns mililitros de leite artificial na dieta do Léo nas primeiras semanas, mas apenas uma quantidade insignificante que foi desaparecendo conforme ele e eu íamos pegando mais e mais o jeito. O bico rachou, claro. As massagens que aprendi, as manhas da minha guru e as receitinhas caseiras de luz e vitamina E me mantiveram firme no objetivo de dar o meu leite e só. Léo mamou muito até um ano e dois meses, sem complemento.
Contei tudo isso para mostrar como os profissionais de saúde são mal instruídos, pouco dispostos e nem um pouco humanos. Dizer à uma mãe que acaba de parir que ela tem pouco colostro tem consequências na auto-estima dela, assim como estou convencida de que dar Nan ao neném sem necessidade pode resultar em dores de barriga igualmente sem necessidade. E sei que esse tipo de situação não acontece só comigo. Tenho amigas que foram induzidas a permitir que dessem um copinho de Nan aos seus filhos para elas poderem descansar e outras que ouviram de médicos que o leite iria secar rapidamente (isso eu também ouvi de uma gastropediatra que não sabe nada!).
Fico feliz quando vejo mães insistindo no aleitamento materno, mesmo com pessoas questionando quantidade e qualidade do leite. Fico contente se, contando minha experiência, contribuo para que outras não passem pelo mesmo que passei e que, se passarem, saibam administrar. É claro que respeito mães que não queiram dar de mamar, pois o corpo não é meu, mas se essas mesmas mães quiserem discutir a respeito, terei enorme prazer em convencê-las de como é maravilhoso amamentar. Tenho consciência de que muitas não amamentam por razões mais fortes que elas, assim como penso que algumas delas, se mais apoiadas e melhor orientadas, poderiam oferecer o peito por meses e meses.
Só não concordo com essa maneira repetitiva do poder público e da sociedade tratarem o assunto. Ministério e secretarias de saúde, não me venham mais com comerciais e folhetos mostrando mães e filhos grudados, bonitos e felizes. Mostrem também lado difícil. E quando digo isso, não me refiro só a dor que sentimos no início ou ao leite que empedra, mas ao fato de nem todos os bebês sairem abocanhando o seio da mãe e de nem toda mãe obter o sucesso no aleitamento sozinha. Informem os leigos, treinem os ditos especialistas. Montem uma rede de conforto às mães, proporcionem e facilitem o contato delas com bancos de leite logo no primeiro dia, deixem-nas à vontade no quarto para encontrarem seu próprio ritmo sem ninguém ditar ou forçar nada. Apóiem quem enfrenta obstáculos e também quem mais parece uma vaca leiteira.
Senhores médicos, não culpem o colostro, nem o bico, nem saiam receitando remédio para o leite descer, mas incentivem a força de vontade e a coragem, e prescrevam confiança. Caros amigos e familiares, não façam tantas perguntas, mas se proponham a deixar a nova família à vontade na hora da refeição do rebento. Abracem, deixem claro que se precisarem é só chamar, e tenham certeza de que quanto mais rápida a visita, mais agradecida a mãe ficará.
Enquanto isso, mães: cobrem seus direitos, briguem pelo seu leite assim como pelo parto que desejam sem que ninguém invente uma desculpa para desencorajá-las. Sejam fortes, mesmo fragilizadas. Contem suas histórias, amparem amigas, conhecidas e desconhecidas com suas trajetórias. Respeitem as que pensarem diferente de você e optarem logo pela mamadeira, mas não deixem de dar sua opinião quanto aos benefícios que o aleitamento materno traz para mães e filhos. Confortem mulheres que não puderam, por qualquer razão, amamentar. Mas estimule-as a, quem sabe numa próxima vez, tentar. Digam a verdade sobre dor, noites mal dormidas e restrição alimentar em função das cólicas, só não deixem de lembrar que dor passa, o sono a gente repõe a hora que dá e o chocolate, o café e o leite voltam para a dieta assim que o intestino do neném funcionar.
A Semana Mundial da Amamentação é positiva e sou totalmente a favor dela. No entanto, por experiência própria e observação de mães à minha volta, estou certa de que nada adianta promovê-la se o mundo não for verdadeiramente a favor da amamentação todas as semanas. Não sou contra as belas fotos de atrizes amamentando seus filhos, nem contra panfletos, palestras e reportagens. Só acho que devemos usar destes e de outros artifícios para mostrar o aleitamento materno com a mais pura e dura verdade. Assim, preparamos as futuras mamães para uma maternidade real e com maiores chances de realização. Porque, por mais difícil que a realidade possa ser, ela não deixa de ser linda... Pelo menos quando estamos falando de mulheres com seios destruídos e ainda assim felizes ao colocar a cria sobre o peito!
