Abipones
Guerreiros abipones | |
| População total | |
|---|---|
| 817[1] | |
| Línguas | |
| mataco-guaicuru, abipone (calhaga)[1] | |
| Religiões | |
| Animismo, xamanismo, cristianismo | |
| Grupos étnicos relacionados | |
| Toba, Pilagá, Mocovi, Guaicuru e outros povos |
Os abipones (em castelhano: abipones, singular abipón) foram um povo indígena da região do Gran Chaco, na Argentina e no Paraguai, falantes de uma das línguas guaicurus.[1] Eles deixaram de existir como grupo étnico independente no início do século XIX.[2] Um pequeno número de sobreviventes assimilou-se à sociedade argentina.[1]
História
[editar | editar código]Os abipones ocupavam inicialmente o Gran Chaco da Argentina, nas regiões mais baixas do rio Bermejo.[1] Eram originalmente, um povo sazonalmente nômade composto por caçadores-coletores, pescadores e, em menor escala, agricultores.[2]
Em 1641, os abipones já haviam obtido cavalos dos colonos espanhóis e abandonaram a agricultura para se dedicarem à criação de gado e cavalos. Naquela época, eles ainda viviam ao norte do rio Bermejo.[3] Passaram a ser temidos por seus vizinhos e pelos fazendeiros espanhóis, chegando até mesmo a ameaçar grandes cidades.[2][3]
É provável que foram empurrados para o sul de seu território original pelos espanhóis[4] e por outras tribos nativas, como os tobas.[3] Eles acabaram se concentrando no território argentino situado entre Santa Fé e Santiago del Estero, delimitado pelo rio Bermejo ao norte e pelo rio Salado ao sul.[3]
Antes da introdução do cavalo na região, eles subsistiam da caça, pesca, coleta de alimentos e apenas uma quantidade limitada de agricultura.[1] Com a chegada do cavalo, veio uma mudança regional e, em especial, na maneira abipone de sobreviver. Eles abandonaram a agricultura e passaram a caçar a cavalo gado selvagem, ema, guanaco, veado e queixada. Os cavalos também facilitaram suas incursões a fazendas espanholas e até mesmo a cidades de Assunção e Corrientes.[1]
A partir de 1710, um grande esforço militar dos espanhóis começou a impor gradualmente sua autoridade sobre os abipones.[2] Em 1750, missões jesuíticas fora fundadas entre eles (principalmente por Martin Dobrizhoffer, que atuou por dezoito anos como missionário no Paraguai[3]), e eles foram amplamente cristianizados[3] e tornarem-se sedentários.[2] As missões enfrentavam problemas incessantes com os colonos espanhóis e eram frequentemente atacadas pelos tobas e pelos mocovis, povos hostis da etnia guaicuru.[3]
Em 1768, mais da metade dos abipones havia sucumbido a doenças[2] e seu número estava abaixo de 5 mil.[5] A expulsão dos jesuítas pelos espanhóis naquele ano foi fatal para os abipones. Quando eles tentaram retomar seus antigos modos de vida, descobriram que suas terras tradicionais estavam ocupadas por colonos e outras nações indígenas.[2] Os tobas e os mocovís, auxiliados por doenças, aniquilaram-nos como nação em menos de meio século.[3] Os sobreviventes se integraram à população argentina em geral.[2] Eles aprenderam a falar espanhol, e abandonaram seus antigos costumes.
Acredita-se que o último falante da língua abipone morreu no século XIX.[2]
Aparência e costumes
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Segundo Martin Dobrizhoffer, que viveu entre eles por sete anos, os abipones eram um grupo de pessoas altas, bem proporcionadas e bonitas, com olhos negros, narizes aquilinos e cabelos negros e espessos, que eles arrancavam da testa até o topo da cabeça como um sinal tribal.[4] Os rostos, seios e braços das mulheres eram tatuados com figuras pretas de vários desenhos, conforme sua idade e status social, e os lábios e orelhas de ambos os sexos eram perfurados.[5]
Os homens eram guerreiros corajosos, sendo suas principais armas o arco e flecha, a lança e o bastão.Essas armas eram esculpidas em uma árvore local de madeira de lei, conhecida por eles como ‘'netergé–’', assim como as boleadoras.[5] Em batalha, usavam uma armadura confeccionada com pele de anta, sobre a qual era costurada uma pele de onça-pintada.[5] AAté mesmo as mulheres abipones tinham fama de agressivas e detinham poder considerável nos ritos religiosos de seu povo.[2]
Os abipones eram bons nadadores e cavaleiros. Durante a estação das enchentes, que durava cinco meses, viviam em ilhas ou até mesmo em abrigos construídos nas árvores.[5]
Eles compartilhavam a maioria dos costumes dos guaicurus, incluindo a couvade.[3] Os abipones raramente casavam antes dos trinta anos, e eram notavelmente castos.[5] Charles Darwin relatou que “Entre os abipones, quando um homem escolhe uma esposa, ele negocia o preço com os pais. Mas acontece com frequência que a moça anula o que foi acordado entre os pais e o noivo, rejeitando obstinadamente até mesmo a menção ao casamento. Muitas vezes, ela foge e se esconde, escapando assim do noivo.”[6] O infanticídio era comum, nunca sendo criadas mais de duas crianças em uma mesma família. As crianças eram amamentadas por dois anos.[4]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 Hoiberg, Dale H., ed. (2010). «Abipón». Encyclopædia Britannica. I: A-ak Bayes 15.ª ed. Chicago, Illinois: Encyclopædia Britannica Inc. p. 33. ISBN 978-1-59339-837-8
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 John Mackenzie; John Haywood; Simon Hall (2005). Peoples, Nations and Cultures: An A-Z of the Peoples of the World, Past and Present. Reino Unido: Cassell. ISBN 978-0304365500
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Herbermann, Charles, ed. (1913). «Abipones». Enciclopédia Católica (em inglês). Nova Iorque: Robert Appleton Company - 1 2 3 Chisholm 1911, p. 65.
- 1 2 3 4 5 6 Dobrizhoffer, Martin. Historia de Abiponibus equestri, bellicosaque Paraquariae natione .. [S.l.]: Viennae, J. Nob de Kurzbek. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Charles Darwin (2004) [1871]. The Descent of Man. Reino Unido: Penguin Classics. ISBN 978-0140436310
Bibliografia
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Chisholm, Hugh, ed. (1911). «Abipones». Encyclopædia Britannica (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público)