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Dinastia omíada

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Os omíadas ou Banu Omaia (em árabe: بَنُو أُمَيَّةَ; romaniz.: Banū Umayya) foram um importante clã dos coraixitas de Meca, descendente de Omaia ibne Abede Xemece, filho de Abede Xemece e neto de Abede Manafe. Durante a Jailia, figuraram entre os grupos mais ricos e influentes da cidade, participando das redes comerciais que ligavam Meca à Síria e ao Iêmem e mantendo alianças com tribos árabes das regiões central e setentrional da Península Arábica. Dividiam-se principalmente nos ramos dos aiacitas e dos anabiçaítas, dos quais procederam algumas das famílias mais importantes da história política do islã, sobretudo os sufiânidas e os maruânidas. Embora membros do clã estivessem entre os primeiros convertidos ao islã, os omíadas figuraram também entre os principais dirigentes da oposição coraixita a Maomé, especialmente sob Abu Sufiane ibne Harbe, antes de a maior parte da família aderir à nova religião após a Conquista de Meca, em 630.

Nas décadas seguintes, os omíadas recuperaram gradualmente sua influência política. Membros da família desempenharam papel destacado na conquista muçulmana da Síria, onde Iázide e seu irmão Moáuia exerceram governos provinciais. Durante o califado de Otomão ibne Afane, ele próprio omíada, integrantes do clã receberam importantes cargos administrativos e militares. Após o assassinato de Otomão, em 656, Moáuia, então governador da Síria, tornou-se o principal adversário do califa Ali ibne Abi Talibe durante a Primeira Fitna. Com o assassinato de Ali e a abdicação de Haçane ibne Ali em 661, Moáuia obteve o reconhecimento de sua autoridade sobre o califado e fundou o Califado Omíada, inaugurando o governo dinástico da família. O primeiro ramo reinante, o dos sufiânidas, foi substituído em 684 pelos maruânidas, sob os quais o poder passou a concentrar-se mais diretamente nas mãos da família e o califado atingiu sua maior extensão territorial.

O domínio omíada sobre o califado terminou em 750, quando os abássidas derrubaram a dinastia e promoveram a perseguição de seus membros. Um dos sobreviventes, Abederramão I, neto do califa Hixame, refugiou-se no Alandalus, onde fundou o Emirado de Córdova em 756 e estabeleceu um novo ramo governante da família. Seus descendentes governaram a região como emires e, a partir de 929, como califas de Córdova, até o colapso do califado em 1031. Outros descendentes dos omíadas estabeleceram-se no Egito, no Irã, no Magrebe, na Alta Mesopotâmia e em outras regiões do mundo islâmico, enquanto diferentes linhagens da família continuaram a exercer funções políticas, militares, judiciais e culturais muito depois do fim de seu domínio sobre os califados de Damasco e Córdova.


História

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Origens pré-islâmicas

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Os omíadas, ou Banu Omaia, eram um clã proeminente da tribo mais ampla dos coraixitas, que dominava Meca durante a Jailia. Os coraixitas obtinham prestígio entre as tribos árabes por sua proteção e manutenção da Caaba, que, na época, era considerada pelos árabes predominantemente politeístas de toda a Península Arábica seu santuário mais sagrado.[1] Um líder coraixita, Abede Manafe ibne Cuçai, que, a julgar por sua posição na tradição genealógica, teria vivido no final do século V, era responsável pela manutenção e proteção da Caaba e de seus peregrinos. Essas funções passaram a seus filhos Abede Xemece, Haxime e outros.[2] Abede Xemece era pai de Omaia ibne Abede Xemece, ancestral epônimo dos omíadas.[3] Omaia sucedeu Abede Xemece como caide (comandante em tempo de guerra) dos mecanos. Essa posição provavelmente constituía um cargo político ocasional, cujo titular supervisionava a condução dos assuntos militares de Meca em períodos de guerra, em vez de exercer necessariamente o comando direto no campo de batalha. Essa experiência inicial de liderança militar mostrou-se instrutiva, pois os omíadas posteriores seriam conhecidos e reconhecidos por sua considerável capacidade de organização política e militar.[4]