Eu faço parte do grupo de parturientes que quiseram dar de mamar logo na sala de parto. Meu pequeno não quis, não conseguiu, não mamou. E sabe do que lembro? De enfermeiras em cima de mim, tentando colocar meu seio em uma boquinha que mais queria saber de chorar. Logo vi que aquele "clima" não era legal e pedi para parar. "Deixa, ele não quer", disse às enfermeiras. "Não tem problema filho, está tudo bem, depois você mama...", susurrei no ouvido do meu bezerrinho. Quando ele chegou no quarto, tudo se repetiu. Ninguém me perguntou se eu queria ficar sozinha com meu filho para nos entrosarmos. E veio aquela "mão amiga" de outra enfermeira querendo abrir a boca do meu lindinho e me ensinar como colocar o bico lá da maneira certa. Está certo que tem uma forma adequada para o peito não ficar machucado, para facilitar a pegada, mas todas as mocinhas supostamente treinadas que passaram pelo meu quarto desde o parto só me ensinaram o melhor jeito de ficar desesperada!
Meu filhotinho não pegava o bico, meu leite obviamente não dava nem sinais de descer e toda a minha segurança ia embora quando uma pediatra resolvia afirmar e reafirmar que eu tinha pouco colostro. Como assim pouco? Eu já tinha lido o suficiente para saber que esse líquido amarelo inicial, o tal do colostro, vem em pouca quantidade e que nem por isso deixa de alimentar, sendo inclusive de extrema importância nas primeiras horas de vida do recém-nascido. Li também que bebês nascem com reserva de energia e que muitas vezes não querem mamar em um primeiro momento, o que não os colocam em risco de maneira alguma. Mas eu escutei incontáveis vezes dessa pediatra incompetente e de outras duas enfermeiras mal preparadas que eu tinha pouco colostro. Insegura, chorei no hospital, com medo de não conseguir amamentar e, pior ainda, com receio de que minhas convicções prejudicassem meu bebê. Imagine que elas eram não dar leite artificial, nem água, só o peito.
Lembro de ter pedido para ir ao banco de leite (no mesmo andar do quarto em que eu estava) e a pediatrazinha autoritária dizer que não era o caso. Lembro de ter recebido a sugestão de dar Nan desde a primeira manhã e de ter brigado até o fim para não deixar, me sentindo acoada e teimosa o tempo todo. Lembro de ter recebido boas dicas do meu obstetra, que teve paciência para me confirmar aquilo que eu já sabia e contar que tem bebês que demoram mesmo para começar a mamar. Lembro que no dia de ir embora, notamos Léo amarelinho, o que foi diagnosticado como icterícia, algo comum em recém-nascido, mas que poderia piorar com a falta de leite. Ele precisava ingerir líquido para o rim funcionar e mandar o amarelo para fora... E aí, fui obrigada, pelo bem dele, a deixar darem leite artificial e água.
Antes de chegar nesse ponto, havia questionado os pediatras de plantão sobre um roxinho na clavícula do Léo e ouvi que não era nada, algo normal. Ele chorava muito quando eu o colocava para mamar do lado direito, com seu braço esquerdo para baixo. Só quando saí da maternidade, o pediatra que procurei me contou que o roxo era uma clavícula quebrada durante o parto, de fato algo normal, mas que podia estar complicando ainda mais as mamadas. Só Léo sabe a dor que ele devia estar sentindo ao tentar mamar no seio direito.
Da consulta com o santo pediatra, voltei imediatamente ao hospital, para o Banco de Leite. Ele telefonou lá e pediu para me antenderem na hora. Foi a melhor coisa que alguém poderia ter feito por mim naquele momento. Uma moça negra, magra, discreta e simpática me recepcionou com toda a calma e atenção. Coloquei Léo em um carrinho de acrílico, vesti um avental verde com dois buracos para o seio, touca e máscara. Lavei as mãos como a profissional me orientou e entrei em uma sala cheia de banquinhos e travesseiros, onde estava outra mãe sentada com o peito de fora, aprendendo a amamentar. Sim, precisamos aprender. Às vezes sozinha, às vezes com ajuda de terceiros. E foi lá que aprendi.
Primeiramente, a mocinha me ensinou uma massagem para soltar as "pedras" de leite. Tais nódulos doem quando apertados, mas o alívio que a tal manipulação circular promove é uma sensação deliciosa, que sinto novamente só de escrever sobre ela. Depois de cinco minutinhos de apertõezinhos, meu seio esguichou! E eu desabei a chorar... "Achei que não tinha leite", disse à enfermeira sentada à minha frente ainda com as mãos sobre meu peito. Ela calmamente disse que o nervoso atrapalhava, que eu tinha que respirar e ficar serena. Eu já sabia. Mas nenhuma pessoa que havia me orientado até então havia lembrado disso.
A mocinha me explicou o quão importante é a tranquilidade, e também o jeitinho dessa massagem que amolece literalmente o seio, deixando o bico mais maleável e fácil de ser abocanhado pelo recém-nascido. Léozinho abocanhou e mamou como ainda não havia mamado nos primeiros quatro dias de vida. Ele até quis cochilar, sem chorar, tranquilo, satisfeito. Aí ela me ensinou a manter o bebê alerta para mamar (mexer no pé, nas mãos...). Ele arrotou e mamou no outro seio, o direito, mas sem que a clavícula fosse pressionada. No Banco de Leite, com a informação que eu tinha sobre a fratura, aprendi outras posições para amamentar, mais confortáveis nestes casos. A moça também deixou bem claro que o tamanho do bico não influenciava em nada e, ao olhar para o lado, vi que ela não estava mentindo já que uma mulher com um bico gigantesco passava pelo mesmo problema que eu!
