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Trinitita

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Pedaços de Trinitita.
Detalhe de Trinitita, visão lateral.
Níveis de radioatividade no vidro trinity de duas amostras diferentes, conforme medido por espectroscopia gamma nos pedaços do vidro[1]

Trinitita, também conhecida como Atomsita ou Vidro de Alamogordo, é o resíduo vítreo deixado no piso desértico após o teste da bomba nuclear Trinity, baseada em plutônio, próximo a Alamogordo, Novo México. O vidro é primariamente composto de areia arcósica composta de grãos de quartzo e feldspato (tanto microclina quanto uma quantidade menor de plagioclase, com pouca proporção de calcita, hornblenda e augita em uma matriz de argila arenosa)[2] que foi derretida pela explosão atômica. Em geral, é verde-clara, embora a cor cor possa variar. É levemente radioativa, mas pode ser manuseada com segurança.[3][4][5]

A trinitita formou-se em 16 de julho de 1945, após a detonação do primeiro artefato nuclear no teste trinity (Experiência Trinity), conduzido no deserto do Novo México como parte do Projeto Manhattan. [1] A explosão gerou temperaturas extremamente elevadas na superfície do solo, estimadas em milhares de graus Celsius (~1470 ºC), suficientes para iniciar a fundição da areia local, rica em sílica, e formar um vidro de coloração predominantemente esverdeada. [6]

Observando do ponto de vista mineralógico, a trinitita é composta, principalmente, por vidro silicatado, contendo fragmentos parcialmente fundidos de quartzo e feldspato presentes no solo original. [7] Estudos geoquímicos indicam que o material também incorpora traços de metais provenientes da estrutura da torre de detonação utilizada para os testes e de componentes presentes no dispositivo nuclear. [7]

Análises posteriores identificaram a presença de radionuclídeos residuais, incluindo produtos de fissão e elementos ativados pela radiação intensa liberada durante a explosão. [8] Embora a radioatividade atual da maioria das amostras seja relativamente baixa, o material continua sendo objeto de interesse científico em estudos de geoquímica nuclear até hoje, com trabalhos recentes sendo publicados com frequência.

No fim dos anos 1940 e início dos 1950, amostras foram recolhidas e vendidas a colecionadores de minerais como uma novidade. Traços do material podem ser encontrados no Campo Trinity hoje, apesar de que a maioria dele foi empurrado com escavadeira e enterrado pela Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos em 1953.[9] Agora é ilegal pegar o material remanescente no local; entretanto, o material pego antes desta proibição ainda está nas mãos de colecionadores.

Joalheria e risco radiativo

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Por um tempo, a crença era de que a areia do deserto tivesse simplesmente se derretido por causa da radiação direta da energia térmica da bola de fogo, não sendo particularmente perigosa, portanto foi comercializado como adequado para joalheria em 1945.[10] Entretanto, foi depois descoberto que causava queimaduras de radiação se as peças fossem usadas por um período longo de tempo.[11]

Estudos radiométricos mostram a o material da trinitita contém radionuclídeos incorporados volumetricamente no vidro, incluindo pontos de fissão como ^137Cs e isótopos de plutônio ^239PU chremanescentes, além de produtos de ativação nuclear resultantes das reações ocorridas durante o processo da explosão. [12] A detecção de tais pontos empregou métodos como a espectrometria alfa, espectrometria gama de alta eficiência e contagem beta de baixo fundo, assim podendo determinar as atividades específicas desses diversos radioisótopos presentes nas amostras. [12]

Referências

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  1. 1 2 P.P. Parekh, T.M. Semkow, M.A. Torres, D.K. Haines, J.M. Cooper, P.M. Rosenberg and M.E. Kitto (2006). «Radioactivity in Trinitite six decades later». Journal of Environmental Radioactivity. 85 (1): 103–120. PMID 16102878. doi:10.1016/j.jenvrad.2005.01.017
  2. Ross, Clarence S. «OPTICAL PROPERTIES OF GLASS FROM ALAMOGORDO, NEW MEXICO» (PDF): 1-3. Consultado em 28 de janeiro de 2026
  3. Kolb, W.M., and Carlock, P.G. Trinitite, 1999, The Atomic Age Mineral.
  4. Nuclear weapons question, Bad Astronomy and Universe Today Forum.
  5. «Analyzing Trinitite: A (Radioactive) Piece of Nuclear History | Hunter Scott» (em inglês). 19 de janeiro de 2015. Consultado em 28 de janeiro de 2026
  6. Bellucci, Jeremy J.; Simonetti, Antonio; Koeman, Elizabeth C.; Wallace, Christine; Burns, Peter C. (4 de fevereiro de 2014). «A detailed geochemical investigation of post-nuclear detonation trinitite glass at high spatial resolution: Delineating anthropogenic vs. natural components». Chemical Geology: 69–86. ISSN 0009-2541. doi:10.1016/j.chemgeo.2013.12.001. Consultado em 23 de fevereiro de 2026
  7. 1 2 J. Bailey, D.; C. Stennett, M.; Ravel, B.; E. Crean, D.; C. Hyatt, N. (2019). «A synchrotron X-ray spectroscopy study of titanium co-ordination in explosive melt glass derived from the trinity nuclear test». RSC Advances (em inglês) (23): 12921–12927. doi:10.1039/C8RA10375E. Consultado em 23 de fevereiro de 2026
  8. Bellucci, Jeremy J.; Simonetti, Antonio; Wallace, Christine; Koeman, Elizabeth C.; Burns, Peter C. (6 de agosto de 2013). «Lead isotopic composition of trinitite melt glass: evidence for the presence of Canadian industrial lead in the first atomic weapon test». Analytical Chemistry (15): 7588–7593. ISSN 1520-6882. PMID 23829180. doi:10.1021/ac4016648. Consultado em 23 de fevereiro de 2026
  9. Carroll L. Tyler, AEC letter to the Governor of New Mexico, July 16, 1953.
  10. Steven L. Kay - Nuclearon - Trinitite varieties
  11. «INTERIM REPORT OF CDC'S LAHDRA PROJECT – Appendix N. pg 39, 40» (PDF). Consultado em 23 de julho de 2015. Arquivado do original (PDF) em 17 de março de 2014
  12. 1 2 Parekh, Pravin P.; Semkow, Thomas M.; Torres, Miguel A.; Haines, Douglas K.; Cooper, Joseph M.; Rosenberg, Peter M.; Kitto, Michael E. (1 de janeiro de 2006). «Radioactivity in Trinitite six decades later». Journal of Environmental Radioactivity (1): 103–120. ISSN 0265-931X. doi:10.1016/j.jenvrad.2005.01.017. Consultado em 23 de fevereiro de 2026