O historiador Giorgio Levi Della Vida considera que as informações das primeiras fontes árabes sobre Omaia, assim como sobre todos os antigos ancestrais das tribos da Arábia, devem ser aceitas com cautela, mas que um ceticismo excessivo em relação à tradição seria tão imprudente quanto a confiança absoluta em suas afirmações. Della Vida observa que, como os omíadas que aparecem no início da história islâmica, no começo do século VII, não estavam separados de Omaia por mais de três gerações, a existência deste último é altamente plausível.[3] Por volta de 600, os coraixitas haviam desenvolvido redes comerciais que atravessavam a Arábia, organizando caravanas para a Síria, ao norte, e o Iêmem, ao sul.[1] Os omíadas e os maquezumitas, outro importante clã coraixita, dominavam essas redes comerciais. Para garantir a segurança das rotas, desenvolveram alianças econômicas e militares com tribos árabes nômades que controlavam as extensas áreas desérticas da Arábia central e setentrional, o que lhes proporcionou influência comercial e certo poder político na península.[5]

Oposição e conversão ao islã

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O profeta islâmico Maomé pertencia aos haxemitas, clã coraixita ligado aos omíadas pelo ancestral comum Abede Manafe. Quando iniciou sua pregação religiosa em Meca, enfrentou a oposição da maior parte dos coraixitas.[6][7] Encontrou apoio entre os habitantes de Medina e transferiu-se para a cidade com seus seguidores em 622.[8] Os abedexemecitas, entre os quais estavam os omíadas, figuraram entre os principais dirigentes da oposição coraixita a Maomé.[9] Eles superaram os maquezumitas, liderados por Abu Jal, depois das pesadas perdas sofridas pela liderança desse clã na luta contra os muçulmanos na Batalha de Badre, em 624.[10] O chefe omíada Abu Sufiane ibne Harbe tornou-se então o líder do exército coraixita de Meca que combateu os muçulmanos comandados por Maomé nas batalhas de Uude e da Trincheira. Abu Sufiane e seus filhos, juntamente com a maioria dos omíadas, aderiram ao islã no final da vida de Maomé, após a Conquista de Meca. Para assegurar a lealdade de líderes omíadas proeminentes, entre eles Abu Sufiane, Maomé concedeu-lhes presentes e cargos de importância no nascente Estado muçulmano.[9] Nomeou outro omíada, Atabe ibne Acide, primeiro governador de Meca.[11] Embora Meca conservasse sua primazia como centro da nova religião, Medina permaneceu como centro político dos muçulmanos. Abu Sufiane e os omíadas transferiram-se para a cidade a fim de preservar sua crescente influência política.[12]

A morte de Maomé, em 632, provocou uma crise sucessória, enquanto tribos nômades de toda a Arábia que haviam aderido ao islã rejeitaram a autoridade de Medina.[13] Abu Becre, um dos mais antigos amigos de Maomé e um dos primeiros convertidos ao islã, foi escolhido califa, isto é, chefe político e religioso supremo da comunidade muçulmana.[14] Abu Becre favoreceu os omíadas ao lhes atribuir papel destacado na conquista muçulmana da Síria. Nomeou o omíada Calide ibne Saíde comandante da expedição, mas posteriormente o substituiu por outros comandantes, entre os quais os filhos de Abu Sufiane, Iázide e Moáuia. Abu Sufiane já possuía propriedades e mantinha redes comerciais na Síria.[15][16] O sucessor de Abu Becre, o califa Omar (r. 634–644), embora procurasse ativamente limitar a influência da elite coraixita em favor dos primeiros partidários de Maomé na administração e nas forças militares, não alterou a crescente posição dos filhos de Abu Sufiane na Síria, que estava quase inteiramente conquistada em 638. Quando Abu Ubaida ibne Aljarrá, comandante-geral de Omar na região, morreu em 639, o califa nomeou Iázide governador dos distritos sírios de Damasco, Palestina e Jordânia.[17] Iázide morreu pouco depois, e Omar nomeou seu irmão Moáuia para substituí-lo. O tratamento excepcional dispensado por Omar aos filhos de Abu Sufiane pode ter resultado de seu respeito pessoal pela família, da crescente aliança destes com os poderosos calbitas como contrapeso às aristocráticas tribos himiaritas que predominavam no Junde de Hómece, ou da falta de um candidato adequado naquele momento, em meio à Peste de Emaús, que já havia causado as mortes de Abu Ubaida e Iázide ibne Abi Sufiane.[18]