Voltei lá mais duas ou três vezes, não lembro, mas o bastante para ir para a casa segura e confiante sobre meu próprio corpo e o do meu filho. Tive que manter alguns mililitros de leite artificial na dieta do Léo nas primeiras semanas, mas apenas uma quantidade insignificante que foi desaparecendo conforme ele e eu íamos pegando mais e mais o jeito. O bico rachou, claro. As massagens que aprendi, as manhas da minha guru e as receitinhas caseiras de luz e vitamina E me mantiveram firme no objetivo de dar o meu leite e só. Léo mamou muito até um ano e dois meses, sem complemento.
Contei tudo isso para mostrar como os profissionais de saúde são mal instruídos, pouco dispostos e nem um pouco humanos. Dizer à uma mãe que acaba de parir que ela tem pouco colostro tem consequências na auto-estima dela, assim como estou convencida de que dar Nan ao neném sem necessidade pode resultar em dores de barriga igualmente sem necessidade. E sei que esse tipo de situação não acontece só comigo. Tenho amigas que foram induzidas a permitir que dessem um copinho de Nan aos seus filhos para elas poderem descansar e outras que ouviram de médicos que o leite iria secar rapidamente (isso eu também ouvi de uma gastropediatra que não sabe nada!).
Fico feliz quando vejo mães insistindo no aleitamento materno, mesmo com pessoas questionando quantidade e qualidade do leite. Fico contente se, contando minha experiência, contribuo para que outras não passem pelo mesmo que passei e que, se passarem, saibam administrar. É claro que respeito mães que não queiram dar de mamar, pois o corpo não é meu, mas se essas mesmas mães quiserem discutir a respeito, terei enorme prazer em convencê-las de como é maravilhoso amamentar. Tenho consciência de que muitas não amamentam por razões mais fortes que elas, assim como penso que algumas delas, se mais apoiadas e melhor orientadas, poderiam oferecer o peito por meses e meses.
Só não concordo com essa maneira repetitiva do poder público e da sociedade tratarem o assunto. Ministério e secretarias de saúde, não me venham mais com comerciais e folhetos mostrando mães e filhos grudados, bonitos e felizes. Mostrem também lado difícil. E quando digo isso, não me refiro só a dor que sentimos no início ou ao leite que empedra, mas ao fato de nem todos os bebês sairem abocanhando o seio da mãe e de nem toda mãe obter o sucesso no aleitamento sozinha. Informem os leigos, treinem os ditos especialistas. Montem uma rede de conforto às mães, proporcionem e facilitem o contato delas com bancos de leite logo no primeiro dia, deixem-nas à vontade no quarto para encontrarem seu próprio ritmo sem ninguém ditar ou forçar nada. Apóiem quem enfrenta obstáculos e também quem mais parece uma vaca leiteira.
Senhores médicos, não culpem o colostro, nem o bico, nem saiam receitando remédio para o leite descer, mas incentivem a força de vontade e a coragem, e prescrevam confiança. Caros amigos e familiares, não façam tantas perguntas, mas se proponham a deixar a nova família à vontade na hora da refeição do rebento. Abracem, deixem claro que se precisarem é só chamar, e tenham certeza de que quanto mais rápida a visita, mais agradecida a mãe ficará.
Enquanto isso, mães: cobrem seus direitos, briguem pelo seu leite assim como pelo parto que desejam sem que ninguém invente uma desculpa para desencorajá-las. Sejam fortes, mesmo fragilizadas. Contem suas histórias, amparem amigas, conhecidas e desconhecidas com suas trajetórias. Respeitem as que pensarem diferente de você e optarem logo pela mamadeira, mas não deixem de dar sua opinião quanto aos benefícios que o aleitamento materno traz para mães e filhos. Confortem mulheres que não puderam, por qualquer razão, amamentar. Mas estimule-as a, quem sabe numa próxima vez, tentar. Digam a verdade sobre dor, noites mal dormidas e restrição alimentar em função das cólicas, só não deixem de lembrar que dor passa, o sono a gente repõe a hora que dá e o chocolate, o café e o leite voltam para a dieta assim que o intestino do neném funcionar.
A Semana Mundial da Amamentação é positiva e sou totalmente a favor dela. No entanto, por experiência própria e observação de mães à minha volta, estou certa de que nada adianta promovê-la se o mundo não for verdadeiramente a favor da amamentação todas as semanas. Não sou contra as belas fotos de atrizes amamentando seus filhos, nem contra panfletos, palestras e reportagens. Só acho que devemos usar destes e de outros artifícios para mostrar o aleitamento materno com a mais pura e dura verdade. Assim, preparamos as futuras mamães para uma maternidade real e com maiores chances de realização. Porque, por mais difícil que a realidade possa ser, ela não deixa de ser linda... Pelo menos quando estamos falando de mulheres com seios destruídos e ainda assim felizes ao colocar a cria sobre o peito!
Assinar:
Postagens (Atom)