sÃĄbado, 24 de dezembro de 2016

#3 - NATAL À BEIRA-RIO, David MourÃĢo-Ferreira

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
a trazer-me da ÃĄgua a infÃĒncia ressurecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.
TÃĢo novos os meus Pais, tÃĢo novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
que ficava, no cais, à noite iluminado...

Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui nÃĢo sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
mais da terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem agora conduzir-me
à beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

#2 - NATAL CHIQUE, Vitorino NemÃĐsio

Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vÃĢ desaparece
Na minha pressa e pouco amor.

Hoje ÃĐ Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etÃĐreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dÃĢo coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
SÃģ esse pobre me pareceu Cristo.