Fortalecimento sob o califa Otomão

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O califa Omar morreu em 644 e foi sucedido por Otomão ibne Afane, rico mercador omíada, um dos primeiros convertidos ao islã, genro e companheiro próximo de Maomé.[19] Inicialmente, Otomão manteve nos governos provinciais os funcionários nomeados por seus predecessores, mas gradualmente substituiu muitos deles por omíadas ou por parentes maternos pertencentes ao clã ancestral dos abedexemecitas. Moáuia permaneceu em seu posto sob Otomão, que ampliou seu governo para abranger toda a Síria. Dois omíadas, Alualide ibne Uqueba e Saíde ibne Alas, foram sucessivamente nomeados para Cufa, uma das duas principais cidades-guarnição árabes e centros administrativos do Iraque. O primo de Otomão, Maruane ibne Aláqueme, tornou-se seu secretário-chefe.[20] Embora fosse membro proeminente do clã, Otomão não é considerado integrante da dinastia omíada, pois foi escolhido por consenso de uma xura formada pelo círculo dirigente da comunidade muçulmana e nunca tentou designar um parente omíada como seu sucessor. Ainda assim, como resultado das políticas de Otomão, os omíadas recuperaram parte do poder e da influência que haviam perdido depois da conquista muçulmana de Meca.[21]

O assassinato de Otomão, em 656, tornou-se o principal motivo de mobilização da oposição coraixita a seu sucessor, o primo e genro de Maomé, o califa Ali ibne Abi Talibe, dos haxemitas. A elite coraixita não responsabilizava Ali pela morte de Otomão, mas se opunha à sua ascensão nas circunstâncias em que ela ocorreu. Após sua derrota na Batalha do Camelo, nas proximidades de Baçorá, durante a qual morreram seus líderes Tala ibne Ubaide Alá e Azobair ibne Alauame, ambos possíveis pretendentes ao califado, a oposição a Ali passou a ser conduzida principalmente por Moáuia.[22] Inicialmente, este evitou reivindicar abertamente o califado, sustentando a exigência de vingança pela morte de Otomão enquanto se concentrava em enfraquecer a autoridade de Ali e consolidar sua própria posição na Síria.[23] O exército iraquiano de Ali enfrentou as forças sírias de Moáuia na Batalha de Sifim, em 657, sem que nenhum dos lados obtivesse vitória decisiva.[24] Seguiu-se uma arbitragem inconclusiva, que enfraqueceu o domínio de Ali sobre suas forças e elevou a posição de Moáuia à de rival em pé de igualdade.[25]

Enquanto Ali se encontrava ocupado em combater uma facção de seus antigos partidários, que ficaram conhecidos como carijitas, Moáuia foi formalmente reconhecido como califa por seus principais apoiadores, as tribos árabes da Síria, numa cerimônia realizada em Jerusalém. Quando Ali foi assassinado pelo dissidente carijita Ibne Muljame, em 661, Moáuia invadiu o Iraque com seu exército sírio e obrigou Haçane ibne Ali, filho mais velho e sucessor de Ali, que havia sido escolhido califa em Cufa, a abdicar do califado em seu favor.[26] Moáuia então entrou em Cufa e recebeu o juramento de lealdade dos iraquianos, passando sua suserania a ser reconhecida em todo o califado, embora persistisse em pequena escala a oposição à sua autoridade por parte dos carijitas e de alguns partidários leais a Ali.[27]

Governo dinástico sobre o califado

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Período sufiânida

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O Califado Omíada por volta de 740

A reunificação da comunidade muçulmana sob a autoridade de Moáuia marcou o estabelecimento do Califado Omíada. Esse acontecimento assinalou o início da dinastia omíada. Com base nos relatos das fontes muçulmanas tradicionais, Hawting escreve: "Os omíadas, principais representantes daqueles que haviam se oposto ao Profeta [Maomé] até o último momento possível, haviam, no espaço de trinta anos após sua morte, restabelecido sua posição a tal ponto que agora se encontravam à frente da comunidade que ele havia fundado."[27] Em contraste com o fortalecimento dos omíadas promovido por Otomão, o poder de Moáuia apoiava-se nas tribos árabes da Síria, e não no clã omíada, e, salvo pequenas exceções, ele não nomeou omíadas para as principais províncias nem para sua corte em Damasco.[28] Em grande medida, limitou a influência deles a Medina, onde a maioria dos omíadas continuou sediada.[29][30] A perda de poder político provocou ressentimento entre os omíadas de Medina em relação a Moáuia, que talvez tenha passado a desconfiar das ambições políticas do ramo muito mais numeroso de Abu Alas, ao qual Otomão pertencera, então liderado por Maruane ibne Aláqueme.[31] Moáuia procurou enfraquecer o clã fomentando divisões internas.[32] Entre as medidas adotadas esteve a substituição de Maruane no governo de Medina, em 668, por outro importante omíada, Saíde ibne Alas. Este recebeu ordem de demolir a casa de Maruane, mas recusou-se a fazê-lo. Maruane foi reconduzido ao cargo em 674 e também se recusou a cumprir uma ordem de Moáuia para demolir a casa de Saíde.[33] Em 678, Moáuia nomeou em lugar de Maruane seu próprio sobrinho, Alualide ibne Oteba.[34]

Em 676, Moáuia designou seu filho Iázide I como sucessor. A medida não tinha precedentes na política muçulmana, pois os califas anteriores haviam sido escolhidos mediante apoio popular em Medina ou por consulta entre os principais companheiros de Maomé.[35] Os parentes omíadas de Moáuia em Medina, entre eles Maruane e Saíde, aceitaram sua decisão, embora com desaprovação.[36] A principal oposição veio de Huceine ibne Ali, Abedalá ibne Azobair, Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe e Abederramão ibne Abi Becre, todos filhos proeminentes de antigos califas ou de companheiros próximos de Maomé estabelecidos em Medina.[37] Iázide ascendeu ao califado em 680 e, três anos depois, enfrentou uma revolta dos habitantes de Medina e de Abedalá ibne Azobair em Meca. O primo de Iázide, Otomão ibne Maomé ibne Abi Sufiane, e os omíadas residentes em Medina, liderados por Maruane, foram expulsos.[38] Iázide enviou seu exército sírio para restabelecer sua autoridade no Hejaz e socorrer seus parentes.[39] Os omíadas de Medina juntaram-se aos sírios no ataque aos rebeldes da cidade e os derrotaram na Batalha de Harra.[40] Os sírios seguiram então para cercar Meca, mas se retiraram após a morte de Iázide.[41] Em seguida, Abedalá ibne Azobair proclamou-se califa e expulsou os omíadas do Hejaz pela segunda vez. Eles se transferiram para Palmira ou Damasco, onde o filho e sucessor de Iázide, Moáuia II, governava numa época em que a autoridade omíada sobre o califado se havia praticamente desintegrado, com a maior parte das províncias reconhecendo Abedalá ibne Azobair como califa.[40]

Primeiros maruânidas

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A Cúpula da Rocha, na Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, foi construída pelo califa maruânida Abedal Maleque entre cerca de 685 e 692
A Mesquita dos Omíadas, em Damasco, foi construída pelo sucessor de Abedal Maleque, o califa Alualide I, entre cerca de 706 e 715[42]

Após a morte de Moáuia II, em 684, os jundes da Palestina, Hómece e Quinacerim reconheceram Abedalá ibne Azobair, enquanto as tribos leais aos omíadas em Damasco e na Jordânia procuravam designar um omíada como califa. Os calbitas, principal sustentáculo do governo sufiânida, indicaram os filhos sobreviventes de Iázide, Calide ibne Iázide e Abedalá ibne Iázide, mas a maioria das demais tribos leais considerava ambos jovens e inexperientes. Maruane ibne Aláqueme apresentou sua própria candidatura e obteve o consenso das tribos, ascendendo ao califado numa reunião realizada em Jabia, em 684. Segundo o acordo firmado pelas tribos, Maruane seria sucedido por Calide e, depois deste, por Anre Alasdaque, filho de Saíde ibne Alas. Maruane e as tribos leais, lideradas pelos calbitas, derrotaram na Síria os partidários de Abedalá ibne Azobair, comandados pelo governador coraixita de Damasco, Adaaque ibne Caice Alfiri, e pelas tribos caicitas de Quinacerim, e em seguida reconquistaram o Egito. Antes de morrer, em 685, Maruane anulou o acordo sucessório e designou seus filhos Abedal Maleque e Abedalazize ibne Maruane, nessa ordem. Abedalazize foi nomeado governador do Egito, e outro filho, Maomé ibne Maruane, recebeu a missão de derrotar as tribos caicitas da Jazira. Pouco depois de Abedal Maleque ascender ao califado, enquanto se encontrava ausente numa campanha militar, enfrentou em Damasco uma tentativa de golpe de Anre Alaxedaque. Abedal Maleque reprimiu a revolta e executou pessoalmente seu parente.[43] Em 692, derrotou Abedalá ibne Azobair, que foi morto, e restaurou o domínio omíada sobre todo o califado.[44]

Abedal Maleque concentrou o poder nas mãos da dinastia omíada. Em determinado momento, seus irmãos ou filhos ocupavam quase todos os governos provinciais e os distritos da Síria.[45][46] Abedalazize continuou governando o Egito até morrer pouco antes de Abedal Maleque, em 705. Foi substituído pelo filho de Abedal Maleque, Abedalá ibne Abedal Maleque.[47] Abedal Maleque nomeou seu filho Solimão governador da Palestina, depois de períodos no cargo exercidos por seu tio Iáia ibne Aláqueme e por seu irmão Abane ibne Maruane.[48] No Iraque, nomeou seu irmão Bisre ibne Maruane para Cufa e um primo distante, Calide ibne Abedalá ibne Calide ibne Acide, para Baçorá,[49] antes de reunir o governo das duas cidades sob a autoridade de seu general de confiança Alhajaje ibne Iúçufe.[50] A corte de Abedal Maleque em Damasco continha muito mais omíadas do que sob seus predecessores sufiânidas, consequência do exílio do clã de Medina para a cidade.[51] Ele manteve relações estreitas com os sufiânidas por meio de casamentos e nomeações oficiais, como ao conceder a Calide, filho de Iázide, papel destacado na corte e no exército e dar-lhe em casamento sua filha Aixa.[52] Abedal Maleque também se casou com a irmã de Calide, Atica, que se tornou sua esposa favorita e mais influente.[53]

Após a morte de seu irmão Abedalazize, Abedal Maleque designou seu filho mais velho, Alualide I, como sucessor, seguido por seu segundo filho mais velho, Solimão. Alualide ascendeu ao califado em 705. Manteve Solimão como governador da Palestina e nomeou seus próprios filhos para os demais jundes da Síria: Abedalazize ibne Alualide em Damasco, Alabás ibne Alualide em Hómece e Omar ibne Alualide na Jordânia, além de lhes confiar funções de comando nas guerras de fronteira contra os bizantinos na Anatólia.[54][46] Retirou seu tio Maomé ibne Maruane do governo da Jazira e colocou em seu lugar seu meio-irmão Maslama ibne Abedal Maleque. A tentativa de Alualide I de anular o arranjo sucessório estabelecido por seu pai e substituir Solimão por seu filho Abedalazize fracassou, e Solimão ascendeu ao califado em 715.[55] Em vez de nomear um de seus próprios filhos ou irmãos, Solimão designou como sucessor seu primo Omar II, filho de Abedalazize ibne Maruane. Embora as fontes tradicionais relacionem a escolha à persuasão do teólogo da corte Raja ibne Haiua, ela pode ter estado associada à maior idade de Omar II e à posição anterior de seu pai como segundo sucessor designado por Maruane I.[56] A família de Abedal Maleque protestou contra a decisão, mas foi obrigada a aceitar um compromisso pelo qual Iázide II, filho de Abedal Maleque e Atica, sucederia Omar II.[57]

Governo no Alandalus

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Um dos sobreviventes dos massacres da família omíada promovidos pelos abássidas, Abederramão ibne Moáuia (mais conhecido como Abederramão I), neto do califa Hixame, dirigiu-se ao Alandalus (Espanha islâmica), onde os maulas dos omíadas o ajudaram a estabelecer uma base de poder na província. Depois de fundar o Emirado de Córdova em 756, convidou outros maruânidas, que mantinham um perfil discreto sob o domínio abássida, a estabelecerem-se no emirado.[58] O poeta andalusino do século XII Alhijari cita Abederramão afirmando que, entre os muitos favores concedidos pelo Todo-Poderoso, estava o de permitir-lhes reunir naquele país seus parentes e familiares e fazê-los participar de seu domínio.[58][a]

Os imigrantes omíadas receberam propriedades, estipêndios, postos de comando no exército e cargos provinciais. Os emires e, posteriormente, califas do Alandalus eram descendentes diretos de Abederramão I. As famílias de parentes omíadas mais distantes de Abederramão, particularmente a de Abedal Maleque ibne Omar ibne Maruane, neto de Maruane I — o clã maruânida —, e a de Habibe ibne Abedal Maleque Alcoraixi, bisneto de Alualide I — o clã habibita —, alcançaram igualmente posição de destaque nos âmbitos provincial, militar, judicial e cultural até o século X.[59] Os omíadas conservaram forte apego à Síria e introduziram no Alandalus as mesmas árvores, plantas e culturas alimentares cultivadas por seus ancestrais na região, além de manterem pratos tradicionais semelhantes. A ampla introdução de modos de vida sírios contribuiu para uma extensa sirianização das áreas rurais do Alandalus.[60]

Ramos e descendentes

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A Grande Mesquita de Córdova, na Espanha, foi construída pelos omíadas do Alandalus, tendo sido originalmente erguida por Abederramão I em 785 e ampliada por seus sucessores.[61]

No início do século VII, antes de sua conversão ao islã, os principais ramos dos omíadas eram os aiacitas (Aʿyāṣ) e os anabiçaítas (ʿAnābisa). Os primeiros reuniam os descendentes dos filhos de Omaia Abu Alás, Alas, Abu Alis e Aluais, cujos nomes compartilhavam a mesma raiz ou raízes semelhantes, daí a designação do grupo como aiacitas. Os anabiçaítas, cujo nome é a forma plural de Ambaça, nome comum nesse ramo do clã, reuniam os descendentes dos filhos de Omaia Harbe, Abu Harbe, Abu Sufiane Ambaça, Sufiane e Anre, além de Abu Anre Dacuane, possivelmente filho adotivo de Omaia. Dois filhos de Abu Alás, Afane e Aláqueme, foram pais, respectivamente, dos futuros califas Otomão e Maruane I. Dos descendentes de Aláqueme, conhecidos como maruânidas, procederam os califas omíadas de Damasco e, posteriormente, os emires e califas de Córdova. À exceção daqueles que escaparam para o Alandalus, a maioria dos maruânidas foi morta nos expurgos abássidas de 750. Alguns, contudo, estabeleceram-se no Egito e no Irã; entre eles estava Abu Alfaraje de Ispaã, que, no século X, escreveu o Kitab al-Aghani, importante fonte para a história árabe. Otomão, terceiro califa do Califado Ortodoxo, deixou vários descendentes, alguns dos quais exerceram cargos políticos sob os califas omíadas. Da linhagem de Abu Alis procedeu a família politicamente importante de Acide ibne Abi Alis, cujos membros exerceram comandos militares e governos provinciais sob vários califas ortodoxos e omíadas. Da linhagem de Alas procedeu Saíde ibne Alás, que serviu como um dos governadores de Otomão em Cufa.[4]

A família mais conhecida do ramo dos anabiçaítas era a de Abu Sufiane Sacre, filho de Harbe.[62] De seus descendentes, conhecidos como sufiânidas, procederam Moáuia I, fundador do Califado Omíada em 661, e seu filho e sucessor Iázide I. O governo sufiânida terminou com a morte do filho deste último, Moáuia II, em 684, embora outros filhos de Iázide, Calide e Abedalá ibne Iázide, continuassem a desempenhar papéis políticos; ao primeiro foi atribuída a condição de fundador da alquimia árabe. Abu Maomé Ziade Açufiani, filho de Abedalá, por sua vez, liderou uma revolta contra os abássidas em 750, mas acabou morto. Os outros filhos de Abu Sufiane foram Iázide, que precedeu Moáuia I no governo da Síria, Anre, Ambaça, Maomé e Oteba. Apenas os dois últimos deixaram descendentes. A outra família importante dos anabiçaítas era formada pelos descendentes de Abu Anre, conhecidos como Banu Abi Muaite. O neto de Abu Anre, Uqueba ibne Abi Muaite, foi capturado e executado por ordem de Maomé durante a Batalha de Badre, em razão de sua hostilidade anterior ao profeta. Seu filho, Alualide ibne Uqueba, serviu brevemente como governador de Cufa sob Otomão. Os Banu Abi Muaite estabeleceram-se no Iraque e na Alta Mesopotâmia.[63] O geógrafo do século X Alhandani afirmava que vários grupos omíadas habitavam a cidade de Tanda, no Alto Egito, e seus arredores. Entre eles, enumerava as famílias de Abane ibne Otomão, filho do califa Otomão, e de Habibe ibne Omar ibne Alualide ibne Abedal Maleque, além de outro grupo descendente de Maruane conhecido como Marauna. Alhandani observa que esses omíadas eram parentes dos omíadas que então governavam o Alandalus e que outros membros do clã se encontravam dispersos pelo Magrebe e presentes na região da Balca, na Síria.[64]

Notas

  1. Entre aqueles que atenderam ao chamado de Abederramão I para se juntarem a ele no Alandalus estavam seu irmão Alualide e o filho deste, Almuguira; seu primo em primeiro grau Ubaide Açalame ibne Iázide ibne Hixame; e seu sobrinho Ubaide Alá ibne Abane ibne Moáuia. Também chegaram Juzai ibne Abedalazize ibne Maruane, filho de Abedalazize ibne Maruane, e Abedal Maleque ibne Omar ibne Maruane — ambos netos de Maruane I oriundos do Egito —, Abedal Maleque ibne Bisre ibne Maruane, filho de Bisre ibne Maruane, oriundo do Iraque, e Habibe ibne Abedal Maleque Alcoraixi, bisneto de Alualide I, que havia escapado ao massacre abássida de Nar Abi Futrus.[59]

Referências

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  2. Hawting 2000a, pp. 21–22.
  3. 1 2 Della Vida 2000, p. 837.
  4. 1 2 Della Vida 2000, p. 838.
  5. Donner 1981, p. 51.
  6. Donner 1981, p. 53.
  7. Wellhausen 1927, pp. 40–41.
  8. Donner 1981, p. 54.
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  10. Wellhausen 1927, p. 41.
  11. Poonawala 1990, p. 8.
  12. Wellhausen 1927, pp. 20–21.
  13. Donner 1981, p. 82.
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  17. Madelung 1997, pp. 60–61.
  18. Madelung 1997, p. 61.
  19. Ahmed 2010, p. 106.
  20. Ahmed 2010, p. 107.
  21. Hawting 2000a, p. 26.
  22. Hawting 2000a, p. 27.
  23. Hawting 2000a, pp. 27–28.
  24. Hawting 2000a, p. 28.
  25. Hawting 2000a, pp. 28–29.
  26. Hawting 2000a, p. 30.
  27. 1 2 Hawting 2000a, p. 31.
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  30. Wellhausen 1927, pp. 135–136.
  31. Bosworth 1991, pp. 621–622.
  32. Wellhausen 1927, p. 136.
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  34. Madelung 1997, p. 346.
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